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Pedro Carreiro
Publicado em 5 de março de 2026 às 20:38
Dono de uma história de superação rara no mais alto nível do futebol brasileiro, o atacante Anderson Pato foi apresentado na tarde desta quinta-feira (5), no Barradão, em uma entrevista coletiva marcada por emoção e lágrimas. O jogador de 23 anos, que até pouco tempo atrás atuava no futebol de várzea, foi contratado pelo Vitória junto à Juazeirense e assinou contrato com o Leão até 2027 — justamente o clube para o qual torce desde criança. >
“Estou muito feliz, é um sonho de criança, sonho de minha família e minha mãe. Eu prometi para ela que ia ser jogador profissional. Ela não está mais aqui, mas estou honrando o nome dela. Estou muito feliz, de coração, um time que torço desde pequeno e hoje estou aqui para ajudar da melhor forma”, declarou Pato.>
Veja Anderson Pato com a camisa do Vitória
Natural de Salvador, o atacante não passou por categorias de base, caminho comum para a maioria dos jogadores que chegam aos principais clubes do país. Atuando sempre no futebol amador, ele só estreou profissionalmente em 2024, já aos 21 anos, quando disputou a segunda divisão do Campeonato Baiano pelo Galícia. Em 2025, voltou a se destacar no futebol amador ao disputar o Campeonato Baiano Intermunicipal pela Seleção de Simões Filho, desempenho que chamou a atenção da Juazeirense, que o contratou para a disputa da elite estadual deste ano.>
Pato aproveitou a oportunidade no Cancão de Fogo e se tornou um dos destaques da equipe no Baianão, despertando o interesse do Vitória e de outros clubes. Foram 11 jogos com a camisa da equipe de Juazeiro, com dois gols marcados e duas assistências — desempenho que o transformou em um dos protagonistas da campanha que levou o time à semifinal da competição.>
“Prometi à minha esposa no dia que saí de casa: ‘Vou fazer avaliação, mas juro que vou mudar a vida da minha família’. Deus me honrou e consegui. Agradeço à Juazeirense pela oportunidade. De lá, me destaquei. Graças a Deus estou aqui, defendendo o clube do meu coração. Como eu era focado, agora sou mais, trabalhar mais. Sei que preciso melhorar muito, mas vou melhorar muito o que falta. Estou muito feliz de estar defendendo o clube do meu coração, que seja uma temporada de vitórias e conquistas”, projetou o atacante.>
“Tinham uns times querendo. Tive sondagem do Fortaleza, ABC, Londrina e Vitória. Meu empresário perguntou qual era para eu escolher. Eu escolhi o Vitória, porque é um time que eu torço, que sempre sonhei em jogar. Foi opção minha e da minha família. Estou muito feliz de estar aqui defendendo esse clube maravilhoso”, completou.>
Contratações do Vitória na 1ª janlea de tranferências de 2026
Vindo de uma origem humilde e tendo enfrentado muitas dificuldades antes mesmo de ingressar no futebol de várzea, Pato não conseguiu conter as lágrimas ao lembrar da mãe, já falecida.>
“Às vezes eu falava com minha mãe que ia jogar bola, tinha vezes que ela não deixava, porque eu era muito pequeno, e várias vezes saía para jogar, pedia chuteira, e ela e meu pai não tinham condição de me dar chuteira. Muitos amigos me ajudaram, emprestaram chuteira. Nunca passei fome, mas tive dificuldade na vida”, lembrou.>
“Em casa, às vezes chovia, e a ‘pingueira’ caía na cama. Dormia eu, minha mãe e minha irmã. A gente tinha que sair porque molhava. E minha mãe saía, eu era criança. Eu falava: ‘Não saia, minha mãe. Fique aí que vou sair’. Sou de família simples e humilde, que sempre acreditou em mim. Quero dizer que minha mãe está muito orgulhosa, estou realizando o sonho dela”, continuou.>
“Em meados de 2020, fui para Santa Catarina, fui trabalhar com 16 anos, trabalhei como ajudante de pedreiro. Trabalhei em várias coisas porque eu queria ter dinheiro. Nunca gostei de nada errado. Todo mundo lá no bairro me abraça, gosta de mim, sabe que sou humilde, focado”, completou.>
Dentro de campo, o atacante promete entregar velocidade e dribles — características marcantes do seu estilo de jogo. Nos 10 jogos que disputou no Baianão, completou 32 dribles em 45 tentativas. Além disso, o atleta garante que dedicação e entrega não vão faltar.>
“Minha posição, que eu mais gosto de jogar, é a ponta esquerda, mas temos que jogar em outras posições. Vai ter hora que vai precisar. Eu jogo na esquerda, vou de centroavante, na direita, eu vou. Estou aqui para honrar o Vitória e, onde for preciso, eu vou jogar”, garantiu.>
Vindo de um nível considerado mais baixo do futebol, o jovem atacante terá que provar seu valor no Vitória e, inicialmente, deve ganhar oportunidades na Copa do Nordeste. Caso se destaque, também pode ser utilizado no Campeonato Brasileiro. Até lá, ele afirma estar preparado para lidar com a desconfiança de parte da torcida, que, diante de contratações recentes que não deram certo, ainda recebe com cautela nomes vindos do interior do estado.>
“Minha família merece, minha esposa e minha irmã sempre foram comigo para todos os lugares da várzea. Elas são merecedoras de tudo isso. Eu prometi para elas que mudaria a vida da minha família, e agora eu quero almejar mais coisas. Meu primeiro sonho era jogar futebol como profissional, agora estou no time que eu sempre torci. Agora quero chegar em outros lugares. As críticas a gente sabe que vão ser muitas, algumas construtivas e outras para abalar. Não posso dar ouvidos, tenho que trabalhar e reconhecer”, destacou.>