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Cirurgião de Bolsonaro fala de quedas: 'Ele tem uma tendência natural a tropicar, a cair'

Ex-presidente bateu a cabeça em quina de móvel após sofrer queda em cela

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 09:52

Jair Bolsonaro está preso
Jair Bolsonaro está preso Crédito: Hugo Barreto/Metrópoles

Responsável pelas cirurgias mais recentes de Jair Bolsonaro, o médico Claudio Birolini afirmou que o ex-presidente apresenta risco elevado de quedas e precisa de cuidados contínuos. Em entrevista a *O Globo*, o cirurgião relatou que Bolsonaro “tem uma tendência natural a tropicar, a cair” e classificou os acidentes do tipo como sua principal preocupação no momento.

Birolini assumiu os procedimentos cirúrgicos do ex-presidente em abril do ano passado. Desde então, Bolsonaro passou por três operações, a última realizada há cerca de duas semanas para tratar uma hérnia inguinal bilateral, no Hospital DF Star, em Brasília, da Rede D’Or. Atualmente, ele cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal.

Ao comentar a queda sofrida recentemente dentro da unidade da PF, o médico explicou que Bolsonaro bateu “a cabeça de leve em um móvel perto da cama” e destacou que, ainda assim, o ideal é realizar exames para uma avaliação detalhada. Segundo ele, o ambiente contribui para o risco. “Bolsonaro está em um ambiente que não é o dele, dormindo em uma cama relativamente estreita e usando todas as noites o CPAP”, afirmou, citando o aparelho utilizado para tratar apneia do sono, ligado à tomada, como mais um fator de atenção.

Michelle Bolsonaro narrou em post por Reprodução

De acordo com Birolini, o ex-presidente reúne características que exigem cuidado redobrado. “Ele tem 70 anos. É corpulento, mas tem fragilidades de uma pessoa da idade dele”, disse. O médico comparou a situação à rotina hospitalar, onde idosos costumam usar pulseiras de alerta para risco de queda, e reforçou que Bolsonaro não apresenta alterações neurológicas. “Ele já foi avaliado sob ponto de vista neurológico para ver se havia algum problema, nada foi identificado. É dele isso”, declarou.

O cirurgião também comentou que queixas como o barulho constante do ar-condicionado não devem ser minimizadas. “Imagina você ficar 24 horas com um rumor constante. Isso tem de ser considerado sob ponto de vista médico. É irritante, insalubre, especialmente para alguém com o quadro dele”, afirmou na entrevista.

Sobre o estado de saúde atual, Birolini disse que o quadro gastrointestinal está estável, mas exige acompanhamento rigoroso. Ele ressaltou que as decisões médicas são tomadas em conjunto com uma equipe especializada, incluindo os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado. Bolsonaro faz uso de medicamentos como gabapentina, clorpromazina - para controle do soluço - e antidepressivos, todos com horários fixos.

Entre as recomendações estão fisioterapia respiratória e motora, atividade física diária e cuidados específicos com a alimentação. As refeições devem ser fracionadas, em menores quantidades, com mastigação lenta, além de acompanhamento nutricional e avaliação de composição corporal. Segundo o médico, Bolsonaro ganhou oito quilos desde que deixou a prisão domiciliar e passou para a Superintendência da PF, com perda de massa muscular e aumento de gordura corporal.

Esse ganho de peso, de acordo com Birolini, agrava a apneia do sono. Na avaliação mais recente, Bolsonaro apresentou cerca de 50 episódios de interrupção do sono por hora. “Isso não é bom, não apenas para a qualidade do sono, mas para a saúde em geral”, afirmou, acrescentando que foi solicitada a medição da pressão arterial três vezes ao dia.

O médico também explicou que, por ter passado por múltiplas cirurgias abdominais, Bolsonaro possui aderências intestinais, o que pode, em determinadas situações, levar a novos quadros de obstrução. Embora o problema que motivou a cirurgia de abril do ano passado tenha sido resolvido, ele carrega sequelas permanentes, como a retirada de parte do intestino, atrofia de músculos da parede abdominal e a presença de uma tela cirúrgica para conter novas hérnias.

Crises de soluço

Em relação ao soluço frequente, Birolini afirmou que o ex-presidente já tinha predisposição antes do atentado a faca, mas que o quadro se intensificou após a cirurgia. Ele explicou que a obstrução intestinal crônica dificulta o esvaziamento do estômago, aumentando o risco de soluços, além de complicações como íleo paralítico e refluxo, que levaram a uma esofagite intensa.

Apesar da melhora após tratamento, uma endoscopia recente mostrou inflamação residual no esôfago, exigindo terapia de manutenção. “Conseguimos diminuir a intensidade e a frequência das crises, mas, ainda assim, elas persistem”, disse. O médico citou ainda fatores emocionais e hábitos como falar engolindo palavras e se alimentar rapidamente como possíveis gatilhos.

Ao avaliar o local onde Bolsonaro está atualmente, Birolini foi direto. Disse que não é possível classificar o ambiente como seguro ou inseguro, mas deixou clara sua posição. “Posso afirmar que ele não está em um lugar adequado”, afirmou. Na avaliação pessoal do cirurgião, diante das demandas clínicas e dos riscos envolvidos, o ambiente domiciliar seria o mais indicado neste momento. O pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Bolsonaro já foi negado duas vezes.

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Jair Bolsonaro