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Wendel de Novais
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 07:35
A investigação que resultou na prisão do policial militar Lucas de Sousa Mathias, detido dentro do 22º BPM, na Maré, revelou em detalhes o modo de atuação dele e do comparsa Davyd Novato Santana, que segue foragido. Os dois são investigados por agiotagem e apontados como autores de uma sequência de crimes que inclui extorsão, roubo e estupro, cometidos contra uma mulher em Maricá, na Região dos Lagos do Rio. >
Segundo a Polícia Civil, a vítima procurou a delegacia em estado de forte abalo emocional e teve uma crise de choro ao reconhecer Lucas como o homem que a violentou sexualmente. O delegado Cláudio Vieira, titular da 82ª DP (Maricá), afirmou que a mulher está profundamente traumatizada com o que viveu.>
De acordo com o relato, o pesadelo começou cerca de três meses após a vítima pegar R$ 800 emprestados com a dupla, que atuava como agiota. Mesmo após tentativas de pagamento, a dívida teria sido inflada com juros abusivos e já chegava a R$ 7 mil, acompanhada de ameaças constantes entre outubro e janeiro.>
PM foi preso no próprio batalhão
Nesse período, a mulher afirma ter sido coagida, ameaçada, agredida e extorquida. Em uma das ações, Lucas chegou a usar o celular da própria esposa para intimidar a vítima, o que acabou sendo decisivo para que a polícia conseguisse identificá-lo como policial militar e descobrir o batalhão onde ele estava lotado.>
A situação se agravou quando Lucas e Davyd foram até a casa da vítima, onde ela estava com o pai. Segundo a investigação, o pai foi obrigado a carregar duas televisões até o carro dos criminosos, além da entrega de dinheiro. Em seguida, a mulher também foi forçada a entrar no veículo.>
O grupo seguiu até a casa de uma amiga da vítima, apontada como destinatária inicial do empréstimo. Depois, os suspeitos levaram a mulher até um bar. Mesmo fazendo uso de medicação controlada, ela relata que foi obrigada a ingerir bebida alcoólica.>
Na sequência, a vítima foi novamente colocada no carro e levada para um local isolado. É nesse ponto que ela afirma ter sido brutalmente estuprada por Lucas. Após a violência, a mulher teria sido abandonada no local. Ferida e em choque, conseguiu retornar para casa e pedir ajuda ao pai, que a levou ao hospital.>
Dias depois, ela formalizou a denúncia, dando início às investigações. Os policiais civis tentaram localizar Lucas em endereços conhecidos, sem sucesso. A prisão só foi possível quando ele foi capturado ao chegar para trabalhar, dentro do próprio batalhão da PM na Maré.>
Já o comparsa, Davyd Novato Santana, não foi localizado. O Disque Denúncia divulgou um cartaz com pedido de informações sobre o paradeiro dele, que segue foragido.>