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Carol Neves
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 08:09
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciou, nesta quinta-feira (29), a segunda fase da Operação Pretorianos, que apura a atuação de policiais - da ativa e aposentados - na proteção armada do contraventor Rogério de Andrade. Nesta etapa, dois policiais militares reformados foram presos: Carlos André Carneiro de Souza e Marcos Antonio de Oliveira Machado, segundo informação do portal G1.>
Embora também fosse alvo de mandado de prisão, Rogério de Andrade já está detido desde novembro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande (MS), onde responde pelo homicídio de Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020. O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) denunciou Rogério, Carneiro e Machado por organização criminosa voltada à exploração ilegal de jogos de azar e à prática de corrupção ativa.>
Bicheiro Rogério Andrade está preso
De acordo com a denúncia, os dois PMs aposentados integravam a equipe de segurança pessoal do contraventor e prestavam serviços diretos a ele e a seus familiares. No caso de Carlos André Carneiro, o MP aponta ainda o pagamento de propina a um policial militar da ativa para obter informações sigilosas sobre operações e direcionar ações policiais contra estabelecimentos de jogos clandestinos controlados por grupos rivais.>
A Operação Pretorianos teve início em março de 2024, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Na primeira fase, foram cumpridos cerca de 50 mandados de busca e apreensão e efetuadas 18 prisões. As investigações também identificaram a participação de policiais já excluídos da corporação. Ao todo, 31 pessoas foram denunciadas pelo crime de organização criminosa.>
Segundo o Gaeco, integrantes do grupo se autodenominavam “Vampiros” e atuavam para proteger Rogério de Andrade, interferindo em operações policiais, monitorando agentes públicos e acompanhando a movimentação de veículos nas imediações da residência do contraventor. As apurações indicam ainda que o grupo intervinha em disputas territoriais pelo controle do jogo do bicho.>
Chefe do bicho>
Rogério de Andrade é sobrinho de Castor de Andrade, um dos principais nomes da contravenção carioca. Após a morte de Castor, em 1997, o comando do império do jogo do bicho ficou dividido entre Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho, filho do bicheiro, e Fernando Iggnácio, seu genro. Iggnácio ficou responsável pelos caça-níqueis, enquanto Paulinho assumiu as bancas do bicho.>
Rogério, no entanto, passou a disputar espaço com os dois parentes. Paulinho foi assassinado em 1998, em um crime atribuído a Rogério, que então assumiu os negócios do primo e avançou sobre as áreas controladas por Iggnácio. Investigações da Polícia Federal indicam que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio, entre 1999 e 2007, resultou em cerca de 50 mortes, incluindo policiais acusados de prestar serviços aos contraventores.>
A história teve mais episódios sanguinolentos. Fernando Iggnácio foi executado em 10 de novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, logo após desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis. Ele foi atingido por disparos de fuzil calibre 5,56 ao caminhar em direção ao carro.>