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Giuliana Mancini
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 10:02
A Polícia Civil de São Paulo investiga como suspeita a morte de Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, tio de Suzane von Richthofen. Ele foi encontrado sem vida na tarde de sexta-feira (9) em uma casa na Rua Baronesa de Bela Vista, no bairro do Campo Belo, zona sul da capital paulista, onde morava sozinho>
A ocorrência foi registrada como morte suspeita devido às circunstâncias em que o corpo foi localizado e porque a causa do óbito ainda depende de exames do Instituto Médico Legal (IML). Por esse motivo, a polícia impediu a cremação do corpo e determinou a realização de exames toxicológicos. >
Suzane e Andreas von Richthofen
O corpo foi encontrado pelo vizinho João Batista da Silva, proprietário de uma empresa de construção instalada ao lado da residência. Segundo o registro policial, ele estranhou a falta de contato com Miguel por cerca de dois dias e decidiu verificar a situação. >
Utilizando uma escada, subiu no muro e, ao olhar para o interior do imóvel, viu o corpo no quarto do piso superior, sentado no chão, com as costas apoiadas na cama. Em seguida, acionou a Polícia Militar pelo 190. As informações são da coluna True Crime, de Ullisses Campbell, no jornal O Globo.>
Miguel era médico, vivia sozinho e mantinha uma rotina reservada. No dia anterior à descoberta do corpo, a diarista esteve na residência, bateu no portão, tocou a campainha e enviou mensagens, mas não obteve resposta e deixou o local. Imagens de câmeras de segurança de uma empresa vizinha mostram Miguel entrando em casa pela última vez no dia 7 de janeiro, às 17h10. Desde então, ele não foi mais visto saindo da residência.>
Mansão da Família Richthofen
O Samu foi acionado e chegou ao local por volta das 16h40 da sexta-feira (9). A morte foi constatada três minutos depois. De acordo com o relatório, o corpo apresentava sinais de rigor mortis e livor mortis, indicando que o óbito havia ocorrido horas antes. A polícia informou que não havia sinais aparentes de violência no imóvel, que foi isolado e preservado por uma viatura da Polícia Militar.>
Mesmo sem indícios visíveis de crime, a autoridade policial determinou a realização de perícia no local e solicitou exames necroscópico e toxicológico no IML para esclarecer a causa da morte. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial do Campo Belo.>
Veja como está Suzane von Richthofen hoje
Miguel era irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 por Cristian Cravinhos a mando de Suzane. Após a morte da irmã, ele se tornou tutor de Andreas von Richthofen, que tinha 14 anos na época do crime e morou com o tio até atingir a maioridade.>
Depois da morte da irmã, Miguel rompeu relações com Suzane e passou a ter conflitos frequentes com Andreas. Foi ele quem moveu a ação judicial que declarou Suzane indigna de receber parte da herança deixada por Manfred e Marísia, avaliada em quase R$ 10 milhões, fazendo com que Andreas herdasse o patrimônio integralmente. À época, o jovem defendia a divisão dos bens com a irmã, posição que mais tarde afirmou ter sido fruto de manipulação.>
Durante o julgamento de Suzane, em 2006, Andreas, já com 18 anos, declarou em tribunal que era contrário à partilha da herança com a irmã.>
Com a morte de Miguel, a sucessão de seu patrimônio, que inclui a casa onde ele foi encontrado morto e um sítio no litoral paulista, pode gerar uma nova disputa familiar. Caso ele não tenha deixado filhos, pais vivos ou cônjuge com direito à herança, Andreas e Suzane podem entrar na linha sucessória. A definição dos herdeiros, no entanto, depende da apuração da situação civil de Miguel, da existência de outros parentes com prioridade legal e também da conclusão das investigações sobre a causa da morte.>
Os conflitos entre Miguel e Andreas começaram ainda durante as investigações do assassinato de Marísia e Manfred von Richthofen. Uma semana antes do crime, Andreas havia recebido de Daniel Cravinhos uma pistola Beretta, que usava para atirar em passarinhos no quintal. Na época, ele escondia a arma dentro de um ursinho de pelúcia. >
Após a morte dos pais e já morando com o tio, o jovem enterrou a arma no quintal da casa, perto de um pé de limão. Mas um cachorro da família desenterrou o objeto. Miguel localizou a pistola e a entregou ao Ministério Público, o que gerou revolta em Andreas.>
Outro ponto de atrito ocorreu quando Andreas decidiu visitar a irmã na Penitenciária Feminina da Capital, onde ela aguardava julgamento. Por ser menor de idade, ele precisava da companhia de um adulto, mas Miguel se recusava a acompanhá-lo, afirmando que Suzane era assassina. Diante da negativa, Andreas passou a ir ao local acompanhado de uma amiga da irmã.>