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Wendel de Novais
Publicado em 8 de junho de 2026 às 08:34
Um investigador da Polícia Civil da Paraíba preso sob suspeita de integrar um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas chegou a ironizar o próprio salário ao justificar sua participação em atividades criminosas. Everton Aires, conhecido como Bomba, é apontado pelas investigações como integrante de uma organização que negociava entorpecentes retirados de operações policiais e mantinha relações com traficantes da região. >
Conversas obtidas durante a investigação revelam que os suspeitos tratavam o comércio ilegal como uma atividade empresarial. Em uma das gravações, divulgadas pelo Fantástico, Bomba reclama da remuneração recebida pelo Estado e afirma que lucrava mais com outras atividades.>
"Eu trago tanto hormônio como suplemento desde 2007. Os 'anabols' [anabolizantes] deixam para mim mais do que o meu salário do Estado. A polícia paga uma merreca", declarou o investigador em um dos áudios.>
Everton Aires zombou de salário da polícia
As apurações indicam que, nos últimos cinco anos, mais de R$ 4 milhões passaram pelas contas bancárias do policial. O valor seria incompatível com sua renda oficial, estimada em cerca de R$ 8,5 mil mensais. Segundo os investigadores, o dinheiro teria origem na comercialização de cocaína, crack e skunk desviados de apreensões realizadas pela própria polícia.>
Em outra gravação, o investigador compara a venda de drogas a qualquer outra atividade comercial. "É o mesmo que você estar vendendo qualquer outra coisa. Só que, em vez de você estar vendendo relógio, você está vendendo droga".>
As declarações chamam atenção pelo contraste com posicionamentos públicos feitos pelo próprio policial. Durante participação em um podcast, ele afirmou que a atuação policial deveria respeitar os limites da lei. "A gente tem que agir dentro da legalidade porque a gente não é milícia", disse na ocasião.>
No mesmo programa, Bomba também comentou sobre o conhecimento que os agentes de segurança costumam ter sobre criminosos investigados. "A gente conhece os vagabundos, a mãe dos vagabundos, o irmão do vagabundo, a avó do vagabundo, onde ele morava, onde ele mora, conhece tudo".>
Para o Ministério Público e a Polícia Civil, porém, a relação do investigador com integrantes do tráfico ia além do trabalho policial. Os órgãos apontam que ele exercia papel de liderança em uma quadrilha especializada na revenda de drogas e na proteção de criminosos procurados pela Justiça.>
Além de Everton Aires, também foram presos o investigador Eduardo Jorge, conhecido como Mão Branca, e o delegado Braz Morroni. Eduardo chegou a receber homenagens na Assembleia Legislativa da Paraíba pelos serviços prestados à segurança pública.>
A investigação teve início em maio de 2025, depois que um traficante denunciou o desaparecimento de uma carga de drogas que teria sido recolhida por policiais civis. A partir das apurações, a Polícia Civil concluiu que parte dos entorpecentes apreendidos não seguia para os procedimentos legais e acabava sendo revendida a outros grupos criminosos.>