Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Wendel de Novais
Publicado em 14 de abril de 2026 às 09:59
O aumento no número de atestados médicos falsos emitidos pela internet já pressiona empresas e levou uma grande rede de varejo no Rio de Janeiro, com cerca de 15 mil funcionários, a criar um sistema interno de combate a fraudes. A dimensão do problema aparece nos números: apenas no primeiro trimestre deste ano, a companhia recebeu 15.828 atestados. Do total, 39 já foram confirmados como falsos, enquanto outros 1.500 seguem sob análise. As informações são do O Globo. >
Dentro da empresa, os documentos passam por um fluxo que inclui registro com assinatura do funcionário e de testemunhas antes de serem encaminhados para um núcleo específico de verificação. A principal etapa da checagem envolve o contato direto com as unidades de saúde responsáveis pela emissão, para validar dados como assinatura médica, vínculo profissional e autenticidade do atestado. >
Caso é investigado pela Polícia Civil
Foi nesse processo que as irregularidades começaram a aparecer com mais frequência. Segundo a diretora do departamento jurídico da empresa, o crescimento foi gradual até se tornar um problema estrutural. “Isso virou uma febre. A gente percebeu que precisava de um olhar específico para esse setor e estruturou uma área só para isso”, afirma a executiva. >
A comparação com anos anteriores reforça a escalada. Em março de 2018, com o mesmo quadro de funcionários, foram registrados 3.436 atestados. Já em março deste ano, o número saltou para 5.276. Um dos episódios mais graves identificados pela empresa envolveu um funcionário que apresentou 11 atestados entre janeiro e março, todos atribuídos a um hospital municipal. Após verificação, os documentos foram considerados falsos. O caso foi levado à polícia, e o trabalhador acabou demitido por justa causa.>