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Suspeito de tentar matar Alana diz que teve 'apagão' e não lembra de ataque com mais de 30 facadas: 'Tentando entender até agora'

Em depoimento à Justiça, acusado relata lapsos de memória, descreve momentos antes e depois do crime e afirma ter sonhado com a vítima ferida no presídio

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 27 de abril de 2026 às 08:34

Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva e Alana Rosa foram ouvidos
Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva e Alana Rosa foram ouvidos Crédito: Reprodução

O depoimento de Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva à Justiça trouxe detalhes da versão do acusado sobre o dia em que Alana Anísio Rosa foi esfaqueada mais de 30 vezes, em 6 de fevereiro, após recusar um relacionamento com ele. Réu por tentativa de feminicídio, ele afirmou durante audiência que não se lembra do momento do ataque e atribuiu a um apagão o que aconteceu.

Alana ficou internada por cerca de um mês e recebeu alta em 4 de março. Já Luiz Felipe permanece preso preventivamente. A primeira audiência do caso ocorreu em 15 de abril, no Fórum Regional de Alcântara, em São Gonçalo. 

Ao ser ouvido, o acusado contou que foi até a casa da jovem e a chamou no portão. Segundo ele, após insistir, conseguiu que ela aparecesse, mas foi rejeitado ao pedir para conversar. "Aí não sei o que aconteceu. Eu pulei no muro e depois eu não lembro mais nada. Não me recordo de mais nada. O único momento que eu me recordo é quando a mãe dela entra em casa, na casa dela", declarou.

Alana Anisio Rosa por Reprodução

Ele disse que voltou a ter consciência já ferido, dentro da casa da vítima. "Ali, naquele momento, aí eu estou ensanguentado, com o braço sangrando, o corpo tremendo, comecei a chorar. Eu falei: 'Perdão, Jade, perdão'. Aí ela: 'Sai daqui, Felipe, sai da minha casa'. Ela foi e me empurrou", relatou.

Depois disso, afirmou que conseguiu retornar para casa, onde conversou com o pai. Em seguida, a mãe chegou acompanhada de uma pastora e iniciou uma oração. O réu diz ter tido outro apagão e acordado já dentro de uma viatura policial a caminho da prisão.

Durante o depoimento, Luiz Felipe também mencionou o objeto que pode ter sido usado no ataque: um canivete pequeno que carregava como chaveiro no bolso. Segundo ele, o canivete era levado para todos lugares que ele ia. 

Mesmo dizendo não se lembrar da agressão, ele afirmou que, após a prisão, teve sonhos com cenas do crime. "Às vezes quando durmo, esses dias dormindo no presídio sonhei com muitas cenas de sangue, a Alana sangrando no chão", disse. Assista:

Em outro trecho, descreveu o dia como normal até decidir procurar a vítima. Disse que estava ansioso e que sentiu uma vontade intensa de vê-la. Após a recusa, afirma que perdeu a memória do que aconteceu em seguida. "A única coisa que lembro é que cheguei em casa e meu pai estava desesperado. Eu disse: 'pai, não sei, acho que machuquei a menina que eu gosto'", contou.

O acusado também relatou crises de ansiedade no presídio, dificuldade para dormir e histórico de acompanhamento psicológico, além de problemas de aprendizado na infância.

Mãe diz que temeu por segurança

A mãe dele, Regiane Sampaio Cabral, afirmou em audiência que não sabia do ocorrido até ser avisada pelo marido, enquanto estava na igreja. "Meu esposo só falou para mim vem para casa, porque Felipe fez alguma coisa", disse.

Segundo ela, ao chegar, encontrou a casa cercada por pessoas revoltadas. "Todos gritavam, queriam fazer justiça com as próprias mãos, levar ele pro tribunal do crime", relatou, afirmando que temeu pela segurança da família. Em casa, encontrou o filho pedindo perdão. A própria mãe quem mandou o marido chamar a polícia, segundo depoimento dela. "Fiquei preocupada com meu esposo do lado de fora, porque uma pessoa falou para mim 'Não tenho filha mulher, porque se estivesse, entraria na casa da senhora e mataria seu filho'. Estava preocupada da minha casa ser invadida". 

Ao longo de mais de duas horas, a audiência ouviu a vítima, familiares, testemunhas, policiais militares e pessoas próximas ao réu, antes do interrogatório final. 

Alana relembra ataque

Alana Anísio Rosa
Alana Anísio Rosa Crédito: Reprodução

Alana foi a primeira a ser ouvida na audiência. Ela contou que conheceu Luiz Felipe na academia, mas os dois não conversavam no local. Depois, começou a receber flores e chocolates anonimamente em casa. "Foram cinco entregas, aí na sexta teve um bilhete falando que era ele. "Mandei mensagem agradecendo, deixando claro que não queria nenhum compromisso, mas muito educada, de forma nenhuma fui grosseira com ele. E ele pareceu aceitar muito bem. Continuei malhando tranquila, no mesmo horário que ele, ele nem falava comigo", recontou. 

No início de fevereiro, Alana mudou o horário que frequentava a academia. Poucos dias depois, aconteceu o ataque. Nos dias anteriores, ela encontrou Luiz Felipe perto de casa duas vezes, mas não estranhou porque imaginava que ele morava próximo e também pela academia ser nas redondezas. No dia do crime, ela negou a versão que foi surpreendida chegando em casa. Antes de ir para academia, voltou a ver o rapaz na rua. Ao voltar da academia, já na residência, escutou um barulho do lado de fora. "Fui ver o que era na porta e assim que eu chego, chego no mesmo tempo que ele", contou, dizendo que Luiz Felipe abriu a porta e ela o viu de frente, identificando rapidamente o rapaz.

Ela não conseguiu ver a arma na mão do rapaz. "Sem falar nada, ele já começa a me agredir. Só vi que ele estava de luvas pretas e pareceu alguma coisa perfurante, porque eu sentia que estava me furando. Ele começou diretamente na minha face e depois no meu pescoço", afirmou. "Eu sentia tudo durante agressão, ele tentava me segurar, em empurrava. Assim que ele começa, eu já caio no chão. Ele não fala nada e continua me agredindo sem parar. Rosto à mostra". 

A chegada da mãe de Alana impediu que o ataque continuasse. "Eu estava só tentando continuar viva, achar um jeito de proteger o que mais importante para que ele não conseguisse me matar. Aí eu virei no chão e fiquei de costas pra ele, e ele continuou a me atacar por trás, onde tenho as feridas nas costas e na cabeça", contou. "Quando minha mãe chegou meu grito já estava perdendo a força, mas ela escutou e veio correndo muito rápido". A mãe tirou Luiz Felipe de cima de Alana. "Aí ele correu e pulou o muro". 

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Alana Anisio Rosa