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Tenente-coronel apagou mensagens do celular com pedido de divórcio da esposa morta após crime

Geraldo Neto desbloqueou aparelho e excluiu conversas da vítima com ele

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 27 de março de 2026 às 08:10

Geraldo Neto é suspeito por morte de Gisele Alves
Geraldo Neto é suspeito por morte de Gisele Alves Crédito: Reprodução

A investigação da Polícia Civil apontou que, após a morte de Gisele Alves com um tiro na cabeça dentro do apartamento em que morava em São Paulo, o tenente-coronel Geraldo Neto, preso sob acusação de ter matado a esposa, desbloqueou o celular da vítima e apagou mensagens entre os dois que estavam no aparelho. Conversas que registravam o pedido de divórcio de Gisele. As informações são go g1.

As últimas mensagens enviadas por Gisele ao marido mostram que ela queria a separação, apesar do oficial dizer contrário para a polícia. “Agora podemos tratar de como vou sair. Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão. Vejo que se arrependeu do casamento, eu também. E tem todo direito de pedir o divórcio, não quero nada seu, como te disse eu me viro para sair, tenho minha dignidade”, escreveu por volta das 23h da noite anterior.

Geraldo Neto é suspeito por morte de Gisele Alves por Reprodução

Segundo a polícia, na manhã seguinte, o telefone foi desbloqueado em diferentes momentos após o tiro. O último acesso registrado ocorreu às 7h58min18s, além de outros desbloqueios às 7h47min29s e às 7h49min24s. O detalhe que chama atenção dos investigadores é que o próprio tenente-coronel acionou o 190 antes disso, às 7h54min58s — quando, segundo a apuração, a vítima já havia sido atingida.

Uma vizinha relatou, no entanto, ter ouvido um único disparo, descrito como forte, por volta das 7h28. A partir desse horário, a linha do tempo construída pela polícia indica movimentação no celular da vítima em momentos posteriores ao tiro. Inicialmente, o oficial sustentou que Gisele teria tirado a própria vida após uma discussão entre o casal. Essa versão foi descartada após laudos periciais apontarem para feminicídio.

No aparelho do tenente-coronel, não havia registros de conversas com a esposa no dia anterior à morte, em 17 de fevereiro. Para os investigadores, a exclusão das mensagens teria como objetivo sustentar a versão apresentada pelo suspeito, de que ele seria o responsável por conduzir o processo de separação — e não a vítima. A linha investigativa aponta que o histórico de conflitos no relacionamento, somado à tentativa de manipular provas, pode ter relação direta com a motivação do crime.

Denúncia de assédio

Após a morte de Gisele, uma policial militar denunciou Geraldo ao Ministério Público. A denúncia envolve acusações de assédio sexual e moral dentro da corporação. Segundo o depoimento, a policial atuou no mesmo batalhão que o oficial entre julho e novembro do ano passado. Nesse período, ela relata que foi surpreendida por uma tentativa de beijo à força dentro da unidade, conseguindo impedir a ação.

Ainda conforme a denúncia, o tenente-coronel costumava chamá-la com frequência para sua sala, sugerindo que o encontro ocorresse com a porta fechada, além de insistir em convites fora do expediente para cafés ou bebidas, sempre com conotação pessoal. A policial também relatou um episódio em que foi levada pelo superior até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ocasião em que teria sido orientada a deixar sua câmera pessoal na viatura.

Gisele Alves Santana por Reprodução

Além disso, segundo ela, o oficial fazia convites com teor íntimo, como propostas para praticar natação e encontros em lanchonetes com o objetivo de criar um "vínculo", iniciativas que foram recusadas. Para tentar se afastar das abordagens, a militar solicitou mudança para o turno noturno. A estratégia, no entanto, não teria surtido efeito. Ela afirma que passou a ser procurada também durante a noite e que o oficial chegou a oferecer "favores", numa tentativa de criar algum tipo de obrigação.

De acordo com o relato, poucos dias após recusar essas investidas, ela acabou transferida de forma involuntária para uma unidade distante de sua residência, medida que interpreta como retaliação. A policial diz que evitou formalizar a denúncia anteriormente por medo de represálias dentro da corporação. A decisão de levar o ocorreu após a repercussão da morte de Gisele e orientação jurídica.

Tags:

Tenente-coronel Feminicídio Geraldo Neto Gisele Alves