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Wendel de Novais
Publicado em 25 de março de 2026 às 07:46
Uma policial militar denunciou ao Ministério Público o tenente-coronel Geraldo Neto, preso sob suspeita de matar a esposa, Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. A denúncia envolve acusações de assédio sexual e moral dentro da corporação. As informações são do g1.>
Em relato encaminhado ao órgão, a militar descreve uma série de investidas consideradas abusivas, incluindo contato físico sem consentimento e convites de cunho pessoal. "Conhecendo o perfil desse homem e tendo sido vítima dele posso afirmar que ele é capaz de tudo", afirmou.>
Segundo o depoimento, a policial atuou no mesmo batalhão que o oficial entre julho e novembro do ano passado. Nesse período, ela relata que foi surpreendida por uma tentativa de beijo à força dentro da unidade, conseguindo impedir a ação. Ainda conforme a denúncia, o tenente-coronel costumava chamá-la com frequência para sua sala, sugerindo que o encontro ocorresse com a porta fechada, além de insistir em convites fora do expediente para cafés ou bebidas, sempre com conotação pessoal.>
Geraldo Neto é suspeito por morte de Gisele Alves
A policial também relatou um episódio em que foi levada pelo superior até a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ocasião em que teria sido orientada a deixar sua câmera pessoal na viatura. Além disso, segundo ela, o oficial fazia convites com teor íntimo, como propostas para praticar natação e encontros em lanchonetes com o objetivo de criar um "vínculo", iniciativas que foram recusadas.>
Para tentar se afastar das abordagens, a militar solicitou mudança para o turno noturno. A estratégia, no entanto, não teria surtido efeito. Ela afirma que passou a ser procurada também durante a noite e que o oficial chegou a oferecer "favores", numa tentativa de criar algum tipo de obrigação, o que novamente foi rejeitado.>
De acordo com o relato, poucos dias após recusar essas investidas, ela acabou transferida de forma involuntária para uma unidade distante de sua residência, medida que interpreta como retaliação. A policial diz que evitou formalizar a denúncia anteriormente por medo de represálias dentro da corporação. A decisão de levar o caso ao Ministério Público, segundo ela, ocorreu após a repercussão da morte de Gisele, quando buscou orientação com uma procuradora de Justiça e se sentiu encorajada a relatar os episódios.>
Depoimento do acusado >
Geraldo Neto afirmou em interrogatório que a dependência financeira de Gisele foi o fator que impediu a separação do casal. Segundo ele, a situação teria sido agravada por dívidas e compromissos financeiros assumidos ao longo do relacionamento. As informações são do g1. De acordo com ele, tanto ele quanto a esposa manifestava o desejo de se separar. No entanto, o processo não avançou porque a mulher não teria condições de se sustentar sozinha nem de manter a filha. >
As conversas sobre o fim do relacionamento teriam ocorrido, segundo o militar, ainda em novembro. O tenente-coronel também declarou que a renda da esposa estava comprometida por empréstimos consignados e bancários. Ele afirmou que os valores teriam sido utilizados para a construção de um imóvel para os pais dela, além de procedimentos estéticos. Ainda conforme o relato, após descontos de dívidas e impostos, restaria à vítima menos de R$ 1 mil por mês. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Na tentativa de manter as despesas da casa, Geraldo disse que transferia mensalmente entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil para a conta da esposa, além de arcar com custos domésticos que, segundo ele, chegavam a aproximadamente R$ 10 mil. O militar afirmou ainda que buscou alternativas para garantir a autonomia financeira de Gisele. Segundo o depoimento, ele teria procurado oficiais da Polícia Militar que atuam junto ao Tribunal de Justiça, na tentativa de conseguir uma vaga para a esposa. >
Sobre a oportunidade, descreveu o posto como “muito concorrido” e informou que a função ofereceria um adicional de cerca de R$ 5 mil. Ainda conforme o interrogatório, a vaga teria sido confirmada no mês de janeiro. A previsão era de que Gisele assumisse o cargo no dia 2 de março, após o carnaval. Com o novo salário, a renda mensal dela poderia chegar a aproximadamente R$ 6 mil, valor que, segundo o acusado, permitiria que ela alugasse um imóvel e passasse a viver de forma independente com a filha. >