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Maria Raquel Brito
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 05:00
A menos de um dia para o início do Carnaval, é hora dos foliões correrem para garantir os últimos ajustes de seus visuais. Pontos não faltam: por toda Salvador, diferentes stands e ateliês atendem centenas de pessoas que desejam estilizar seus abadás de forma 100% personalizada. >
É nesta época do ano que Dijeane Silva, de 46 anos, faz uma renda a mais. Costureira, ela trabalha o ano inteiro em uma loja de roupas de festa na Barra. Quando o Carnaval se aproxima, porém, reúne sua equipe e se volta para as reformas de abadás. Tem sido assim há dez anos.>
Veja onde customizar abadás em Salvador
"A dona do espaço quis colocar [a confecção de abadás] por uns dias em um ano pra ver como seria e acabou sendo sucesso. Montei uma equipe e trabalhei por 8 anos lá. Depois ela faleceu e mudei de local", conta. >
Além de seu próprio ponto, este ano Dijeane está estilizando os trajes carnavalescos na Praça Estação da Folia, espaço do Salvador Shopping que reúne mais de 50 afroempreendedores — que atuam no local oferecendo serviços de customização de abadás e produção de beleza (maquiagem e cabelos). >
A empreendedora diz perceber que os foliões estão ousando mais nos modelos escolhidos. Os preferidos, segundo ela, têm sido croppeds e vestidos. Por lá, os preços dos abadás customizados variam entre R$ 100 e R$ 300. "Depende dos acessórios que gostam e escolhem no espaço. Temos vários modelos disponíveis", diz. >
O período momesco é crucial para o fortalecimento do trabalho de quem atua em estabelecimentos de artigos têxteis e de vestuário, devido à grande procura pela confecção de fantasias e customização de roupas. Sobretudo na capital baiana, que respira Carnaval mais do que qualquer outra cidade brasileira.>
É rumo a Salvador que Milena Costa, 42, parte todos os anos na semana de Carnaval. Moradora de Santo Antônio de Jesus, ela garante logo as entradas para bloco e camarote, e só fica faltando nos últimos momentos o toque final: a customização, feita pelas mãos de seu profissional de confiança, Wilson Santos.>
“Como eu sempre venho no Carnaval, conheci Will e a gente acabou se tornando amigos, além de cliente e costureiro”, conta, com sua latinha de cerveja em mãos, enquanto aguarda o abadá ficar pronto. >
A bebida também é comercializada no ateliê de Wilson, que, por entregar os abadás na mesma hora aos clientes, sempre recebia um pedido extra: que vendesse algo para eles beberem enquanto esperam. “A festa começa já aqui”, define Milena. >
Assim como Dijeane, Wilson tem uma longa história com a reforma das roupas para a folia. No caso dele, a trajetória já passa de dez anos. A um dia do início oficial do Carnaval, o ateliê não tem sossego — ainda bem. >
“O pessoal vem, espera e já sai com o abadá. Hoje em dia estão querendo mais brilho, roupas mais cavadas e decotadas. E os croppeds. Todos os acessórios a gente tem aqui e o cliente só escolhe. Se quer dourado, se quer prata, se quer lantejoula”, detalha. No Ateliê WS, a customização mais básica sai por R$ 100. >
Veterana da folia, a publicitária Ludmila Soares, de 40 anos, aproveita o Carnaval para usar e abusar da criatividade, customizando seus próprios abadás para os blocos em que sai. >
"Resolvi pesquisar nas redes sociais alguns modelos de abadás que não precisassem de costura e escolhi um para fazer igual", conta. O estilo escolhido foi frente única, com aplique de lantejoulas.>
No Shopping Bela Vista, os foliões podem customizar seus abadás em três lojas: Afrocentrados (L2 Asa Norte), Atelier Criart (L1 Asa Sul) e Startei (L2 Asa Sul), esta última com atendimento do estilista Nadson Maimone, conhecido como o “estilista das estrelas”, que oferece desde ajustes simples até looks completos personalizados, com atendimento de 12 a 17 de fevereiro, das 9h às 22h.>
O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador. >