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Engarrafamento na Barra: veja quais trios mais demoraram no Carnaval 2026

Dados oficiais expõem tempos de desfile, picos de fluxo e os blocos que passaram de cinco horas no circuito

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 05:00

Trio do Olodum enfrenta problemas no Circuito Dodô
Trio do Olodum enfrenta problemas no Circuito Dodô Crédito: Reprodução

No Carnaval de 2026 em Salvador, Cláudia Leitte se consagrou como a verdadeira campeã da “matracação”: enquanto alguns trios avançavam rapidamente pelo circuito, os blocos da cantora demoravam mais, entre pausas estratégicas e interações com patrocinadores, transformando cada parada em espetáculo e consolidando seu reinado nos tempos de desfile. Claudinha apareceu duas vezes no top 4 dos desfiles mais demorados, mas ela não foi a única a marcar presença: Ivete Sangalo e Durval Lelys também deixaram sua marca na contagem de horas. O CORREIO teve acesso exclusivo ao documento que relata tudinho de forma detalhada.

Segundo dados oficiais, Salvador ultrapassou 2,3 mil horas de música somando o pré-Carnaval e os dias oficiais da festa. No circuito Dodô (Barra-Ondina), porém, mais do que o volume de apresentações, os números revelam como a dinâmica do desfile se comportou ao longo da semana: quantidade de trios por dia, horários de pico, duração média do percurso e quem, de fato, levou mais tempo para concluir o trajeto.

As informações consolidadas do circuito da Barra mostram que o tempo médio de desfile variou entre 3h23 e 4h06, dependendo do dia. A referência operacional da organização gira em torno de quatro horas a quatro horas e vinte minutos para completar o percurso, com oscilações naturais provocadas por fluxo de público, intercorrências técnicas e paradas estratégicas.

A quinta-feira foi o dia com maior número de atrações: 26 trios desfilaram no circuito. O primeiro saiu às 15h37 e o último iniciou o percurso às 2h23, com encerramento do circuito às 4h41. Apesar do volume elevado, a média de duração foi de 3h23, uma das menores da semana. O desfile mais longo do dia foi o do Bloco da Quinta, de Bell Marques, com 4h09. A distribuição de trios se concentrou principalmente entre 18h e 23h, faixa em que o circuito registrou maior densidade de atrações simultâneas, mas sem ultrapassar de forma significativa o tempo previsto.

Bloco Largadinho de Claudia Leitte por Reprodução/Quero Abadá

Na sexta-feira, foram 19 atrações, com tempo médio de 3h50. O primeiro trio saiu às 16h01 e o circuito foi encerrado às 3h47. O desfile mais longo do dia, e um dos maiores de toda a semana, foi o do Blow Out, de Cláudia Leitte, que levou 4h55 para concluir o trajeto. O pico de concentração ocorreu entre 21h e 0h, quando o número de trios no Barra-Ondina chegou a dois dígitos por faixa horária.

O sábado registrou 18 atrações, com média de 4h04. O primeiro trio iniciou às 13h59 e o circuito foi finalizado às 3h12. O desfile mais longo foi o do bloco Coruja, de Ivete Sangalo, com 5h12. A maior concentração de trios se manteve entre 19h e 23h. Mesmo com fluxo intenso, a média por horário apresentou queda gradual na madrugada, indicando maior fluidez no deslocamento dos últimos trios.

Na segunda-feira, também com 18 atrações, o circuito apresentou a maior média diária da semana: 4h06. Foi justamente o dia da confusão entre Bell e o Gandhy, além da treta envolvendo Daniela Mercury e Psirico no Farol. Mesmo assim, o campeão no dia mais caótico da Barra foi Durval Lelys, com o bloco Me Abraça, que levou 5h30 para completar o percurso. Os dados mostram que os desfiles iniciados entre 14h e 18h apresentaram médias superiores a 4h30, sugerindo maior retenção no início do fluxo, com melhora progressiva ao longo da noite.

Já na terça-feira e último dia, 23 atrações estiveram na festa. O desfile mais longo do dia foi o do bloco Largadinho, de Cláudia Leitte, com 4h50. Assim como nos demais dias, a maior concentração de trios ocorreu entre o início da noite e a meia-noite, enquanto as médias caíram nas faixas mais tardias.

Considerando os dados consolidados da semana, os maiores tempos individuais ficaram com Me Abraça (5h30), Coruja (5h12), Blow Out (4h55) e Bloco Largadinho (4h50). Ou seja: Claudinha Leitte foi a campeã da matracação, pois a demora não quer dizer que cantou mais tempo. Na verdade, é o contrário, pois a cantora parava por mais tempo nos camarotes de TV para conversa prolongada, além de vender as marcas dos patrocinadores em locais estratégicos. Isso é um dos fatores decisivos no engarrafamento do circuito.

Apesar das variações, os números indicam que nenhum desfile extrapolou de forma expressiva o tempo previsto pela organização, mesmo diante de intercorrências. Houve registros de troca de cavalinhos (cabines que tracionam os trios), do bloco de Bell, necessidade de remoção de veículos com guincho e apoio da Polícia Militar e do Esquadrão Águia para garantir a continuidade do fluxo, que foi o caso do Olodum. Também foram monitoradas situações envolvendo cordeiros e ajustes operacionais para evitar retenções mais prolongadas.

O domingo foi, sem dúvida, o dia com mais demora no fluxo. Só o Olodum, que teve seu trio parado, ficou 6h39 minutos no circuito. Aí foi uma bola de neve, pois Bell acabou completando em 6h16. Daniela, que pretendia ganhar na Justiça o direito de sair primeiro, fez o menor tempo: 4h51. Se ela tivesse ido primeiro…

“Eu não gosto de apontar determinados blocos ou artistas como ‘campeões de matracação’. Inclusive, há casos em que um mesmo artista ou bloco realiza um percurso em um determinado tempo em um dia e, no dia seguinte, faz esse mesmo percurso em um tempo menor. Isso mostra como essa dinâmica varia bastante”, afirmou Márcio Sampaio, diretor de Eventos e Festas Populares da Saltur.

Segundo ele, o volume de público é um dos fatores determinantes para a variação no tempo de desfile. “A própria quantidade de pessoas nas ruas impacta diretamente no fluxo. Este ano, por exemplo, tivemos dias com mais de um milhão e setenta mil pessoas no circuito Barra-Ondina, o que naturalmente dificulta o andamento”, pontuou.

A estratégia da organização para reduzir retenções é conhecida pela sigla FFF: Fazer o Fluxo Fluir, com acompanhamento permanente do circuito e intervenções rápidas em caso de imprevistos. Paradas para transmissões televisivas também são alinhadas previamente, com compensações posteriores no deslocamento do trio.

Os dados reforçam que o Carnaval da Barra opera dentro de uma margem relativamente estável de duração, mesmo com diferenças entre dias de maior ou menor volume. O tempo do desfile é resultado de uma equação que envolve planejamento, densidade de público, logística operacional, transmissões ao vivo e eventuais falhas técnicas.

Se há um consenso possível, é que o tempo do Carnaval não é o do relógio, e sim o da multidão. Entre imprevistos técnicos, estratégias de transmissão e a própria dinâmica da festa, medir quem enrola mais talvez diga menos sobre os artistas e mais sobre a complexidade de colocar milhões de foliões para dançar no mesmo compasso. Mas que os artistas gostam de dar uma enrolada, isso gostam.

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Carnaval 2026