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Entorses e fraturas lideram atendimentos ortopédicos no Carnaval; veja como se prevenir

Cuidados vão desde alimentação, sono e hidratação até exercícios de mobilidade antes da festa

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 05:00

Módulo de saúde no Carnaval
Módulo de saúde no Carnaval Crédito: Jefferson Peixoto/Secom

Um só pulo errado e todo o seu Carnaval pode ser comprometido – além do sofrimento dias após a folia. Pode parecer exagero, mas deve ser uma preocupação importante: as principais ocorrências ortopédicas no período momesco são relacionadas a traumas e sobrecargas, o que envolve inclusive outros cuidados com o corpo e infecções oportunistas.

Entorses de tornozelo e joelho; quedas com fraturas de punho, antebraço e clavícula, além de contusões e lesões musculares respondem pelos atendimentos de ortopedia mais frequentes no Carnaval. A informação é do diretor médico do Hospital Ortopédico, unidade administrada pelo Einstein Hospital Israelita na Bahia, Roger Monteiro.

Tal qual uma pessoa que pratica atividade física deve fazer exercícios de mobilidade antes de começar, essa é uma recomendação também para aguentar as longas caminhadas do circuito. por Freepik

“Também são frequentes quadros de dor lombar, dor nos pés e inflamações em tendões, sobretudo em pessoas que passam longos períodos em pé ou caminham muito mais do que estão acostumadas. Os membros inferiores são, de longe, os mais afetados", explica Monteiro.

Para quem não tem preparo físico, a maratona carnavalesca pode trazer um estresse maior ao corpo. O diretor médico alerta que ficar mais de quatro a seis horas seguidas em pé, além de caminhadas muito mais longas do que as rotineiras podem representar um peso maior para músculos e articulações. Monteiro explica que não há um número único ou máximo de horas ou de quilômetros que podem ser percorridos de forma segura no Carnaval.

“O limite varia de acordo com o condicionamento físico, o peso corporal, o tipo de calçado e o histórico prévio de lesões. Sinais de alerta incluem dor progressiva que não melhora com pausas curtas, sensação de peso excessivo nas pernas, inchaço, rigidez articular e alteração na forma de caminhar".

No ano passado, os módulos de saúde espalhados pelos circuitos fizeram 4.859 foliões, durante os seis dias oficiais de festa, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Por isso, alguns cuidados devem ser tomados para chegar aos dias de festa em boas condições.

São medidas que devem ser adotadas antes e durante a folia, como lembra a médica e professora da Afya Salvador Adriana Lessa. Algumas recomendações são já conhecidas: dormir bem nos dias anteriores, evitar pular refeições e hidratar-se com regularidade (ou seja, não apenas nos momentos de sede).

“Água é um ‘combustível’ importante. Como regra geral, a ingestão deve ser de 30–35 ml por quilo, ao dia. Em dias de muito calor, quando estiver ingerindo álcool e com aumento do esforço físico, é recomendado aumentar 500 ml a um litro de água, além do que a pessoa já consome", pontua Adriana, que lembra que é possível intercalar com água com água de coco ou isotônico.

Preparação

Como uma maratona envolve cuidados com a alimentação, é muito importante evitar ou reduzir o consumo de comida crua ou mal cozida. A médica Adriana Lessa recomenda também alguns alimentos para a lista dos que devem ser evitados: maionese, carnes expostas ao calor e lanches com aparência duvidosa ou mal armazenados.

Bebidas alcoólicas em excesso são um problema porque provocam desidratação e queda na imunidade.

A higienização dos alimentos nos circuitos pode ser um desafio, então, os foliões devem escolher bem o que comer. Comidas quentes e feitas na hora são ideais, mas gelo de procedência desconhecida deve ser evitado. De acordo com Adriana, não há fórmula mágica para evitar viroses, mas esses cuidados ajudam. “Lave as mãos com frequência ou use álcool gel para fazer a higiene, evite compartilhar copos, latas e garrafas; hidrate-se bem. A imunidade depende de uma boa hidratação", enfatiza.

Além disso, tal qual uma pessoa que pratica atividade física deve fazer exercícios de mobilidade antes de começar, essa é uma recomendação também para aguentar as longas caminhadas do circuito. De acordo com o diretor médico do Hospital Ortopédico, Roger Monteiro, rotações de tornozelo, elevação de calcanhares, agachamentos leves e exercícios de mobilidade de quadril são simples, além de rápidos e eficazes. A orientação dele é priorizar movimentos dinâmicos e evitar alongamentos estáticos prolongados.

A escolha dos calçados também faz diferença e é importante priorizar conforto e estabilidade. Assim, tênis com bom amortecimento, solado firme e suporte adequado ao arco do pé são as melhores opções. O diretor do Hospital Ortopédico lembra que os modelos destinados à caminhada ou à corrida oferecem melhor proteção do que sapatos muito flexíveis ou macios em excesso. Sandálias, ‘rasteirinhas', saltos e calçados sem boa fixação, por outro lado, aumentam o risco de entorses e quedas, especialmente em pisos irregulares ou molhados.

Além disso, o esforço repetitivo de sair todos os dias, sem garantir um tempo adequado de recuperação, pode elevar as chances de desenvolver tendinites, fascite plantar, sobrecarga nos joelhos e quadris, além de dores musculares persistentes.

“Do ponto de vista da saúde ortopédica, intercalar dias de maior intensidade com dias de descanso ou de atividade mais leve é mais seguro, especialmente para quem não tem rotina regular de exercícios. O descanso permite a recuperação de músculos, articulações e tendões e reduz o risco de lesões que podem se manifestar ou se agravar após o período da festa", alerta Monteiro.

O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.