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Gilberto Barbosa
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 23:06
Já passavam das 17h quando a primeira ala de mascarados passou em frente à sede do Olodum, no Pelourinho. Entre homenagens à diversas figuras, incluindo o falecido artista Jayme Figura, o grupo dava o pontapé inicial em um dos momentos mais importantes do Carnaval de Salvador: a saída do bloco afro, na tarde de sexta-feira (13). Entre os convidados, o destaque ficou para os cantores Caetano Veloso e João Gomes, que soltaram a voz durante a apresentação. >
O momento marca o início da jornada carnavalesca do bloco. Com o tema, “Máscaras Africanas - Magia e Beleza”, o desfile reuniu percussionistas, cantores, dançarinos e alas temáticas. Assinado pelos artistas Cássio Caiazzo e Erick Simões, o figurino foi inspirado em diferentes máscaras africanas, que representam a grandeza dos reinos daquele continente.>
O eletricista Ítalo Oliveira, 32 anos, foi com a família acompanhar a apresentação. Ele chegou cedo e garantiu um lugar na primeira fila. “Sempre acompanhamos as apresentações do Olodum, seja aqui, na Barra ou na Avenida. Esse é um momento importante porque a banda é um manifesto cultural e reflete o nosso dia a dia enquanto pessoas pretas. Para nós, é muito importante estar aqui”, exaltou.>
Depois do primeiro grupo, as alas de dançarinos tomaram conta da rua. Logo depois, a bateria do Olodum assumiu o comando da apresentação. Eles foram acompanhados por figuras ilustres como Caetano Veloso, João Gomes e Lazzo Matumbi.>
Desfile do Olodum homenageia realeza africana
João não tinha ido para o Pelourinho à toa. Durante o show, ele foi para a sacada da Casa do Olodum, onde dividiu o microfone com os cantores Nazinho e Lucas Di Fiore, cantondo sucessos como “Várias Queixas” e “Doce Mel”. Caetano e Lazzo também foram convocados e soltaram a voz para os presentes.>
O servidor público Gabriel Pires, 52, acompanha o grupo desde a infância. Para ele, a saída da sexta-feira representa uma parte essencial do seu Carnaval. “Eu venho desde muito tempo. Sempre estou aqui para a saída e parto para o Campo Grande depois. É uma tradição muito forte e não vir representaria uma falta muito grande. O Olodum está encarnado em mim, é a essência do meu Carnaval e se eu não estiver aqui, não tem folia para mim”, falou>
Outro que tem uma tradição de anos com a banda é o professor universitário Emerson Tadeu, 40. Natural de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, ele costuma passar a folia em Salvador e tem a saída da banda como parada obrigatória.>
“Acho a partida do Olodum a cara do Carnaval de Salvador. É um ritmo que mostra a Bahia para o mundo e acho belíssimo. Acho importantíssimo estar aqui e presenciar essa saída linda do bloco. É uma energia contagiante, que você se arrepia quando escuta o batuque de longe e que fica ainda mais forte quando você se aproxima. A história da banda é muito forte e de muita resistência, em especial para a população da Roma Negra, que é Salvador”, afirmou.>
O evento terminou às 19h e a banda partiu em direção ao Circuito do Campo Grande, onde saíram com o trio elétrico às 21h. A semana do Carnaval ainda reserva outros dois desfiles para o Olodum: no domingo (15), no Circuito Dodô (Barra-Ondina), às 15h, e na terça-feira (17), no Circuito Osmar (Campo Grande), às 12h.>
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