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Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 05:30
Decorridos mais de 300 anos desde a publicação da enciclopédia de Diderot e D’ Alembert, o impacto do uso da Inteligência Artificial (IA), pode nos fazer concluir que agora boa parte do conhecimento acumulado pelo Homem está literalmente ao alcance das mãos. >
Estimulados por frases convidativas como: “Pergunte-me alguma coisa”, presente em uma das plataformas de IA mais populares, adultos, jovens e crianças se lançam nas mais variadas perguntas, que vão desde os resultados da loteria federal até quais informações mais relevantes para aprovação no recente Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM.>
Certamente um dos fatores que, desde a era do iluminismo, fez com que a enciclopédia lançada em 1751, na França, se transformasse um item desejado e difundido em larga escala, foi a abrangência dos conhecimentos nela contido. Esse aspecto torna as plataformas de Inteligência Artificial primas distantes das conhecidas enciclopédias de outrora.>
Ao longo de três séculos, principalmente no ocidente, a produção livresca gerou um crescente e diversificado número de enciclopédias, contribuindo para que esse gênero escrito virasse parte integrante de muitos lares, inclusive no Brasil. Tendo uma dupla função: a objetiva, ligada a consulta para pesquisas estudantis e a simbólica: ligada a valorização/legitimação do saber letrado.>
Por essas razões, até aproximadamente a década de 90 do século XX, era comum a presença imponente daqueles livros de grande porte, geralmente produzidos em capa dura, na estante da sala de algumas famílias. Obras sempre à vista e ao alcance de todos, como um silencioso recado.>
Agora, quando o século XXI desponta como tempo de difusão e popularização dos dispositivos de acesso à internet, praticamente ignorando as clivagens que estabelecem as camadas sociais, a dita Inteligência Artificial oferece não apenas conhecimentos aparentemente mais precisos que os livros, como também performa e executa tarefas, até então tipicamente humanas. Nessa senda, por exemplo, as variadas modalidades de pesquisas estudantis materializadas em resumos, resenhas e fichamentos, que antes demandavam dos discentes a leitura, coleta e síntese de conhecimentos obtidos em vários livros, dentre eles as enciclopédias, são rapidamente produzidas e entregues.>
Realidades novas, que por sua vez, tencionam sobretudo os docentes, atores ativos de instituições secularmente estabelecidas.>
Por outro lado, para os sujeitos do século XXI, ávidos consumidores das novas modalidades de enciclopédia, o alerta do escritor brasileiro Rubem Alves, ainda é válido: a utilização de ferramentas novas e delas fazer bom uso, carece de saber pensar.>
*Cléber César da Silva Barbosa é doutorando PGEDU/FACED e coordenador Pedagógico da Rede Estadual da Bahia>