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Antônio Meira Jr.
Publicado em 4 de maio de 2026 às 15:00
Por alguns anos, a Renault obteve êxito em volume de vendas no mercado brasileiro com produtos da Dacia, uma montadora romena controlada pelo grupo. Dela, os franceses venderam, com a sua marca, modelos como Sandero, Logan e Duster, por exemplo. >
Porém, desde o final de 2023, com o lançamento do Kardian, a companhia mudou o foco no país. A estratégia é oferecer veículos com maior valor agregado. Nessa fase, apresentou o Boreal - SUV que concorre na mesma categoria do Toyota Corolla Cross e do Volkswagen Taos.>
Agora, a Renault vem para a aposta mais arriscada dessa fase de reposicionamento: lançou o Koleos. É um SUV híbrido pleno, que não depende de recarga externa, mas custa R$ 289.990 e é rival de veículos como GWM Haval H6, Jeep Commander e Volkswagen Tiguan. >
Ostentando o novo design global da marca, ele desembarca no país importado da Coreia do Sul em versão única, a esprit Alpine, que corresponde à topo de linha. Para se distanciar da imagem do Sandero, a Renault recheou muito bem o novo SUV. O acabamento externo pode ter até pintura fosca, caso o cliente opte por pagar mais R$ 3.500 cobrados pelo Cinza Satin. Além disso, existem detalhes na cor azul, em alusão à marca esportiva Alpine, que pertence ao grupo francês e dá nome à equipe de Fórmula 1.>
Ao abrir a porta, bons materiais, boa montagem e muita tecnologia aparente - em resposta direta aos rivais chineses. O Koleos tem três telas frontais de 12,3 polegadas cada: quadro de instrumentos, central multimídia e uma tela dedicada ao passageiro da frente - o motorista não consegue ver o que é transmitido nela. Se o motorista não quiser olhar para o quadro de instrumentos, pode acompanhar a velocidade e outros dados por meio de um head-up display, que projeta as informações acima do capô.>
Renault Koleos 2027
O sistema de som é fornecido pela Bose, conta com 10 alto‑falantes e cancelamento ativo de ruído. Os ocupantes ficam bem acomodados nos bancos com acabamento de couro e Alcântara, um tipo de camurça. Bancos dianteiros possuem ajustes elétricos e o do motorista tem três memórias, eles podem ser aquecidos ou refrigerados. Quem viaja atrás consegue desfrutar do teto solar panorâmico e usufruir da saída de ar dedicada.>
Por meio de um aplicativo para smartphone, é possível refrigerar a cabine previamente, destravar as portas remotamente e checar a autonomia de combustível. É possível conferir a pressão dos pneus e até verificar a temperatura de cada um deles.>
É também um veículo que conta com diversos equipamentos de auxílio à condução, que incluem desde o monitoramento do ponto cego até a frenagem automática de emergência. A cabine tem sete airbags: dois frontais, dois laterais, dois de cortina e um entre os bancos dianteiros.>
BASE E PROPULSÃO>
A produção coreana é fruto de uma parceria com a Geely, também sócia da Renault no Brasil. Isso explica o uso da plataforma CMA, que também é aplicada em modelos da Volvo - empresa controlada pelo grupo chinês. Já o conjunto motriz é o mesmo do Geely EX5 EM-i, lançado recentemente no país. A diferença é que o Renault não necessita da recarga externa.>
O motor 1.5 litro turbo a gasolina entrega 144 cv e 23,3 kgfm de torque. Já o elétrico contribui com 136 cv e 32,6 kgfm. No conjunto, que não reflete a soma direta, são 245 cv. Na prática, o desempenho é muito bom. O Koleos é ágil e não transmite sensação de falta de força, mesmo sendo um SUV grande e pesado (1.804 kg).>
Todo o sistema é gerenciado por uma transmissão automática de três marchas. Na condução normal, ela praticamente não se faz notar, lembrando um CVT. Isso acontece porque o motor elétrico assume protagonismo, enquanto o motor a combustão atua como suporte e gerador de energia para a bateria de 1,64 kWh.>
O consumo urbano não surpreende como em outros híbridos, mas é eficaz. A média urbana ficou em 13 km/l e a rodoviária em 12 km/l.>
CONSIDERAÇÕES FINAIS>
O Koleos se destaca pelo acabamento, qualidade de construção, dirigibilidade e pelo espaço interno. É o melhor produto que a Renault ofereceu no Brasil nas últimas duas décadas. Mas é preciso que a companhia faça um profundo ajuste na sua rede de revendedores.>
A empresa está mudando os produtos, mas não está adequando os locais onde eles são vendidos. A operação brasileira da marca é sustentada por concessionários que se acostumaram a vender modelos populares e ainda não compreenderam essa nova fase.>