Darino Sena: 2016 já começou

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Publicado em 20 de outubro de 2015 às 04:31

- Atualizado há 10 meses

Independentemente do desfecho, e tomara que seja feliz para ambos, 2015 não foi um ano tranquilo nem para o Bahia e nem para o Vitória. Nossos clubes sofreram porque pecaram na montagem dos elencos. E isso tem muito a ver com o atraso no planejamento para a atual temporada. Agora tem que ser diferente: 2016 precisa começar mais cedo.

Bahia e Vitória só passaram a se preocupar com 2015 a partir de dezembro do ano passado. Foi quando anunciaram, respectivamente, os diretores de futebol Alexandre Faria e Anderson Barros. O tricolor até tem uma justificativa para o atraso. O presidente Marcelo Sant’Ana só assumiu o cargo naquele mês. O calendário eleitoral do clube deveria mudar pra evitar esse impacto negativo na gestão.

Faria e Barros começaram a mapear o mercado com atraso. Em meados de dezembro, os times mais endinheirados e, portanto, mais sedutores, já tinham definido seus alvos. Restavam poucas opções para a dupla Ba-Vi. Nossos clubes não podem se dar ao luxo de concorrer de igual pra igual com os mais ricos. Precisam se antecipar a eles.

Mesmo com esse cenário, Alexandre Faria ainda conseguiu montar um time competitivo pro nível técnico do primeiro semestre: foi campeão Baiano e vice do Nordeste. Anderson Barros, nem isso: caiu nas quartas do estadual, na semi do regional e foi eliminado pelo ASA de Arapiraca na Copa do Brasil.

Mas a Série B chegou pra escancarar as fragilidades do Bahia. O início irregular forçou novas contratações. Vieram Adriano Apodi, Marlon, Alexandro, Cicinho, Jaílton, Hayner, João Paulo Penha e Eduardo. Não resolveram. Numa segunda leva, mais tarde, chegaram Gustavo, João Paulo, Paulinho Dias e Roger. Ainda assim, a sete rodadas do final, o time ainda não inspira confiança, apesar do início promissor de Charles, no sábado. O tricolor teve uma atitude diferente na vitória sobre o Oeste. Que seja regra a partir de agora, e não exceção.

Com o planejamento atrasado, Anderson Barros errou em boa parte das escolhas que fez. Gente como Jorge Wagner, Dakson, Neto Baiano e Saimon chegou e não disse a que veio. Com poucas opções no mercado, o jeito foi manter a base rebaixada no ano anterior, especialmente na defesa: Nino Paraíba, Euller, Kadu e Edinei eram titulares. Essa mescla decepcionou, mas Barros teve a chance de se redimir na Série B. Mantido pelo novo presidente, Raimundo Viana, o diretor trouxe Diogo Matheus, Diego Renan, Guilherme Matis, Kanu e Pedro Ken. Barros contratou ainda Vagner Mancini. O novo técnico deu continuidade ao bom trabalho de transição feito pelo interino Wesley Carvalho. Mancini firmou um padrão e recuperou o futebol de Escudero e de reforços que não vinham rendendo, como Amaral, Elton e Rhayner. Os ajustes deixaram o Vitória a meio passo da Série A.

Por um 2016 mais regular, a dupla Ba-Vi já tem que ter agora respostas para algumas perguntas. Quais jogadores merecem ficar? Quem tem que sair? Quais garotos da base vão subir? Quais as posições mais carentes? Os técnicos serão mantidos? Que jogadores no mercado interessam e são compatíveis com o potencial de investimento?

No Vitória, a situação é bem mais cômoda pra projetar 2016. Os atuais 95% de chance de subir dão ao clube um forte poder de barganha na antecipação por reforços – a quase certeza de disputar a Série A. Há também a definição interna sobre a continuidade das duas peças mais importantes no organograma do futebol – Vagner Mancini e Anderson Barros. Eles só saem se receberem propostas irrecusáveis de outros clubes.

No Bahia, as coisas ainda não são tão claras. A Série A em 2016 é uma possibilidade real, mas ainda longe de ser uma certeza. Se não subir, Charles vai mesmo continuar? Diante dos equívocos nas contratações de 2015 (foram 22), Alexandre Faria merece ficar? Apesar dessas dúvidas, o tricolor não pode retardar decisões importantes sobre a próxima temporada. Nem o Vitória. O ano de 2016 já começou.