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Clara Albuquerque
Publicado em 10 de abril de 2018 às 05:00
- Atualizado há 3 anos
“Não estava nos meus melhores dias tecnicamente. Errei passes bobos e finalizações que não costumo errar. Não estava bem nessa questão técnica. Mas troquei a técnica pela raça”. “Foi uma das minhas piores partidas, não consegui me movimentar, nem finalizar”. “Perdi a cabeça, dei uma porrada. Não sou disso, mas o temperamento foi esse. Tento me controlar, mas tem partidas que infelizmente isso acontece, dependendo do lance. É complicado passar pelo que aconteceu hoje".>
As três análises, em entrevistas pós-jogos, foram feitas por um jogador que acaba de completar 21 anos, que jogou quartas de final de Liga dos Campeões pela primeira vez e que teve sua primeira derrota na Premier League desde que chegou à Inglaterra: Gabriel Jesus. A primeira, após a vitória, na raça, da Seleção Brasileira, com gol dele, sobre a Alemanha. A segunda depois de perder para o Liverpool, por 3x0, em sua primeira vez em Anfield, e a última, na derrota com direito a virada do Manchester United sobre o City.>
Os números de Gabriel são muito bons, em especial, por se tratar do seu segundo ano na Europa e também por sua idade. Há pouco mais de 5 anos, o atacante jogava no futebol de várzea de São Paulo. Um futebol para “marmanjos”, termo utilizado e traduzido como homens duros, segundo a imprensa inglesa. Desde que se juntou aos citizens, são 19 gols e 10 assistências, em pouco mais de um ano, e com duas lesões no período.>
Os gols e assistências são relevantes, mas Gabriel tem mostrado uma evolução importantíssima de maturidade e consciência, características normalmente ressaltadas por aqui por serem muito diferentes entre jogadores europeus e brasileiros. A análise, claro, é reflexo do ambiente em que vivem e das oportunidades que foram dadas a cada um. Exemplinho rápido: no ano passado, o goleiro Donnarumma, visto como herdeiro de Buffon na Itália, causou alvoroço no país ao não se apresentar para as provas de conclusão do que seria o ensino médio no Brasil (uma espécie de vestibular) e, por isso, recebeu até uma carta pública da ministra da educação da Itália.>
Muito mais do que no Brasil, jogadores por aqui são esperados e cobrados a ter uma consciência além do “conseguimos os três pontos e o gol foi importante” e parece claro que Gabriel Jesus entendeu isso. Provavelmente, por influência do próprio Guardiola, tem mostrado uma evolução não só em campo, mas também no entendimento de suas atuações e, possivelmente, do futebol. O técnico catalão é famoso pela obsessão com o jogo e por tornar seus jogadores mais inteligentes durante os 90 minutos.>
Aos 21 anos, é claro que Gabriel não está pronto. O camisa 9 da seleção brasileira ainda tem muita margem para crescimento, mas tem mostrado que vai aprender com as experiências (boas e ruins). Ponto pra seleção brasileira.>
Às Claras O City de Gabriel Jesus entra em campo hoje diante do Liverpool para tentar reverter o resultado de 3x0 do primeiro jogo. O brasileiro foi titular na ida, a partida que foi uma de suas piores, como ele mesmo falou, mas deve começar no banco com o retorno de Agüero. A terça também será palco de mais um confronto entre Alisson x Messi. Na quarta, tem outros dois brasileiros tentando uma virada espetacular: Alex Sandro e Douglas Costa pra cima do Real Madrid.>
Clara Albuquerque é jornalista e correspondente na Europa.>