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Violência desmente 'boa fase' da Bahia

O governo precisa urgentemente discutir o desgaste das forças policiais, a inteligência integrada entre estados e União e a política de enfrentamento às facções

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  • Editorial

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 05:30

O início de 2026 tem sido marcado por episódios que reforçam a sensação de insegurança na Bahia, especialmente entre aqueles que deveriam ser justamente os responsáveis por proteger a população. Entre janeiro e o início de fevereiro, três policiais militares foram mortos no estado, além de novos confrontos armados com saldo elevado de mortos em Salvador. Ainda assim, o discurso oficial insiste em pintar um cenário de normalidade e até de melhora na área da segurança pública.

A morte do cabo Glauber Rosa Santos, de 42 anos, baleado na cabeça no Vale das Pedrinhas logo após descer de uma viatura, simboliza o nível de risco enfrentado diariamente pelos agentes. O policial, descrito por colegas como comprometido e respeitado, deixou dois filhos pequenos.

O crime desencadeou uma operação no Complexo do Nordeste de Amaralina que terminou com oito mortos. Seis deles com histórico criminal, segundo a Secretaria de Segurança Pública. O confronto, que deixou dezenas de cápsulas espalhadas e paralisou o transporte público na região, expõe o grau de domínio territorial que facções ainda exercem em áreas da capital.

Antes disso, o capitão Osniésio Pereira Salomão havia sido morto durante uma tentativa de assalto na Avenida Contorno, em Salvador. Já no interior, em Santaluz, o policial Eduardo César do Nascimento Filho foi assassinado durante perseguição a criminosos. Três mortes de policiais em pouco mais de um mês são mais do que estatística: são sintomas de um ambiente onde o enfrentamento ao crime segue sendo feito sob pressão permanente, sem que haja sinais claros de redução estrutural da violência.

Diante desse cenário, causa estranheza a narrativa do governador petista Jerônimo Rodrigues que a Bahia vive uma “boa fase”. O estado acumula anos consecutivos entre os líderes nacionais em homicídios e continua registrando episódios de violência que impactam diretamente a rotina da população, desde interrupção do transporte até fechamento de serviços e medo constante em bairros inteiros.

O problema não é apenas operacional, mas estratégico. Falta transparência sobre metas, indicadores e resultados efetivos das políticas de segurança. O debate público ainda gira em torno de operações pontuais e respostas emergenciais, enquanto o crime organizado mantém capacidade de recrutamento, financiamento e controle territorial.

O governo precisa urgentemente discutir o desgaste das forças policiais, a inteligência integrada entre estados e União e a política de enfrentamento às facções. Sem isso, o ciclo tende a se repetir: violência, operação, mortes, luto e nenhuma mudança estrutural. Governar exige reconhecer problemas, não negá-los.