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Pombo Correio
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 05:00
O caso do senador Angelo Coronel, que foi, na prática, descartado da chapa petista, fez cair por terra de vez o discurso de que o PT valoriza os aliados. Após mais de um ano de fritura pública pelos petistas, Coronel acabou anunciando recentemente que sairia do PSD para disputar a reeleição, uma vez que a chapa governista será mesmo a chamada puro-sangue, com o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa, todos do PT. A situação deixou exposto que os petistas só valorizam os aliados quando atende aos interesses do partido, mas descartam quando acreditam que os colegas já não servem mais. Outros antigos aliados já passaram por isso, como a deputada Lídice da Mata (PSB), tirada da chapa em 2018, e o deputado João Leão (PP), que, em 2022, foi convidado a se retirar do grupo, assim como Coronel foi agora. Como bem disse um observador da política baiana nesta semana: o PT só coça pra dentro! >
Nova disputa>
A saída de Coronel da chapa abriu agora uma nova disputa: a posição de vice-governador na chapa de Jerônimo. Embora o MDB defenda a permanência de Geraldo Júnior, a situação está longe de uma conclusão. Nesta semana, o Avante iniciou movimentos para indicar o ex-deputado Ronaldo Carletto para a posição. Em conversas reservadas, deputados dizem que esta pode ser uma nova disputa entre Rui e Wagner, visto que o ministro tem sido fiador do Avante e Wagner quer a permanência do MDB na chapa. >
Erro fatal>
Apesar de publicamente minimizarem a ida do senador Angelo Coronel para a oposição, integrantes da base governista admitem, em conversas reservadas, que há, sim, uma preocupação no ar com os desdobramentos da ruptura, considerados imprevisíveis. Na avaliação deles, o momento eleitoral exige dos líderes do grupo gestos para unificar, ampliar a aliança, e não para dispersar, como, também na avaliação deles, a chapa puro-sangue provoca. Dizem ainda que ignorar a capilaridade política de Coronel no interior pode ser um erro fatal.>
Apoio constrangido>
Com a decisão irreversível de Coronel, o senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, tratou de mobilizar prefeitos e lideranças do partido para irem às redes sociais declarar lealdade ao seu comando partidário, numa tentativa de isolar o agora ex-aliado. Nessas circunstâncias, o apoio a Otto veio cercado de um evidente constrangimento, afinal de contas muitos ali também nutrem relações com Coronel, sem quem o cenário pintado pelos governistas de um modo geral fica ainda mais árido que o que se previa para este ano. Além disso, ficou uma pergunta incômoda no ar: se Otto foi capaz de agir assim com um amigo de quatro décadas e senador da República, o que não poderia fazer com prefeitos de peso político bem menor? Para muitos, Coronel foi forçosamente convidado a se retirar porque teve a cabeça entregue numa bandeja à chapa puro-sangue em troca de uma vaga para o filho de Otto como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).>
Não desiste>
Enquanto isso, integrantes da base governista voltaram a comentar nesta semana que o ministro Rui Costa ainda segue alimentando a especulação de que ainda pode disputar o governo no lugar de Jerônimo. Aliados mais próximos de Jerônimo chegaram a comentar que, com a saída de Coronel, o problema de composição da chapa estaria resolvido e, por isso, fazem críticas a Rui por alimentar a conversa. O fato é que o ministro, segundo se comenta na base, já avisou que até a convenção tudo pode mudar. Inclusive nada. >
Falta de prioridade>
Uma situação ocorrida no município de Rio do Pires evidencia a falta de prioridade do governo na área de segurança hídrica. Prometida há mais de cinco anos, a Barragem do Rio da Caixa, considerada fundamental para o desenvolvimento da cidade e da região, está com obras atrasadas, o que vem gerando revolta de lideranças locais. Até mesmo aliados de Jerônimo não param de reclamar.>
Hostil>
Pela primeira vez na história recente da abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa da Bahia o governador não incluiu na agenda uma coletiva de imprensa. Assim, os jornalistas foram obrigados a tentar abordagens avulsas para obter uma declaração oficial de Jerônimo. Não contavam eles encontrar pelo caminho o tratamento hostil do assessor particular do governador, que tentou barrar perguntas, encerrar entrevistas e chegou a acusar, sem provas, os profissionais de receberem dinheiro para atuar contra a gestão petista. O dito cujo ficou tão descontrolado que causou enorme constrangimento às figuras do próprio governo que estavam no entorno.>
Ataque>
Não bastasse a crise do momento, no dia seguinte um texto apócrifo passou a circular nas redes sociais reafirmando as teses que o assessor de Jerônimo havia vociferado com dedo em riste contra colegas de profissão. Além de repetir as acusações, o documento listava veículos de comunicação, dentre os quais o Correio, que na ótica petista depõem contra a democracia pelo fato de exercerem sua função basilar de informar, inclusive episódios desconfortáveis aos interesses do governo. >
Entre vida e números>
Voltando à leitura da mensagem do governador na Assembleia, ele deu destaque ao gancho de que o Estado teria investido R$ 34 bilhões na saúde entre 2023 e 2025. Embora soe bem no discurso oficial, o número parece não encontrar eco na satisfação do povo baiano. Dados do Tribunal de Contas do Estado mostram que, no mesmo período, o tempo de espera na fila da regulação aumentou 213%. Ou seja, ficou ainda mais difícil ter acesso a saúde. Naquela mesma terça, quando Jerônimo regozijava os números, uma mãe denunciava que seu filho de três anos havia sido regulado de Itapetinga para realizar um procedimento em Salvador, mas ao chegar no Hospital Geral do Estado descobriu que a unidade simplesmente não o realizava. >
Sem solidariedade>
Jerônimo também enfatizou durante a mensagem que houve uma queda de 13% nas mortes violentas, sugerindo avanço na segurança pública. Mas, sequer havia clima para absorver os indicadores porque horas antes uma da Polícia Militar morreu depois de ter sido baleado com um tiro de fuzil na cabeça durante confronto no Vale das Pedrinhas. Naquele mesmo, dia horas depois, Jerônimo manteve a cerimônia em que promoveu sete novos coronéis da PM-BA, ignorando o luto que abateu a tropa naquele dia.>