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Casos na Bahia, SP e Rio mostram infiltração do crime nas instituições

Facções buscam proteção política a seus ‘negócios’ e espaço para legalizar recursos obtidos de forma ilícita

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  • Flavio Oliveira

Publicado em 13 de abril de 2024 às 16:00

PF acusa deputado baiano de chefiar milícia Crédito: reprodução

As maiores operações policiais nessa semana, contra o deputado estadual da Bahia Binho Galinha (Patriota) e as empresas de ônibus de São Paulo Transwolff e UPBus mostram - assim como a que revelou os mandantes do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes - que o crime organizado se institucionalizou no Brasil. Quanto maior a facção, maior é a proteção política que precisa para assegurar seus negócios ilícitos; e quanto maior o lucro aferido com as atividades criminosas, maior é a necessidade legalizar o dinheiro sujo com assassinatos, tráfico, contrabando e assaltos. E quanto mais institucionalizado o crime, maior é a dificuldade para vencê-lo.

Binho Galinha é apontado como chefe de uma milícia que atua na região de Feira de Santana, segundo maior município da Bahia, realizando crimes como lavagem de dinheiro do jogo do bicho, agiotagem, extorsão e receptação qualificada, entre outros. Eleito em 2022, está no primeiro mandato. Sua esposa, Mayana Cerqueira, foi presa preventivamente, pela segunda vez na terça (9). O deputado nega estar envolvido com qualquer um dos crimes apontados pela PF. Por enquanto, tem se beneficiado do fato de ser parlamentar, atividade que lhe garante foro privilegiado no Tribunal de Justiça. Não é a primeira vez que seu nome é citado como líder de quadrilha. Mas até então, seu caso não foi analisado pelos seus pares na Assembleia Legislativa. A PF afirma que a suposta milícia liderada pelo deputado estadual tem tentáculos em vários setores do poder público na Bahia.

Em 2023, Binho foi o principal alvo da Operação El Patron, da Polícia Federal, na qual foram expedidos dez mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 700 milhões das contas bancárias dos investigados e o sequestro de 26 propriedades urbanas e rurais, bem como a suspensão de atividades econômicas de seis empresas. Sua esposa é apontada como a contadora do bando. O Ministério Público negou pedido feito pela PF de afastamento do cargo. A Justiça seguiu a orientação do MP.

Ainda assim, só na quarta (10), um dia depois da segunda operação contra o parlamentar, que o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Aldolfo Menezes (PSD), criou o Conselho de Ética da Casa, que vai analisar o caso e pode até cassar o mandato de Binho Galinha. “Pela segunda vez tivemos uma situação envolvendo a Polícia Federal e um deputado integrante desta Casa. Precisamos fazer uma apreciação do ocorrido”, disse Meneses na ocasião.

Diretores da Transwolff e da UPBus foram presos na quarta (10) na Operação Fim da Linha. Eles são acusados de integrar o PCC e de usar as empresas para lavar (legalizar) o dinheiro da facção. Relatórios da Receita Federal mostram que as duas empresas – que venceram licitações para operar no sistema de transporte público de passageiras no município de São Paulo - distribuíam dividendos para seus acionistas mesmo em anos em que registravam prejuízos. Durante a operação, além de prisões, foram apreendidos documentos, armas, munições, dinheiro vivo (em real e dólar), ouro e carros de luxo. Alguns acusados moravam em apartamentos com valor superior a R$ 1 milhão, em São Paulo.

A Fim da Linha, fruto de trabalho de inteligência policial e de ação articulada entre diversos órgãos do poder público, é duro golpe nas finanças do PCC. Uma menor capacidade financeira significa uma menor capacidade operacional da facção.

O mesmo trabalho de inteligência foi determinante para chegar aos mandantes das mortes de Marielle e Anderson: os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. Segundo a PF, eles são ligados a uma milícia do Rio de Janeiro, os dois se incomodavam com a atuação da vereadora em comunidades onde pretendiam lucrar com a venda de imóveis em terrenos grilados. Domingos é conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Chiquinho é deputado federal e teve a prisão confirmada pela Câmara também na quarta (10). Pela lei aprovada pelos próprios congressistas, cabe à Câmara dar a última palavra sobre a prisão de um de seus pares. A votação foi apertada: apenas 20 votos a mais que o necessário.

Ficam duas lições. A primeira é a importância do investimento cada vez maior em inteligência policial. E que as instituições democráticas desse país precisam passar por um processo de limpeza para o efetivo combate ao crime.

Homem perdoa esposa que cortou seu pênis e busca reconciliação

O amor supera tudo? A história do frentista Gilberto Nogueira de Oliveira, 39 anos, e da doméstica Daiane dos Santos Farias, de 34, mostra que pode ser que sim. Os dois viveram uma história de amor, romperam por causa de uma traição e agora estão em processo de reconciliação com juras de amor eterno. Seria até banal de tão comum, mas não é. Daiana está presa porque decepou o pênis de Gilberto. Ele, por sua vez, perdoou a amada. À espera de uma prótese, disse não ligar para que os outros pensam e que quer passar o resto da vida com ela. A iniciativa pela reaproximação foi dele.

Desde que o crime foi cometido, no final de 2023, que os dois não se veem. A reconciliação tem sido tratada por cartas, como revelo o blog True Crime, do jornalista Ullisses Campbell no site de O Globo.

Gilberto e Daiane se conheceram, começaram a se relacionar e foram morar juntos. Tudo mudou no fim de 2023. Daiane descobriu que o frentista havia transado com sua sobrinha de 15 anos. À noite, ela vestiu uma lingerie sensual, apagou a luz do quarto e cortou o pênis de Gilberto. Fez mais, mandou foto segurando o pedaço do órgão em suas mãos e mandou para o grupo da família dele. E jogou na privada e deu descarga para evitar o reimplante.

Ele conseguiu chegar ao hospital. Ela, na delegacia, confessou o crime. Personagem cada vez mais procurado por programas populares da televisão, Gilberto disse que Daiana deveria pagar pelo crime pela Justiça dos homens. Mas mudou de ideia. Decidiu voltar para Daiane por que a “ama acima de tudo”.

“Não me importo com o que os outros pensam. O que realmente importa é o que sinto por ela" disse em entrevista ao blog. "Eu não me apaixonei pelo pênis do Gilberto, e sim pela pessoa bondosa que ele é", afirmou Daiane ao mesmo canal para justificar a reconciliação.

Nas cartas ao que o jornalista teve acesso, ela escreveu: “Já chorei muito por tudo, principalmente por estar longe de você, meu alicerce. Sinto muito a sua falta. Temos muito o que conversar. Olha, não sei o que será de nós quando sair daqui. Porém, o amor não acaba do dia para noite. (...) Coloquei a nossa vida nas mãos de Deus. Se for da vontade Dele, e da sua, claro, vamos reconstruir as nossas vidas quando sair daqui. Eu te amo, eu te amo, eu te amo!"

O frentista respondeu: “Assim como você, também acredito que tudo isso que estamos passando seja um propósito de Deus. Se pudesse, acredite em mim, eu trocaria de lugar com você, pois eu te amo muito além da tragédia que aconteceu em nossa vida”.

Meme da semana

null Crédito: reprodução/internet

A conquista do Baianão pelo Vitória rendeu foi resenha. No bar, em casa, no trabalho ou nas redes sociais, a torcida rubro-negra estava afiada na zoeira. Dizem que é porque a piada estava presa na garganta há sete anos, tempo que o Leão não chegava à final do estadual. Valeu a pena.

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