Golpes no câncer e no vício: uma semana de vitórias para a ciência brasileira 

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Publicado em 3 de junho de 2023 às 04:59

- Atualizado há 8 meses

. Crédito: Reprodução

Há preconceito  e desconhecimento sobre a produção científica brasileira em seus diversos ramos. E são muitas as contribuições dadas pelos nossos cientistas e pesquisadores para todo o mundo, mesmo com todas as adversidades causadas pela falta de recursos financeiros e estruturais. E enquanto o Centrão - preocupado com as ‘demandas de suas bases’ que com a educação e a ciência - mais uma vez enquadrava o governo no Congresso, o país registrou dois grandes avanços científicos, ambos no campo médico, e com direito até a uma ressurreição.

Sim, porque foi isso que sentiu o publicitário Paulo Peregrino, de 61 anos, após ouvir a notícia de remissão total de um câncer no sistema linfático que enfrentava desde 2018. “Eu só vi aquelas duas imagens em 23 de abril, em uma postagem do Dr. Vanderson (médico que o acompanhou ao longo do tratamento) e sinto que ressuscitei”, disse. 

 Ele se referiu, em primeiro lugar, ao médico que o acompanhou ao longo do tratamento, e em segundo, a registro da doença. O primeiro, de quando iniciou o tratamento terapia inovadora de CAR-T Cell, mostrava uma profusão de tumores em seu corpo. Já a segunda, mostrava um corpo ‘limpo’. Tecnicamente, não se pode falar em cura, é preciso esperar alguns anos para se ter a certeza de que não haverá recidivas. O próprio Paulo já tinha lutado contra um câncer de próstata antes do aparecimento do linfoma não-Hodgkin, entre 2010 e 2014. “Se eu tivesse visto a primeira (imagem) antes do tratamento, acho que eu não teria acreditado na possibilidade de cura. Eu sabia que minha situação não era fácil, mas não tinha noção de que meu corpo estava tomado por tumores daquela forma”, afirmou.

A terapia de CAR-T Cell, ainda está em caráter experimental. Ela foi aplicada no publicitário pelo hematologista Vanderson Rocha, professor de terapia celular da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do programa nacional desse tipo de tratamento da Rede D’Or. Ele desenvolve estudos para baratear a tecnologia e oferecê-la no Sistema Único de Saúde (SUS).

A terapia usa células de defesa do próprio corpo, modificadas em laboratório, para atacar os linfomas e leucemias. Hoje, já está disponível mercado de saúde privada, que leva as células dos pacientes para serem modificadas no exterior e depois as traz de volta para reinserção no paciente. Na pesquisa da USP, todo o processo é feito no Brasil e dentro da rede pública, o que confere autonomia científica e redução de custos – os participantes da pesquisa não pagam nada pelo tratamento. Até o momento, 14 pacientes participam da pesquisa e nove deles apresentaram remissão total do câncer. A expectativa é que futuramente o tratamento esteja disponível no SUS.  Também em fase experimental, uma vacina desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi indicada essa semana como finalista do Prêmio Euro, que reconhece o potencial de inovação dos profissionais latino-americanos de Medicina.  O imunizante, batizado de 'Calixcoca', combate o vício em crack e cocaína e já teve a segurança e eficácia provados nas fases pré-clínicas. Os pesquisadores agora buscam fundos para realizar os testes em humanos. Até o momento, o projeto foi completamente custeado por verbas públicas.

 A Calixcoca estimula a produção de anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea, transformando a droga numa molécula grande, incapaz de passar pela barreira hematoencefálica. A ideia é bloquear a absorção da cocaína e dos seus derivados, como o crack, de forma a impedir a dependência e a "recaída" dos pacientes em tratamento contra o vício. Vale observar que estudo rompe com o preconceito ao adotar a visão de que o vício é um problema de saúde pública (afeta o indivíduo, famílias, grupos sociais), e não uma escolha, “descaração” ou fraqueza da pessoa. 

MEME DA SEMANA Um avião pertencente à Evangelho Quadrangular no Pará, pastor e ex-deputado federal Josué Bengtson, foi apreendido pela PF com quase 300 quilos de skunk (supermaconha) na terça (30). Josué é tio da senadora terrivelmente evangélica  Damares Alves. 

A realidade da educação envergonha 

O sucesso     das duas pesquisas apresentadas no texto anterior mostra o potencial do Brasil e dos brasileiros, especialmente se postos em contraste com números da educação do país divulgados essa semana. 

Primeiro dado, produzido pela ONG Todos pela Educação: o percentual de jovens pretos e pardos matriculados no ensino médio em 2022 é o mesmo de brancos dez anos antes, ou seja, existe uma década de atraso entre os dois grupos. 

“Se a gente resolver a desigualdade na educação, a gente já começa a resolver a desigualdade também em outros campos: no campo social, no campo econômico, porque a desigualdade educacional é o berço da desigualdade socioeconômica”, explicou Priscila Cruz, presidente-executiva da ONG.

O segundo, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC):  56,4% dos estudantes do 2º ano (7 anos) não estavam alfabetizados no Brasil em 2021. O indicador se baseia numa nova metodologia que será adotada pela pasta a partir do exame do Sistema Nacional da Avaliação Básica (Saeb) deste ano. A criança será considerada alfabetizada se souber relacionar sons e letras na Língua Portuguesa; ler mais que palavras isoladas e frases; ler textos simples de literatura usados nas escolas; escrever convites e bilhetes, mesmo com desvios da norma ortográfica; e entender tirinhas e histórias em quadrinhos.

“Essa realidade nos envergonha”, reconheceu o ministro da Educação Camilo Santana sobre os dados divulgados pelo MEC. “Esperamos que possamos daqui uns anos apresentar números de mudança, possamos ter orgulho de ter um país que alfabetiza suas crianças”, completou. 

É bom não esperar, apenas, para que essas palavras não sejam – de novo! - mais uma promessa de político, que são aquelas feitas e - entra governo e sai governo - nunca cumpridas.

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