Herbem Gramacho: Sérgio Soares se perdeu, mas ele não foi o único

Linha Fina Lorem ipsum dolor sit amet consectetur adipisicing elit. Dolorum ipsa voluptatum enim voluptatem dignissimos.

Publicado em 8 de outubro de 2015 às 01:43

- Atualizado há 10 meses

Chegou ao limite, e Sérgio Soares perdeu o emprego. Uma mudança triste diante da mentalidade de fazer um trabalho a longo prazo que a diretoria do Bahia tentou implantar, porém necessária pelo cenário que se desenhou.

Por que Sérgio saiu? Porque o Bahia chegou a um ponto que, a cada partida, diminuía mais a expectativa do time se recuperar na Série B sob o comando do técnico. E porque as opções escolhidas por Sérgio nos últimos dias mostravam um treinador que não sabia mais a quem recorrer. “Perdido” é o termo exato. João Paulo Penha, João Paulo lateral, Paulinho Dias... Trinta rodadas se passaram, o Esquadrão não tem um time titular que dure duas semanas e o rendimento em campo cai sem parar.

Sérgio Soares mostrou mais virtudes que defeitos nesses dez meses de Bahia. Montou um time bem treinado, coeso e agressivo logo nos primeiros meses e construiu um bom ambiente de trabalho. Priorizou o ataque, valorizou a base, fez o Bahia se impor. Nada disso seria possível sem um trabalho consistente e comprometido. Mas aquele mesmo time dos primeiros meses do ano se tornou uma sombra jamais alcançada de agosto pra cá, após Sérgio desmontar o meio de campo, alma do time que mantinha a bola no pé, controlava o jogo, roubava bolas no ataque e diminuía a pressão sobre a defesa. O time se perdeu e, tão logo o tricolor saiu do G-4, o peso tornou-se insustentável para o técnico. Na classificação, nenhum ponto separa o Bahia do quarto colocado. Mas, na perspectiva, a confiança em alcançar o objetivo era menor a cada rodada.

Sérgio não errou sozinho. Após o Campeonato Baiano, quando o Bahia só precisava de ajustes pontuais em um time que já era competitivo, as contratações feitas pela diretoria atrapalharam muito mais do que ajudaram o treinador.

Os nomes falam por si: Adriano Apodi, Cicinho, Marlon, João Paulo, Jailton, Gabriel Valongo, Ewerton, Gustavo, Paulinho Dias, Eduardo, João Paulo Penha, Alexandro e Roger. Treze contratados de maio a setembro! Conclusão: o Bahia trouxe mais de um time no período em que a própria diretoria enxergava como de lapidação do elenco campeão baiano e vice da Copa do Nordeste.

E que reforços ruins. As 13 contratações do meio da temporada correspondem a mais da metade das 22 que o Bahia fez no ano. Dos 13, só Roger, Cicinho e Gustavo tinham status de quem chegou para jogar. Os outros foram apostas com currículo pra ser reserva  que, para azar do torcedor, acabaram jogando. Deu certo com Eduardo - apesar da oscilação recente - e errado com a maioria, o que não surpreende. E não bastasse contratar mal, o Bahia liberou o único bom zagueiro do elenco, Titi.

Entre a saída de Léo Gamalho e a chegada de Roger, a diretoria deu Alexandro ao treinador. Quando só precisava acertar na contratação de um parceiro para Titi, a diretoria errou com Jailton, Gabriel Valongo e trouxe Gustavo – que ainda não se destacou - só depois que Titi saiu, quando Sérgio Soares tinha uma zaga digna de Série C à disposição. No meio do campeonato, a diretoria se perdeu tanto quanto o treinador. Ou mais.EliminatóriasAcompanho Eliminatórias desde a edição para a Copa de 1994 e esta é a primeira vez que vejo o Brasil iniciar a disputa sem a certeza absoluta de que estará classificado para o Mundial. São dez seleções, quatro vagas diretas  e uma pela repescagem.  A Seleção ainda é uma das favoritas para ir à Rússia em 2018, mas as Eliminatórias começam hoje com Argentina e Chile um patamar acima do Brasil, pelo futebol demonstrado.  A Colômbia se nivela. E o Uruguai, mesmo pior tecnicamente, é sempre perigoso.  Palpite: não vai ser fácil carimbar essa vaga.