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Da Redação
Publicado em 5 de dezembro de 2010 às 16:44
- Atualizado há 3 anos
O torcedor que lotará o Barradão está carente. Caso Júnior evite o rebaixamento ou o herói seja Viáfara, o Vitória vai respirar aliviado, mas não pode se iludir. Não cair é alimentar-se de migalhas.O futebol baiano precisa acabar com o constrangimento de que não podemos contratar ou ter craques. É só alguém pensar mais alto para ser tachado de maluco, ingênuo ou irresponsável com as contas do clube. Assim vamos sendo adestrados a viver na pequenez.Campeão da Série B, o Coritiba planeja orçamento de R$ 59 milhões para 2011 - R$ 15 milhões acima do pensado pelo Bahia e o dobro do atual do Vitória. O Ceará tem 20 mil sócios; mais que a soma dos cadastrados nos programas da dupla Ba-Vi.Desde Dudu Cearense, não temos um atleta jogando em clube baiano convocado para a Seleção. Dudu foi reserva na Copa América de 2003. O Brasil ainda era tetra. Foi também o último ano com Ba-Vi na elite. Será um sinal? Ou a luz no fim do túnel é um trem?A ausência de alguém especial faz o Vitória ser comum. Nos dois anos anteriores, havia Marquinhos e Willians, rápidos como cobra no pasto; ou Leandro Domingues, que dava prazer ao jogo. Existia o futebol vaga-lume de Leonardo Silva, Marcelo Cordeiro, Dinei ou Roger. Quem hoje à tarde faz tanto quanto eles?O futebol baiano não pode seguir como um navegador ancorado no cais. “Nós somos do tamanho dos nossos sonhos”, dizia o poeta e pensador Fernando Pessoa.Mata-mata Quando o elenco do Bahia não se preparou ou se empenhou para ganhar de Santo André e Bragantino, mesmo dizendo que queria o título, não houve uma entregadinha? Ou foi apenas diferença de motivação, como alguns disseram? Márcio Araújo, em entrevista à rádio CBN, deixou evidente a vergonha.Já escutei pedidos e cobranças pelo retorno do mata-mata. Mudaria apenas o prazo de entrega delivery. Quem hoje entrega no final do campeonato ia entregar antes do mata-mata. O prejuízo aos clubes menores seria ainda muito maior: eliminados, ficariam mais tempo sem receita de bilheteria. Com menos exposição na mídia, cairiam as receitas de patrocínios. Um campeão deve pensar como usar a força para crescer; não em futilidades ou como prejudicar algum rival.A diferença entre os especiais e os muitos bons aparece no detalhe. Entre ficar na elite e cair, também. Em Portugal e na Espanha, países onde vivi, não lembro de ver torcedores pedindo para o time entregar. Lá, a paixão não era desculpa. Os valores pessoais eram consolidados. Honrar a camisa - e as calças - estava acima de tudo.>