Nelson Cadena: a vocação comercial da Avenida Sete

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Publicado em 2 de outubro de 2015 às 01:37

- Atualizado há um ano

 Quando José Joaquim Seabra inaugurou a Avenida Sete em setembro de 1915, ninguém poderia imaginar que a nova via pública de Salvador um dia deixaria de ser uma área apenas residencial para se transformar em espaço, exclusivamente, comercial, no trecho entre a Ladeira de São Bento e a Aclamação. Então, a cidade apresentava três áreas comerciais perfeitamente delimitadas: Comércio, Baixa dos Sapateiros e Rua Chile. Na primeira, o perfil era de armazéns, trapiches, moinhos, mercados, lojas de materiais de construção, companhias de exportação, bancos e seguradoras e muitos serviços de apoio à atividade portuária. Na Baixa dos Sapateiros prevaleciam as lojas de ferragens, móveis, tinturarias, armazéns e lojas de vestuário; na Rua Chile o destaque era das lojas de sapatos, vestuário elegante, artigos de luxo e muitos serviços profissionais, médicos e advogados em especial, e, claro, os melhores alfaiates, um dia ali se instalaria o famoso Walter Spinelli, o do consagrado slogan publicitário: “Adão não se vestia, porque Spinelli não existia”.  Já no primeiro ano de existência da Avenida Sete, o Armarinho Aos Dedos de Fada e a Sapataria Rio Branco instalaram-se, um quase em frente do outro, no entorno do Relógio de São Pedro. Logo mais vieram a Loteria do Estado, colada no prédio do Hotel Sul-Americano (hoje Sulacap), Tapeçaria Parisiense, Lojas Elegante, Farmácia Caldas (no prédio onde hoje há uma loja da Ricardo Eletro), as lojas de móveis A Renascença e Laubisch-Hirt, Arlindo Cunha, representante das geladeiras Frigidaire e a Casa Yankee (Chevrolet), do segmento automotivo, que logo ocuparia os melhores pontos da rua. Nas décadas de 1920/1930, o perfil prioritário de ocupação da Avenida Sete foi justamente de revendas de automóveis e afins, mas, também de lojas de materiais de construção, pastelarias e confeitarias, farmácias e o comércio com sortimento das mais variadas mercadorias, precursoras das lojas de departamentos. As lojas de automóveis estavam por toda parte e exibiam modelos de todas as marcas em espaços reduzidos em relação às concessionárias de hoje. Instalaram-se na Avenida Sete a Casa Continental, Agenor Gordilho, Navarro Lucas, Cruz & Cia, Chindler & Alder, L. Gaspar, Casa Sanson, L. Holzgrefe e mais as garagens da Crysler, Ideal, São Cristovão, Vitória e Luzitana. Entre as lojas de materiais de construção, de olho no vetor de expansão da cidade, instalaram-se a Construtora Ferragens, Castro & Garrido, Casa Dragão, Raimundo Soares, Rodrigues & Cia e o grande Depósito de Materiais da Barra. Pastelarias e confeitarias se multiplicaram por toda parte, muitos galegos recém-chegados operavam no ramo: Panificação Lanat, Padaria Imperial, Padaria São Pedro, Pastelaria e Confeitaria Mimosa, Universal, Baiana, Santo Antônio, O Sueto, O Conquistador, Parque Ibérico, Quintela, São José e Pastelaria Avenida. Entre as drogarias, além da Caldas já referida, instalaram-se na Avenida as farmácias Antiga, Mercês, Santiago, de Rodolfo Pimentel, Nossa Senhora da Vitória e Cabral. E entre as lojas de maior porte as Tapeçarias Globo, Lojas Brasileiras, A Providencial, Nova Aurora, Linda Baiana Miudezas, Casa Teodoro Fazendas, Alvino Ruas, Casa de Lojas e Miudezas. Entre as sapatarias, destacavam-se a Fidalga, Ponto de Elite e Casas Stella. Entre as lojas de móveis: a de Isaac Solter, Carioca, Progresso, Gracio & Jensen e George Laubisch & Cia. Praticamente nenhuma dessas lojas pioneiras na Avenida Sete do período 1915/1940 sobreviveu, salvo as Casas Ruas que hoje funciona no Taboão, Imbuí e outros espaços geográficos. E a Tapeçaria Globo que ainda funciona na Avenida, no trecho do Porto da Barra e tem filial no Shopping da Bahia. Do segmento hoteleiro, os hotéis São José e Imperial, este último funcionando num prédio de 1916 ainda bem conservado, são remanescentes da década de 50.