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Gabriela Cruz
Publicado em 15 de março de 2026 às 09:39
Conviver com outras pessoas deveria ser uma habilidade básica. Ainda assim, basta passar alguns minutos em qualquer ambiente de trabalho, ou mesmo em situações simples do cotidiano, para perceber que isso nem sempre acontece.>
Saber lidar com gente exige algo que raramente aparece no currículo: maturidade emocional. Ela se revela em gestos pequenos, quase invisíveis. Na forma como alguém responde a uma mensagem, conduz uma conversa difícil, exerce um pouco de autoridade ou simplesmente reconhece o trabalho do outro.>
São detalhes que parecem pequenos, mas que definem a qualidade das relações.>
Um dos comportamentos mais curiosos que aparecem nesses contextos é o exercício do micropoder. É quando alguém recebe uma pequena autoridade, como organizar algo, decidir um horário, coordenar uma atividade, e transforma isso em instrumento de imposição.>
O tom muda, a gentileza desaparece e surge a necessidade de demonstrar controle. O problema é que relações não se constroem dessa forma.>
Muito mais eficaz do que impor é saber conectar. Pessoas que cultivam uma rede de relações baseada em respeito, colaboração e confiança costumam ir mais longe do que aquelas que tentam resolver tudo pela força de um cargo, de uma posição ou da insistência. No longo prazo, quem constrói pontes sempre avança mais do que quem levanta barreiras.>
Existe também algo subestimado nas relações: elogiar.>
Reconhecer o trabalho do outro, agradecer uma colaboração, demonstrar admiração quando ela existe. Ambientes onde as pessoas se sentem vistas e valorizadas tendem a funcionar melhor e, também, se tornam mais agradáveis de frequentar.>
Ironia constante, indiretas e recados atravessados raramente melhoram qualquer relação.>
Pelo contrário, criam desgaste e ruído desnecessário. Quem precisa mandar recados provavelmente deveria apenas conversar. A comunicação direta costuma economizar tempo, energia e muitos mal-entendidos.>
Existe ainda uma habilidade que muitas vezes decide o rumo das relações profissionais: o traquejo social.>
Saber negociar, saber ouvir, saber discordar sem transformar tudo em confronto. É uma inteligência prática que abre caminhos e ajuda a preservar relações mesmo quando existem diferenças.>
No fundo, muitas dessas situações poderiam ser resolvidas com um princípio bastante antigo: não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você.>
Parece simples, mas aplicá-lo exige autocontrole.>
Talvez maturidade emocional seja justamente isso: reagir menos, responder com mais clareza e evitar gastar energia em disputas pequenas.>
Também significa parar de mandar recados, deixar de tentar parecer mais ocupado ou mais importante do que se é, e escolher relações mais leves.>
Porque viver em sociedade, no fim das contas, é uma construção coletiva.>
E ninguém constrói nada sozinho.>