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Pombo Correio
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 05:00
Parece que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU) abandonou de vez seu papel de entidade de classe para servir a interesses políticos do PT da Bahia. Isso fica evidente pela atuação enviesada e militante do conselho em pautas contra a Prefeitura de Salvador, enquanto deixa de lado situações gravíssimas relacionadas ao governo petista. A lista é imensa, mas vale citar alguns casos como o abandono do centro de convenções do estado, a degradação do Parque de Pituaçu, o descaso com o prédio dos Correios e a situação de deterioração de inúmeros imóveis pertencentes do Estado da Bahia na região do Centro Antigo. Mas nada disso parece incomodar o heroico CAU nem o seu "aguerrido" presidente, Tiago Fontenelle, que, como já mostrou o Correio, tem cargo no governo do estado. Mas deve ser só coincidência. O fato é que, do jeito que vai, daqui a pouco vão dizer que o CAU age como secretaria do PT. >
Silêncio>
No mais recente caso do CAU contra a Prefeitura, chama a atenção que a entidade destacou a necessidade de cuidar "do saneamento básico e ambiental". Mas, diante disso, como pode o conselho aceitar de maneira inerte o fato de que mais da metade da população da Bahia vive sem coleta de esgoto? E mais: onde está o CAU em relação à Serra da Chapadinha, talvez um dos mais graves casos de ameaça de degradação ambiental do Estado? Perguntar não ofende. >
O rei está nu>
O grave caso de duas turistas baleadas no extremo sul da Bahia, numa área de disputa de terras, deixou o governo do estado de calças curtas. Sempre conivente com as invasões de terra, o governo viu o caso ganhar repercussão nacional e gerar uma série de críticas à omissão do Estado, principalmente em relação à ligação de importantes figuras petistas com invasores. O caso gerou preocupação e mobilizou diversas lideranças do governo, que correram para tentar dar uma resposta rápida. Mas a pergunta que não quer calar é: por que não agem da mesma forma para resolver de vez a situação?>
Não vale a pena ver de novo >
A duplicação da BA-001, no trecho de Ilhéus, virou uma novela que se arrasta desde 2020 e não vale a pena ver de novo. Prometida ainda na gestão de Rui Costa, requentada às vésperas da eleição de 2022, a obra simplesmente não sai do papel. De lá para cá, o governo lançou nova licitação, assinou contrato com outra construtora e viu a empresa desistir meses depois, devolvendo o projeto à estaca zero. Agora, em clima de pré-campanha, Jerônimo tenta dar nova embalagem ao mesmo enredo. Parece ser mais um capítulo da vitrine eleitoral montada em 2022 e desmontada logo após as urnas. Dessa vez, a jogada pode não ter o mesmo resultado. >
Novela das promessas>
O fato é que, assim como no caso da duplicação da BA-001, o governo tenta requentar promessas em diversas regiões do Estado. Há casos de obras com ordem de serviço assinada em 2022 que foi assinada novamente agora. Prefeitos e lideranças já perderam a paciência e começam a reclamar publicamente e os relatos já tomam conta das redes sociais. Outros, em conversas reservadas, dizem que já estão "calejados" com as promessas. Perceberam que, em 2022, muito foi prometido e quase nada foi entregue. Agora, além de já não terem confiança, observam que não há tempo hábil para a entrega das promessas. O resultado dessa insatisfação, dizem governistas, é imprevisível.>
Atropelou>
Com Jerônimo em missão internacional ao lado de Lula, o senador Jaques Wagner não teve a menor cerimônia para antecipar a formação da chapa majoritária, cravando o trio “puro-sangue” com ele, Rui Costa e o próprio governador, e ainda tratou como certa a permanência de Geraldo Júnior na vice. Ao fazer isso, atropelou sem dó o pouco de autoridade política que ainda restava a Jerônimo.>
Briga por controle>
Dizem nos bastidores que Wagner agiu fundamentalmente por dois motivos: o primeiro para impedir que Rui avançasse com a ideia de emplacar um vice do Avante, legenda que está sob sua influência; e a segunda para criar uma barreira de contenção caso Jerônimo voltasse da viagem convencido a deixar Rui concorrer ao governo em seu lugar, num movimento que soaria como atestado de fracasso administrativo do próprio PT, além de minar o controle que Wagner tem hoje sobre o governo com a gestão “mediana” de Jerônimo - como ele mesmo já classificou. >
Vida paralela>
Se ainda havia dúvida sobre a influência de Rui Costa no Avante, ela ficou para trás. O ministro dedicou um dia desta semana para despachar na sede do partido, em Salvador, recebendo prefeitos, pré-candidatos e lideranças do interior, como se estivesse em endereço oficial. Fez conta, alinhou estratégias e discutiu cenários eleitorais com naturalidade de dirigente. A movimentação reforça a percepção de que Rui construiu uma estrutura paralela, com vida própria para além do PT.>
Peroba>
A pesquisa eleitoral que circulou esta semana, com claras digitais petistas, dando ao governador Jerônimo altos índices de intenção de voto não convenceu nem os próprios aliados. Pouquíssimos se arriscaram a comentar. E quem foi às redes para “comemorar” precisou de bastante óleo de peroba para superar o constrangimento, tamanha a dificuldade de defender números que não dialogam com a rua. O problema não é só a distância da realidade. É que os percentuais divulgados parecem não convencer nem no mundo paralelo onde o governo costuma habitar. No meio político, a verdade é que o levantamento virou motivo de piada, como resumiu um observador da política baiana: "Essa pesquisa deve ter sido feita na Jerolândia". >
Braços cruzados?>
Avante e PSD, por sinal, não digeriram bem o gesto solitário de Wagner de anunciar a chapa sem consultar previamente os aliados. A avaliação é de que a definição foi monocrática demais para quem depende de base ampla. Interlocutores das duas legendas lembram, com certo orgulho, que juntas somam cerca de 200 prefeitos na Bahia e que isso tem peso político e numérico nas urnas, não podendo ser ofertado a eles tratamento desproporcional aos seus respectivos tamanhos, sob pena de afetar a disposição de ambos de entrarem de cabeça na campanha. A ameaça velada é de “operação braços cruzados”.>
Dança das cadeiras>
A proximidade da janela eleitoral e de fim do prazo das filiações para disputa das eleições deste ano tem deixado governistas apreensivos. Alguns que hoje estão filiados em partidos da base já sondam outras legendas, inclusive a oposição. Tem caso que vai pegar muita gente de surpresa.>
Falta de prioridade>
A construção da Barragem do Rio da Caixa, obra vital para a segurança hídrica da Bacia do Rio Paramirim, enfrenta um novo e crítico capítulo de negligência. A obra caminha a passos lentos e sofre com falhas de engenharia que podem adiar sua entrega por mais um ano. Fruto de um acordo firmado em 2015, o cronograma original pactuado entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Governo do Estado previa a conclusão da barragem para 2027. Entretanto, com apenas 13% de execução até o momento, o cumprimento deste prazo tornou-se virtualmente impossível.>