Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Pombo Correio
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 05:30
O governo do estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), publicou, nesta semana, o resultado de um chamamento público que habilitou 108 ONGs e organizações sociais para construir 3 mil unidades de habitação rural no interior da Bahia. O modelo chama atenção: por que entidades do terceiro setor serão responsáveis por erguer casas populares, e não o próprio Estado, diretamente ou via empresas especializadas em construção civil? A opção reacende lembranças do caso do Instituto Brasil, que também atuou na construção de moradias até virar sinônimo de escândalo, após investigações apontarem desvio de recursos públicos destinados às casas. Sem fazer qualquer ilação sobre o edital atual, o histórico recente ajuda a explicar por que o formato escolhido agora causa, no mínimo, estranhamento.>
Morreu no papel>
Se de um lado o governo aciona ONGs para tocar casas populares no interior, de outro cancela contratos já firmados para construção e reforma de escolas no extremo sul da Bahia. No início deste mês, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anulou de forma unilateral um contrato assinado em dezembro de 2024, que previa a elaboração de projetos e a execução dessas respectivas obras nos municípios de Ibirapuã, Itamaraju, Nova Viçosa, Lajedão e Vereda. Chama atenção o fato de o contrato ficar parado há mais de um ano sem qualquer avanço concreto, o que intriga os prefeitos se é realmente possível confiar nos anúncios feitos pelo governador, porque nesse caso a obra morreu no papel.>
Ex-governador>
Durante a abertura do Carnaval, um secretário de Estado deixou escapar uma pérola quando dava entrevista à imprensa. Não se sabe, se num ato falho ou num lapso de sincericídio, o auxiliar se referiu ao chefe como “ex-governador Jerônimo Rodrigues“.>
Escuta espiritual>
No afã de elencar ações do governo do estado para trabalhadores que vão atuar no Carnaval, o governador Jerônimo Rodrigues disse que a novidade este ano é a assistência que haverá aos motoristas dos trios elétricos. Entre as medidas, ele chegou a falar em “escuta espiritual” para os condutores.>
Baila comigo>
A folia começou nesta quinta-feira (12) com um burburinho que tomou conta das rodas de conversa da política: a música do Carnaval só será conhecida na semana que vem, mas quem vai dançar é o vice-governador Geraldo Júnior (MDB). Parlamentares e caciques da base governista dizem ser difícil manter Geraldo na vice de Jerônimo, tanto pelo desempenho pífio nas eleições de Salvador quanto pela falta de protagonismo no governo. A aposta da maioria deles é que, após o Carnaval, no mais tardar em março, Geraldo vai dançar da vice.>
Parceria fake>
A prometida parceria Lula-Jerônimo, vendida como solução para destravar obras e acelerar investimentos na Bahia, revela na prática um roteiro reverso ao que o discurso sugere. Apesar de anunciadas com o selo do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, muitas ações são custeadas, na verdade, pelo governo baiano - e o pior a partir da tomada de empréstimos. Ou seja, Lula capitaliza o anúncio e Jerônimo reforça o aspecto da tal parceria, num gesto duplo de irresponsabilidade com o dinheiro público, afinal de contas muitos desses empréstimos têm um generoso prazo de carência e só começarão a ser pagos daqui a cinco ou seis anos. É o caso, por exemplo, da extensão do metrô até o Campo Grande, cujo custeio está no pacote dos R$ 27 bilhões de empréstimos solicitados pelo governador até então.>
Espera um pouco>
Por falar na parceria Lula-Jerônimo, ela ainda não conseguiu apresentar resultados efetivos e concretos para a convivência com a seca na região de Irecê, que enfrenta uma das estiagens mais severas dos últimos anos. Nesta semana, o governo do estado anunciou a ampliação do sistema integrado de abastecimento de água no território, com investimento estimado em mais de R$ 400 milhões e discurso de medida estruturante para o semiárido. O detalhe que esfriou o entusiasmo foi o prazo: a previsão de conclusão das obras é 2049, ou seja, daqui a 23 anos. A proposta, que pretendia sinalizar solução definitiva, acabou recebida com desconfiança por lideranças locais, que cobram ações imediatas. Para um grupo político que governa a Bahia há duas décadas, apresentar um projeto com esse horizonte soa distante da urgência de quem precisa de água agora.>
Escorrendo entre os dedos>
O senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, dificilmente contará com apoio integral do partido à chapa puro-sangue do PT. Após a saída de Angelo Coronel do grupo governista e o anúncio de que disputará a reeleição pelo campo da oposição, multiplicam-se sinais de que parte das bases pessedistas resiste à orientação monocrática de alinhamento automático ao projeto petista. A decisão de Otto de manter o PSD na órbita do governo, mesmo ao custo de romper com um compadre político de duas décadas, não foi assimilada de forma homogênea. Exemplos disso são Maurício Portugal, ex-candidato a prefeito de Potiraguá em 2024, que recentemente se filiou ao União Brasil, e Barbosa Júnior, ex-prefeito de Filadélfia, apoiador histórico do PT na região, que já declarou voto em Coronel, mas não assegurou o mesmo compromisso com a reeleição de Jerônimo Rodrigues. Ao justificar sua posição, Barbosa foi direto: “Se não fossem as emendas de Coronel em 2022, a gente não tinha nem o que pedir de volta ao povo, nem o que falar de benfeitoria”. Nos bastidores, cresce a percepção de que o PSD começa a escorrer entre os dedos do seu presidente estadual.>
O estagiário do PT>
O ex-presidente do PT da Bahia Éden Valadares tem sido motivo de chacota nos bastidores da política do estado - pelo menos entre aqueles que o conhecem. Em suas entrevistas nesta semana, ele chegou a opinar sobre as estratégias de campanha da oposição e fez comentários soberbos em relação ao senador Coronel, expulso do grupo petista da Bahia. O detalhe que provocou risos nos bastidores: Éden nunca ganhou uma eleição, mas se achou no direito de diminuir uma figura do tamanho de Coronel, que era adorado pelo grupo petista enquanto servia aos interesses dos vermelhos. Como bem disse um observador da política baiana: ele age como o estagiário do PT. Um outro finalizou: "Ele deve mandar isso para o governador na eterna esperança de ser secretário".>
Lá e lô I>
O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PP), parece continuar, no cenário político, mais perdido do que cego em tiroteio, como diz o velho ditado popular. Após ser duramente criticado por sua aproximação com o PT, Marabá, que se dizia bolsonarista, decidiu voltar atrás e declarou na última semana que vai votar em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente. O movimento representa um cavalo de pau na caminhada que ele vinha trilhando, uma vez que o prefeito, que fez campanha e era um fiel apoiador de Jair Bolsonaro (PL), fez duras críticas recentes ao ex-presidente e rasgou elogios a Lula. Agora, do dia para a noite, elogiou Flávio e disse, pasmem, que o filho 01 do ex-presidente tem um perfil político parecido com o seu.>
Lá e lô II>
Já no cenário estadual, Marabá declarou que não fará campanha contra Jerônimo Rodrigues, a quem chamou de amigo. Ele só vai precisar explicar ao seu eleitorado a falta de investimentos prioritários do governo Jerônimo em LEM e em todo o oeste baiano. Talvez a mudança de posicionamento decorra do fato de o eleitorado do município, majoritariamente bolsonarista, ter condenado o prefeito, que até desistiu de sua candidatura a deputado federal diante da queda brusca de popularidade.>