Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Diagnóstico precoce do câncer de mama avança com IA, mas rastreamento segue insuficiente no Brasil

Apesar do potencial da IA há dificuldade de utilizá-la de forma estratégica a favor da saúde no Brasil

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 05:00

A mamografia foi ampliada no SUS em setembro
Mamografia  Crédito: José Cruz/Agência Brasil

A inteligência artificial tem potencial para revolucionar a saúde, e isso não é diferente no contexto do câncer de mama - o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. Entre tantos exemplos, destaca-se a aplicação da IA na leitura de exames de mamografia, capaz de antecipar em anos um possível diagnóstico, bem como recomendar estratégias mais adequadas de rastreamento individualizado.

Diversos estudos já publicados demonstram o quanto estamos avançando em possibilidades graças à tecnologia e o cenário atual do câncer de mama é, de fato, muito diferente daquele observado há 15 ou 20 anos. No entanto, ainda enfrentamos inúmeros desafios para garantir que o básico — e comprovadamente eficaz — seja implementado para que o diagnóstico precoce possa ocorrer: a oferta de mamografia de rastreamento às mulheres na faixa etária de maior incidência da doença.

O rastreamento organizado, voltado às mulheres na faixa etária de maior incidência quando ainda estão assintomáticas, é reconhecido internacionalmente como a estratégia mais eficaz para assegurar o diagnóstico precoce do câncer de mama e, consequentemente, reduzir a mortalidade. O que se observa, entretanto, é que ainda estamos muito distantes dessa realidade enquanto país. O histórico de dados do Ministério da Saúde mostra que o Brasil mantém cobertura mamográfica próxima a 24% das mulheres na faixa etária-alvo, muito abaixo dos 70% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Isso acontece porque faltam políticas estruturantes que considerem a distribuição e a qualidade dos exames oferecidos, ao mesmo tempo em que compreendam as especificidades dos territórios e invistam na qualificação profissional contínua para mudar esse cenário. Esses elementos são essenciais para garantir encaminhamentos ágeis, reduzir exames desnecessários e, ao mesmo tempo, diminuir o represamento de mulheres que chegam aos serviços com diagnósticos avançados por falta de acesso oportuno.

Paralelamente, é indispensável assegurar que as mulheres tenham acesso a informações de qualidade e se sintam fortalecidas para buscar consultas e exames de rotina. O Índice de Conscientização do Câncer de Mama, criado pelo Instituto Natura e Avon para analisar anualmente o conhecimento da população brasileira sobre a doença, revela que muitas mulheres não sabem a idade mínima para iniciar a mamografia de rastreamento - 14% acreditam que deve ser feita em todas as idades, 25% acham que é antes dos 40 anos, 32% não sabem dizer quando e 86% não sabem que o exame pode ser realizado em qualquer idade em caso de suspeita.

Nesse contexto, apesar do potencial da inteligência artificial, há dificuldade de utilizá-la de forma estratégica a favor do desenvolvimento da saúde no Brasil. Mais do que localizar as mulheres com maior risco a partir de exames já feitos, é necessário garantir que elas façam os exames. É necessário também produzir comunicações eficazes sobre o câncer de mama e a mamografia, que sensibilizem sobre a importância do autocuidado, que derrubem mitos profundamente enraizados e contribuam para superar as barreiras que ainda dificultam o cuidado com a saúde das mulheres.

Mariana Lorencinho é líder de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura

Mariana Lorencinho, líder de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura
Mariana Lorencinho, líder de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura Crédito: Divulgação

Tags:

Saúde Mulheres Mamografia