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O recado das vaias a Jerônimo, a blindagem do governador no Bonfim, o secretário barrado e o flagra do garanhão

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 05:00

Jerônimo Rodrigues foi vaiado durante a Lavagem do Bonfim
Jerônimo Rodrigues foi vaiado durante a Lavagem do Bonfim Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

O recado das vaias

As vaias recebidas pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) durante a Lavagem do Bonfim nesta quinta-feira (15) são apenas a ponta do iceberg de um problema ainda maior para o grupo petista na Bahia. Pesquisas internas feitas pela base governista que acabaram de sair do forno apontam que aumentou o desejo de mudança pela população, além de a elevada rejeição de Jerônimo ter se consolidado. Fato é que, além de tudo, o governador ainda teve que ouvir protestos da população, com cartazes que pediam medidas mais enérgicas contra a violência, especialmente contra a população negra. “Governador, até quando o luto será a única rotina das nossas comunidades?”, questionou um dos cartazes.

Queda livre

Para piorar o cenário, prefeitos aliados do PT começaram a avisar a caciques da base que Jerônimo dificilmente repetirá em 2026 os resultados alcançados em 2022. Numa cidade do interior, por exemplo, o gestor (muito bem avaliado, diga-se de passagem) mandou rodar uma pesquisa e o resultado foi estarrecedor: uma queda de quase 15 pontos de Jerônimo quando comparado ao segundo turno de 2022. A queda é atribuída tanto à falta de cumprimento das promessas, ao baixo desempenho do governo nas áreas essenciais e, principalmente, aos problemas na saúde e segurança pública.

Blindagem

Ainda sobre a Lavagem do Bonfim, chamou bastante atenção o aparato de segurança montado em torno do governador Jerônimo. Assim como já havia ocorrido em outras festas populares, a exemplo do 2 de Julho, Jerônimo apareceu cercado por um número expressivo de policiais, com o contato direto com a população claramente limitado. Em eventos desse tipo, onde o termômetro é o corpo a corpo, o excesso de proteção institucional só reforça a percepção de que o próprio governador sabe que a maré não anda nada bem com a população. Na dúvida, prefere a blindagem. A cena, por si só, gera um grande embaraço porque a segurança pública é o grande calcanhar de Aquiles das gestões petistas na Bahia.

Recordar é viver

Um deputado, após ver a passagem do cortejo de Jerônimo, não perdeu a oportunidade: “Isso ele aprendeu com o vice-governador (Geraldo Júnior, do MDB)”, disse, arrancando risos de colegas que o acompanhavam. A referência, para quem não recorda, é de 2023, quando o vice-governador confirmou ter 33 policiais para a sua segurança e disse ser pouco, informando que iria solicitar “mais 40” ao governador.

Barrado no baile

A Lavagem do Bonfim ainda registrou um momento de tensão e constrangimento quando um secretário estadual foi barrado no acesso à Igreja da Conceição da Praia. Ele chegou acompanhado da esposa, mas teve sua entrada proibida pela segurança do próprio governo, o que deixou o secretário irado. No fim, ainda afirmou: “Não faço questão disso, não”.

Flagra

Lembram do secretário garanhão? A última coluna do ano de 2025 contou sobre o escândalo promovido por um certo secretário estadual e por sua chefe de gabinete, apontada como amante do chefe. Para recordar: ela teve uma crise de ciúmes do chefe e “tocou o terror na secretaria”. Pois nesta semana os pombinhos foram flagrados juntos num shopping de Salvador como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, entre funcionários da pasta o clima é de apreensão.

Elasticidade

O deputado estadual Raimundinho da JR resolveu testar até onde vai sua elasticidade ideológica. Eleito pelo PL em 2022, ele migrou para a base do governador Jerônimo logo no início da gestão, mas depois três com a fantasia governista vive o drama do isolamento ao estilo que só os petistas conseguem oferecem. Agora que tenta uma candidatura a deputado federal, o parlamentar percebeu que não terá nem espaço nem estímulo no campo e, por isso mesmo, começou a acenar para a possibilidade de regressão à oposição, como fez publicamente durante a Lavagem do Bonfim. A avaliação é que, do mesmo modo que ele foi para o governo por um cálculo de sobrevivência, está agora percebendo que os ventos de mudança estão soprando e que o fim do ciclo petista é uma questão de contagem regressiva.

Mediador

Apesar de o governador Jerônimo receber o deputado federal Diego Coronel como uma espécie de “mediador” para desatar o nó do senador Coronel na majoritária, o encontro se mostrou inócuo e ainda acabou deixando à mostra coisas que estavam veladas nos bastidores. O primeiro dele é que o senador Otto Alencar, cacique do PSD na Bahia, soltou completamente a mão do compadre e deixou o clã Coronel por conta própria, especialmente depois de ter conseguido emplacar o filho homônimo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA), como a coluna já havia antecipado semana passada. O saldo encontro, na véspera da Lavagem do Bonfim, foi ainda pior em razão do vídeo gravado pelo governador sugerindo ambiente de construção e convergência, enquanto o deputado aparece visivelmente desconfortável, deixando uma mensagem completamente aberta de indefinição.

Camisa incômoda

Em meio a esse impasse público, o senador Angelo Coronel evitou a Lavagem do Bonfim desta quinta, diferente do que fez em 2025, mas passou longe de ficar em branco. Ausente fisicamente, foi tema constante nas entrevistas e virou assunto recorrente entre jornalistas ao longo do cortejo. Não bastasse isso, o nome dele estampava a camiseta vestida por dezenas de apoiadores, com a frase “quem tem fé, vem com a gente”, slogan que ele repete como mantra nas redes sociais. O detalhe é que a camisa incomodou setores do governo, já que apareceu inclusive em aliados do governador Jerônimo Rodrigues, que preferiram vestir a mensagem de Coronel em vez da tradicional camisa distribuída pelo Estado.

Mais 19

Um lote de contratos da Embasa, publicado no início do ano no Diário Oficial do Estado, chamou atenção pelo tamanho e pelo simbolismo. São cinco lotes de obras de saneamento básico em cidades da Região Metropolitana de Salvador que, somados, ultrapassam a marca dos R$ 600 milhões. Até aí, nada trivial, mas o detalhe mais curioso está no prazo de execução: 19 anos. Exatamente o tempo que coincide com o período em que o PT governa a Bahia. A conta virou piada pronta nos bastidores: não conseguiram fazer em 19 anos, agora pedem mais 19. Entre técnicos e políticos, o estranhamento permanece no ar.