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Pombo Correio
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 05:00
Após um tempo de aparente calmaria, o secretário da Cultura do Estado, Bruno Monteiro, voltou a ser bombardeado de críticas por integrantes da classe artística da Bahia, que fizeram há alguns dias um manifesto muito duro contra ele. E, segundo fontes do setor na Bahia, o grupo ganhou o apoio da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que teria passado a endossar, de maneira discreta, o coro pela saída de Monteiro do cargo. A queixa generalizada é que o secretário não entende do assunto, não tem planejamento e não consegue tocar projetos e editais de maneira eficiente, o que prejudica o setor cultural. Apesar de tudo, inclusive das críticas de Brasília, Monteiro segue intocável no posto, de acordo com fontes governistas. >
Balança, mas não cai>
Há três teorias que tentam explicar a permanência de Bruno Monteiro no posto de secretário da Cultura da Bahia, apesar das críticas e da falta de resultados. A primeira é o aval do senador Jaques Wagner (PT), responsável pela indicação no início do governo e principal fiador dele. A segunda é que Monteiro se aproximou e conquistou a confiança de Jerônimo Rodrigues (PT), sendo inclusive um defensor do governo – ou, como definiu uma fonte do setor cultural, um grande bajulador do governador. Por fim, há quem diga que Monteiro conta com o apoio da primeira-dama Janja da Silva. Uma destas teses pode explicar a segurança de Monteiro, ou talvez as três juntas.>
Quem quer rir…>
Fornecedores das secretarias estaduais da Infraestrutura (Seinfra) e de Desenvolvimento Urbano (Sedur) já começaram a paralisar obras do governo Jerônimo por falta de pagamento, cujo atraso ultrapassa os 90 dias. Mas, como diz o ditado, quem quer rir tem de fazer rir. E, com esse tratamento, o empresariado promete dar o troco no ano que vem - o governo já está ciente de que não terá a mesma “ajuda” que recebeu nas eleições de quatro anos atrás.>
Bola nas costas>
Petistas baianos atribuem ao ministro e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), as sucessivas vitórias que a indústria automotiva paulista vem obtendo sobre a concorrência. Alckmin conseguiu elevar, sem maiores contestações, o imposto de importação dos carros elétricos e híbridos importados para 35%, como pleiteavam os chamados “barões” da indústria tradicional, e deu uma “rasteira” no governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, conhecido em Brasília pela maneira alegórica de conduzir os assuntos do estado. Às vésperas da abertura da Index Bahia 2025, em que tinha presença confirmada, Alckmin arranjou uma oportuna agenda no México para não vir a Salvador, driblando Jerônimo e os industriais baianos.>
Sem competitividade I>
O novo Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), trouxe novamente uma notícia indigesta para a Bahia: o estado permaneceu na 22ª posição entre as 27 unidades da federação. Entre os nordestinos, o desempenho só não foi pior que o do Maranhão, confirmando a posição desconfortável da Bahia como vice-lanterna regional. O relatório mostra que houve avanços em três indicadores, mas quedas mais expressivas em seis áreas, com destaque negativo para a Segurança Pública e a Solidez Fiscal, ambos com retração de seis pontos. O resultado reforça a dificuldade do estado, prestes a completar duas décadas de gestões do PT, em criar condições para atrair investimentos e estimular o desenvolvimento sustentável.>
Sem competitividade II>
Enquanto a Bahia segue estagnada, vizinhos nordestinos deram saltos expressivos no Ranking de Competitividade. O Rio Grande do Norte subiu oito lugares, deixando a incômoda 24ª colocação para alcançar o 16º posto, e Sergipe avançou seis posições, já figurando em 12º no ranking nacional, com impulso em Segurança e Infraestrutura. No pódio ficaram São Paulo, Santa Catarina e Paraná, e na lanterninha, Pará, Acre e Amapá - de quem o Bahia está mais próximo. Em termos futebolísticos, é como se a Bahia estivesse na zona de rebaixamento. É um diagnóstico duro sobre o saldo das gestões petistas após quase 20 anos no poder: transformaram a Bahia num estado sem competitividade e, o pior, sem reação.>
Gol contra>
A Assembleia Legislativa viveu um episódio inusitado na última terça-feira, quando os deputados tiveram que apreciar um veto do governador Jerônimo Rodrigues a um projeto que havia sido apresentado pelo próprio governo e aprovado sob forte articulação da base. A lambança ocorreu porque a proposta, que alterava o fundo de custeio de cartórios deficitários, poderia resultar no fechamento de mais de 200 unidades no interior. Mas como o governo só percebeu depois, Jerônimo ficou sem saída e teve de vetar o texto de sua própria iniciativa e expôs ao constrangimento toda sua tropa governista, em especial o líder Rosemberg Pinto (PT), que havia feito das tripas coração para aprovar a matéria. O episódio se somou a outras derrapadas técnicas do núcleo do governo, como o anúncio e cancelamento horas depois do leilão relâmpago do prédio do antigo Colégio Odorico Tavares e a nomeação de conselheiro para o TCM antes de passar por sabatina na Alba. >
Inimigo da imprensa>
O governo Jerônimo voltou a fazer ataques lamentáveis contra a imprensa nesta semana após a barbeiragem que cometeu num projeto que trata de reajuste para servidores. Por meio de um ofício, o governador solicitou a retirada da proposta por ter deixado de fora uma categoria de trabalhadores. Um descuido que beira o amadorismo. Mas, ao invés de admitir o erro, o governo preferiu atacar a imprensa e acusar de falsas as notícias de diversos portais baianos que publicaram o pedido de retirada de pauta. Chegaram, pasmem, a fazer uma peça para redes sociais com um carimbo de “fake news” em matérias de grandes sites. Mas tanto é verdade que o governo apresentou um novo projeto. Contudo, na cartilha do PT, é sempre melhor atacar a imprensa do que admitir um erro. Parafraseando a máxima do ex-governador Otávio Mangabeira, pense num absurdo, no governo Jerônimo tem precedentes.>
Cadê o gatinho que estava aqui?>
Após a repercussão negativa da peça para as redes sociais, que inclusive utilizava um gatinho falante feito por inteligência artificial, a Casa Civil acabou apagando a publicação. Foi tarde, pois a própria imprensa tratou de desmentir o ataque. No fim, restou a pergunta que ecoou nos bastidores: cadê o gatinho que estava aqui? Ficou a imagem de uma Casa Civil que deveria ser o cérebro do governo, mas que age sob improviso que impressiona.>
Insegurança>
A presidente da Assembleia Legislativa, Ivana Bastos (PSD), foi alertada esta semana a observar com rigor o rito de votação previsto no regimento interno da Casa, e não confiar cegamente no acordo de lideranças para a dispensa das formalidades regimentais. A observação veio de um experiente deputado, segundo o qual os termos de tais acordos políticos não podem se sobrepor ao que está previsto no regimento da Casa, sob pena de o resultado das votações ser facilmente questionado posteriormente na Justiça. A presidente que chegou à cadeira justamente pela insegurança jurídica que abateu seu antecessor não pode dar vez ao azar.>
Bola fora>
Um projeto aprovado pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados vem rendendo críticas, nos bastidores da política baiana, ao deputado federal Gabriel Nunes (PSD). A proposta, relatada por Nunes, prevê que, dos quatro diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM), dois sejam representantes de Minas Gerais e Pará, considerados os estados que mais contribuem para a produção mineral brasileira. A crítica ao deputado é que o relatório desprestigia a mineração da Bahia, que disputa as primeiras colocações com os outros dois, ao deixar seu estado natal de fora. Os autores do projeto são dois deputados paraenses que, naturalmente, prestigiaram o estado deles.>