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Segurança viária é um tema inegociável

Somos a capital com menor índice de mortos por 100 mil habitantes do país

Publicado em 18 de fevereiro de 2025 às 05:00

Na semana passada, tivemos a troca de secretário de mobilidade de Salvador, função em que atuei nos últimos 4 anos. Foram anos de muitos desafios, principalmente pelo agravamento da crise do transporte público com a pandemia, mas também de muitas entregas e quebras de paradigma. O novo secretário Pablo Souza, jovem, mas muito preparado, reúne todos os atributos para fazer uma grande gestão. No seu discurso de posse, ele afirmou que algo que me chamou a atenção e que quero aqui destacar: “segurança viária é um tema inegociável”.

Segurança viária sempre foi um tema muito importante para mim, desde o momento que iniciei minha jornada na vida pública há 12 anos, assumindo na época a sucateada Transalvador. Mas um fato específico me despertou para essa tragédia, que deixa em média de 35 mil vítimas anualmente no Brasil. Foi quando tive contato com D. Maria (nome fictício), mãe de dois jovens irmãos que haviam perdido a vida num acidente. Um deles acabara de receber a notícia que seria pai. O sofrimento daquela mãe era o mesmo de milhares de famílias diariamente em todo o mundo.

O que estava sendo feito para mudar isso, evitar que famílias fossem destruídas? No mundo, era possível ver inúmeras iniciativas para a redução das fatalidades no trânsito, mas e no Brasil? O que tínhamos por aqui eram algumas pequenas iniciativas, mas nada de grande efetividade, mesmo sendo um dos países signatários de um pacto proposto pela ONU da Década da Redução de Mortes no Trânsito, com a meta de diminuir 50% das mortes no trânsito em 10 anos (2010-2020).

Na função de Autoridade Máxima de Trânsito, e com carta branca do ex-prefeito ACM Neto, eu poderia fazer algo para mudar esse quadro, ao menos em minha cidade. De lá para cá, investimos em coleta de dados – uma vez que não é possível traçar uma estratégia sem dados confiáveis –, investimos em fiscalização eletrônica, campanhas publicitárias e ações educativas, aperfeiçoamos estrutura e tecnologia para monitorar e fiscalizar, implantamos a Operação Lei Seca diária, reduzimos a velocidade em várias vias e trouxemos o conceito de trânsito calmo. Enfim, muito foi feito.

Lembro que, no início destas medidas, houve certa resistência. A redução da velocidade em vias, por exemplo, sofreu muitas críticas. Contudo, com o passar do tempo, os resultados apareceram, o número de mortes reduziu drasticamente, o trânsito ficou muito mais seguro e as pessoas reconheceram a relevância deste trabalho.

Em 2017, Salvador foi a primeira cidade do Brasil a atingir a meta da ONU, com três anos de antecedência, e desde então, somos a capital com menor índice de mortos por 100 mil habitantes do país. Em 2021, Salvador mais uma vez saiu na frente, quando o prefeito Bruno Reis foi o primeiro a assinar o compromisso de reduzir mais 50% o número de mortos no trânsito. Não será fácil, mas com vontade política e gestores comprometidos, é totalmente possível.

Ao secretário Pablo, deixo registrado que segurança viária é mesmo inegociável. Siga firme, pois cada vida preservada terá feito valer a pena.

Fabrizzio Muller, ex-secretário de Mobilidade de Salvador