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Da Redação
Publicado em 2 de fevereiro de 2011 às 10:41
- Atualizado há 3 anos
Iemanjá, minha rainha, volto a estas páginas justamente no teu dia, e daqui do meu insignificante batuque lírico, te ofereço flores e sacudo aos mares uma garrafa de pedidos.Que os homens sejam mais devotos às mulheres e se ajoelhem todas as manhãs no milho amoroso dos seus pés.Que os machos não troquem um domingo com a patroa, na praia ou no parque, pelo futebol, mesmo em uma semana de Ba-Vi, mesmo numa final de campeonato.Mãe de todos os mares, amansadora de todas as ondas, nos livrai dos tsunamis nos lares e das traições, dos malditos chifres, vade retro.Mas se porventura, má sorte, sina ou descuido, o destino nos mandar uma bola nas costas, que sejamos serenos, mansos, nada que cachaça e música de corno não curem, não sirvam de milagroso bálsamo. Manda aí um Waldick - nosso Johnny Cash baiano -, manda aí um Fernando Mendes, um Carlos Alexandre, um José Augusto, um Zé Ribeiro, um Genival Santos...Só não vale, rogai por esta alma penada, fazer como o homem que matou a mulher com golpes de facadas na noite desta segunda-feira, em Itapetinga. Que desgraça com a pobre Gesonice, que descanse em paz.Mãe Iemanjá, que domina vendavais e maremotos, dominai também nossas sogras, acalmai a fúria das esposas, mesmo depois de passarmos uma noite na raparigagem ou no brega.Pelos poderes das canções de Caymmi, amém, que saibamos valorizar a preguiça e viver de brisa, viver de vento, vento que traz o peixe, peixe salgadinho pra gente comer toda água.Que as nossas Catarinas Paraguaçus prefiram sempre os nativos e reclamem da falta de banho dos gringos fedorentos.Que volte Gregório de Mattos, com a língua pegando fogo, que caçoe dos mandatários e de toda horda de ladrões.Retorne igualmente outro poeta, Salomão, o Waly, que desça no meio da festa como o índio do Caetano, o axé do afoxé Filhos de Ghandy.Que este pobre cronista, mãe dos aflitos, encontre hoje, no Rio Vermelho, a mulher da sua vida. Calma, desculpa aí, pelo exagero, minha santa. Basta uma fêmea festeira, sestrosa, que considere minha boa alma e ignore minha feiúra.Na minha humilde garrafa, que ora desliza nas espumas flutuantes, peço também paciência aos leitores, generosos filhos de Jô, aqui e alhures, para mais essa temporada Lost, sempre tratando das três maiores paixões deste perdido cronista: futebol, mulher e filosofia de boteco.>