Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Amanda Cristina de Souza
Publicado em 4 de junho de 2026 às 15:00
O avanço do crédito consignado, combinado ao aumento do custo de vida e das despesas com saúde, tem levado um número crescente de idosos ao superendividamento no Brasil.>
Quando parcelas de empréstimos e financiamentos passam a consumir boa parte da aposentadoria ou pensão, sobra menos dinheiro para despesas essenciais, como alimentação, moradia, medicamentos e contas do dia a dia. >
Idosos.
Dados da Serasa Experian mostram que 15,9 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estavam inadimplentes em janeiro de 2026. O número representa uma forte alta em relação aos 9,2 milhões registrados em 2020 e aos 14,1 milhões de 2025.>
Ao cruzar esses dados com as estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialistas apontam que uma parcela expressiva da população idosa enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento.>
O cenário se torna ainda mais preocupante quando o aposentado ou pensionista não consegue quitar as dívidas sem comprometer o chamado mínimo existencial, valor necessário para garantir condições básicas de sobrevivência.>
O empréstimo consignado aparece entre os principais fatores por trás do endividamento da terceira idade. Como as parcelas são descontadas diretamente do benefício do INSS, a modalidade costuma oferecer juros menores, mas também facilita a contratação sucessiva de novos créditos.>
Além disso, aposentados e pensionistas frequentemente são alvo de ofertas agressivas por telefone, aplicativos de mensagens e redes sociais. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) milhões de beneficiários recebem propostas de empréstimo diariamente.>
Em muitos casos, o dinheiro obtido é usado para pagar dívidas antigas, ajudar familiares ou cobrir despesas inesperadas. O resultado costuma ser um ciclo de refinanciamentos que reduz cada vez mais a renda disponível.>
Fraudes, empréstimos contratados sem autorização e descontos indevidos também figuram entre as reclamações mais frequentes.>
Embora o desconto em folha seja permitido por lei, existem limites para a chamada margem consignável. Por isso, especialistas recomendam que aposentados e pensionistas acompanhem regularmente os extratos de pagamento para identificar cobranças desconhecidas ou divergências nos contratos.>
Ao encontrar alguma irregularidade, o beneficiário pode:>
Solicitar o bloqueio do benefício para novos empréstimos pelo Meu INSS;>
Contestar cobranças diretamente com a instituição financeira;>
Registrar reclamações em órgãos de defesa do consumidor;>
Comunicar casos de fraude às autoridades competentes.>
Desde 2021, a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181) criou mecanismos para proteger consumidores que perderam a capacidade de pagar suas dívidas sem comprometer a própria subsistência.>
A norma permite que o consumidor reúna diferentes débitos de consumo em uma única negociação judicial ou extrajudicial, buscando um plano de pagamento compatível com sua renda.>
Entre as garantias previstas pela lei está a preservação do mínimo existencial, assegurando recursos para despesas básicas como alimentação, moradia e saúde. A norma também permite a renegociação das dívidas com parcelamento em até cinco anos.>
Quem enfrenta dificuldades para renegociar empréstimos, financiamentos ou dívidas de cartão de crédito pode procurar os Procons estaduais e municipais, que oferecem mediação gratuita com os credores.>
Quando não há acordo, a Defensoria Pública pode prestar assistência jurídica para ações de repactuação de dívidas previstas na Lei do Superendividamento.>
Especialistas orientam reunir contratos, comprovantes de pagamento, extratos bancários e documentos relacionados às dívidas antes de buscar atendimento.>
Antes de assumir uma nova dívida, é importante avaliar se a parcela realmente cabe no orçamento mensal e comparar o Custo Efetivo Total (CET) oferecido por diferentes instituições financeiras.>
Também é recomendável desconfiar de promessas de aprovação imediata, juros muito abaixo do mercado ou pedidos de pagamento antecipado para liberar crédito.>