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Com origem militar, hoje os modelos da Jeep são sonho de consumo

O Jeep não foi um criado como um veículo convencional, ele foi convocado, ou melhor, nasceu de uma licitação governamental

  • Foto do(a) author(a) Antônio Meira Jr.
  • Antônio Meira Jr.

Publicado em 9 de maio de 2015 às 15:18

 - Atualizado há 3 anos

"Nós, da minha geração, achávamos que jipe era um tipo de veículo, mas Jeep é uma marca", declarou a presidente Dilma Rousseff na inauguração da nova fábrica da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) em Goiana, Pernambuco.O  utilitário esportivo compacto da Jeep tem 4,23 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,67 m de altura, 2,57 m de distância entre os eixos e o seu porta-malas tem capacidade para 260 litros. O Renegade Longitude tem 29,7º de ângulo de entrada e 32,3º de saída (Foto: Arisson Marinho)Assim como a chefe do executivo nacional, muitos brasileiros ainda não sabem que Jeep é uma marca e pelo caminho entre a nova fábrica da FCA e Salvador, escutamos algumas comprovações. "É o jipinho da Fiat?", perguntava um senhor em Penedo, Alagoas. Algumas coisas fazem sentido. O termo jipe virou sinônimo de veículos destinados ao uso fora de estrada, ou off-road, normalmente com tração nas quatro rodas. A palavra jipe é um aportuguesamento do termo em inglês jeep, derivado da pronúncia em inglês da sigla GP, que significa general purpose ou "uso geral", embora essa não seja a origem da marca Jeep - confira o texto na página ao lado.

A confusão entre Fiat e Jeep vem da fusão entre a Chrysler, que era proprietária da marca Jeep - e ainda da Dodge e Ram - e a Fiat. Dessa composição de marcas surgiu a Fiat Chrysler Automobiles (FCA). No entanto, cinco anos atrás, quando a fábrica foi iniciada seria uma unidade da Fiat.A união dessas empresas terá um resultado muito interessante no Brasil.

Enquanto a Fiat é a marca líder de vendas há 13 anos e com foco em produtos mais populares, a Chrysler e a sua marca Jeep são o oposto. Reconhecida pela sofisticação, principalmente pelo Grand Cherokee, era até então pouco acessível, ou seja, para a maioria dos brasileiros apenas sonho de consumo.Mas agora a Jeep será bastante conhecida. O plano de expansão da rede, que previa 120 concessionárias no mês de lançamento do Jeep Renegade, foi superado com folga. A rede chegou no último dia de abril a 129 lojas comercializando todos os veículos da linha Jeep, tanto o pernambucano Renegade quanto os importados Compass, Cherokee, Grand Cherokee e Wrangler.

Essa fase de crescimento ainda vai continuar, para que em dezembro estejam em operação ao menos 200 revendas da marca. Vale lembrar que no final de 2014 a rede tinha 45 concessionárias, o que representa uma ampliação sem precedentes em quatro meses.

O balanço do quadrimestre é altamente positivo também nos emplacamentos, que somaram 1.237 unidades, enorme alta de 216,3%. Fenômeno liderado pelo Grand Cherokee, que continua na ponta entre os SUVs grandes de luxo, com 799 registros, 148,9% a mais do que no mesmo período do ano passado. Outro modelo da Jeep, o Compass, também apresentou expressivo aumento de 30,6% nas vendas.

O Renegade, com menos de três semanas no mercado, teve 575 emplacamentos – o primeiro deles registrado no dia 11 de abril em Maceió. “A forte demanda que observamos nos dá otimismo para alcançar nossa meta de chegar à liderança do segmento de utilitários esportivos compactos ainda este ano, mesmo iniciando os emplacamentos na metade de abril”, conclui Sérgio Ferreira, diretor geral da Chrysler Brasil e da Jeep para a América Latina.

ORIGEM DO JEEPO Jeep não foi um criado como um veículo convencional, ele foi convocado, ou melhor, nasceu de uma licitação governamental. Em julho de 1940, o exército dos Estados Unidos informou às fabricantes automobilísticas do país que precisava de um "veículo leve de reconhecimento" para substituir motocicletas e veículos derivados do Ford Modelo T.

O exército então convidou 135 fabricantes a se candidatar ao projeto, passando uma longa lista de especificações, como: carroceria de formato retangular, tração nas quatro rodas com caixa de transferência de duas velocidades, para-brisa rebatível, três bancos individuais e peso total de até 590 kg - que posteriormente aumentou.

De início, a Willys-Overland e a American Bantam Car Manufacturing Company foram as únicas companhias a assumir o desafio. Contudo, logo a Ford Motor Company entrou no jogo e a briga começou entre as três fábricas para conquistar o lucrativo contrato governamental. Cada empresa produziu protótipos para testes em tempo recorde. O engenheiro-chefe da Bantam, junto com uma equipe de executivos da marca, criou o projeto e a montadora construiu o primeiro veículo em 49 dias.

O vice-presidente de Engenharia da Willys, Delmar G. Roos, desenhou o Willys Quad. A Ford desenvolveu seu Modelo GP (de general purpose, uso geral), conhecido como Pygmy, que usava um motor adaptado de um trator. Cada companhia entregou seu protótipo ao governo menos de dois meses depois da encomenda e recebeu a aprovação para montar 70 unidades de amostra.TECNOLOGIA NO CANAVIALCinco anos atrás, um terreno no município de Goiana, na Zona da Mata de Pernambuco, equidistante 65 quilômetros de João Pessoa e Recife, era como os demais da região, uma plantação de cana-de-açúcar. Mas, com um investimento de R$ 7 bilhões (incluindo o parque de 16 fornecedores), surgiu a fábrica de automóveis mais moderna do Brasil.A nova unidade da FCA tem capacidade para produzir 250 mil unidades por ano quando estiver operando plenamente e funcionando em três turnos. Neste polo produtivo estão sendo gerados 9 mil empregos (78% deles ocupados por pernambucanos) para produzir inicialmente o Jeep Renegade e futuramente outros dois modelos. Em seis meses começará a fazer um segundo produto, uma picape da marca Fiat, maior que a Strada e menor que uma Chevrolet S10, por exemplo.

No próximo ano, será a vez de outro utilitário esportivo, a nova geração do Jeep Compass. A mão de obra local foi treinada e especializada e hoje trabalha ao lado de 700 robôs nas áreas de funilaria, pintura e montagem. Todos, homens e máquinas, trabalham em ambiente climatizado, melhor para a produtividade e para o bem-estar.