Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maiara Baloni
Publicado em 22 de maio de 2026 às 18:11
A realidade do bolso do brasileiro explica por que o lançamento do Desenrola 2.0 virou o assunto do momento. Um monitoramento do instituto Datafolha mostra que 67% dos cidadãos possuem algum tipo de compromisso financeiro atrasado, com a inadimplência afetando 21% desse total. Diante desse cenário de sufoco, a nova rodada do plano federal de renegociação foi bem recebida, 68% dos devedores acreditam que serão beneficiados diretamente e 82% preveem um impacto positivo na atividade econômica do país. O foco principal são trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, que enfrentam atrasos concentrados no cartão de crédito, empréstimos e carnês do varejo. >
Confira as etapas e as regras para usar o seu Fundo de Garantia no Novo Desenrola
A expectativa do governo é que o programa movimente R$ 8,2 bilhões. A dinâmica da proposta prevê descontos de 30% a 90% sobre o valor original da dívida, juros de até 1,99% ao mês e prazo de quitação de até 48 meses. A grande novidade é a permissão para usar até 20% do saldo do FGTS para liquidar os débitos diretamente com os credores. Para os bancos, a medida ajuda a limpar os balanços e reduzir provisões, abrindo espaço para a retomada do crédito.>
O cruzamento de dados do Datafolha aponta que o entusiasmo com a iniciativa é maior entre adultos de 25 a 34 anos e ganha força geográfica no Nordeste. Essa distribuição se conecta com o cenário político, a aprovação é mais expressiva entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja gestão flutua na casa dos 35% de aprovação geral. O governo acompanha esses índices de perto, já que o endividamento da população de baixa renda é visto como o principal entrave para que a melhora na economia seja percebida no dia a dia das famílias. >
A equipe econômica atua com dados técnicos da CNC-Fecomércio e do Banco Daycoval, que indicam que o ganho salarial deixa de virar novas compras no comércio quando o comprometimento da renda com parcelas passa de 39,6%. Ao reduzir o valor dessas prestações, o programa tenta liberar renda disponível para o varejo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforça que o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO) permitiu taxas menores sem expor os bancos a riscos, mas destaca que a ação é limitada no tempo e não uma política permanente.>
Apesar do fôlego imediato que promete dar ao comércio, o Desenrola 2.0 enfrenta ressalvas técnicas. Economistas da FGV e do Insper argumentam que o programa trata apenas os sintomas do problema, sem alterar causas estruturais como o nível médio dos salários, os juros elevados da economia e a falta de educação financeira. >
O setor financeiro também alerta para o chamado "risco moral" de repetir duas rodadas de perdão em curto espaço de tempo (2023 e 2026). A avaliação é que a reincidência pode desincentivar quem paga em dia e fazer com que os bancos encareçam o crédito geral para embutir essa insegurança. Há, por fim, o debate sobre o custo fiscal indireto, já que os descontos geram créditos tributários que reduzem a arrecadação federal, e o uso do FGTS retira recursos que seriam aplicados em investimentos de longo prazo, como habitação popular e saneamento.>
Quem se enquadra nas regras do Desenrola 2.0 pode fazer todo o procedimento de forma digital, pessoas físicas com renda mensal de até 5 salários mínimos (R$ 8.105) que possuem dívidas elegíveis contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e 2 anos. O primeiro passo é baixar o aplicativo oficial do FGTS e selecionar a opção para autorizar que os bancos parceiros consultem o seu saldo disponível. Em seguida, o trabalhador deve acessar o site oficial do programa usando o seu login do Gov.br, que precisa ser obrigatoriamente de nível Prata ou Ouro.>
Dentro da plataforma do governo, o sistema lista automaticamente todas as dívidas que podem receber o desconto. Ao selecionar os débitos que quer quitar, a própria ferramenta calcula a dedução concedida e simula as opções de parcelamento. Se o consumidor optar por usar o fundo de garantia, basta selecionar a modalidade "FGTS" no momento de fechar o acordo. Após a assinatura eletrônica do contrato, as empresas credoras têm o prazo de até 5 dias úteis para retirar o CPF do cidadão dos cadastros de proteção ao crédito. >