Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Mariana Rios
Publicado em 27 de maio de 2026 às 12:20
Aprender sobre juros, orçamento, inflação, impostos e consumo consciente ainda na escola já faz parte da realidade de diversos países. Em meio ao aumento do endividamento das famílias e à popularização de serviços financeiros digitais, governos têm ampliado o espaço da educação financeira nas salas de aula como forma de preparar crianças e adolescentes para decisões econômicas da vida adulta. >
Países como Austrália, Finlândia, Canadá, Japão, Reino Unido e Colômbia já adotam modelos de ensino financeiro em escolas públicas, seja como disciplina obrigatória ou conteúdo transversal integrado a matérias como matemática, economia e ciências sociais.>
Como organizar as contas de começo de ano e evitar o endividamento
Na Austrália, por exemplo, o tema ganhou espaço inclusive na formação de professores. O Reserve Bank of Australia (RBA) promove anualmente o “Teacher Immersion Event”, programa voltado à capacitação de docentes de economia e negócios. A edição de 2026 ocorrerá em Sydney e reunirá professores para discutir inflação, política monetária, mercado de trabalho e alfabetização econômica em sala de aula.>
O programa existe desde 2017 e inclui palestras de economistas, representantes do governo e especialistas em educação financeira. Entre os temas abordados nas últimas edições estão inflação, juros, produtividade, orçamento público e impactos das decisões econômicas no cotidiano da população.>
Nos Estados Unidos, a obrigatoriedade varia conforme o estado, mas o movimento pela ampliação da educação financeira nas escolas cresceu nos últimos anos. Discussões semelhantes também têm ganhado força em fóruns de professores e estudantes australianos, especialmente diante da alta do custo de vida, inflação e expansão do crédito digital.>
No Brasil, o tema voltou ao centro do debate após um projeto aprovado no Senado determinar a obrigatoriedade da educação financeira na educação básica. A proposta, apresentada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e busca ampliar o ensino de finanças pessoais nas escolas públicas e privadas.>
Segundo a proposta, o objetivo é preparar estudantes para os desafios econômicos da vida contemporânea, promovendo maior autonomia e responsabilidade no uso do dinheiro. O senador argumenta que o aumento do endividamento das famílias brasileiras e o baixo domínio de conceitos financeiros básicos tornam a medida necessária.>
Hoje, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já prevê a educação financeira de forma transversal, mas sem obrigatoriedade específica nas escolas. O projeto defende ampliar esse espaço e garantir que todos os alunos tenham acesso ao conteúdo, independentemente da rede de ensino.>
A proposta também menciona o impacto das redes sociais e do consumo impulsivo entre jovens. Dados citados pelo autor indicam que 60% dos brasileiros acreditam que as plataformas digitais incentivam gastos excessivos e endividamento.>
A discussão também ocorre em um cenário de crescimento das apostas online, compras por impulso nas redes sociais e aumento do acesso de adolescentes a serviços financeiros digitais, como cartões, bancos virtuais e plataformas de pagamento.>