Criador do Workshop Creativity Masterclass dá dicas de como ser mais criativo

Charles Watson deu entrevista exclusiva ao CORREIO em sua primeira vez em Salvador

Publicado em 4 de setembro de 2017 às 06:00

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Em entrevista exclusiva ao CORREIO, o educador e palestrante Charles Watson fala sobre processo criativo, como isso é encarado em tempos de crise e fatores que limitam a criatividade. Charles esteve em Salvador, no final de semana, pela primeira vez, com o Workshop Creativity Masterclass – Sol na Barriga, um dos mais procurados do país.

Como é possível desenvolver a criatividade? Qualquer um tem essa capacidade? Criatividade, assim como a felicidade, não é uma espécie de ente livre e autônomo que pode ser buscada como se fosse uma fruta que só nasce nos galhos mais altos de uma árvore. Por exemplo, pessoas muito bem-sucedidas estão muito mais preocupadas no que fazem do que  em ser bem-sucedidas. Criatividade, como a felicidade e tantos outros bens da vida, resulta de um atitude que temos perante o que fazemos. Criatividade decorre de ter feito boas escolhas naquilo que fazemos e as atitudes que temos perante essas escolhas. Se você não for dedicar a sua vida a atividades que não trazem verdadeiro significado para você, é improvável que você vá além do que é esperado naquilo que faz. 

Por qual motivo você acredita que a criatividade só existe se for colocada em prática? Tem uma citação de Yogi Berra (jogador de beisebol) que eu acho muito propícia: ‘Na teoria, não há diferença entre a teoria e a prática. Na prática, há!’. Maravilhosa, não é? A poesia, o texto, a pintura, a sinfonia, o teorema, a nova teoria enquanto está na cabeça é sempre perfeita. O problema se inicia quando você começa a colocar a teoria no mundo. Todo mundo tem ideias, mas é só uma minoria que, através de paixão, investimento, intensa curiosidade, persistência e - devo admitir - uma certa quantidade de sorte, consegue concretizar os seus sonhos. E a melhor maneira de começar a realizar os seus sonhos é acordar! Se o trabalho não for colocado em prática, como alguém vai poder julgar se é criativo ou não? Não vamos perder tempo especulando sobre as obras que Picasso, Einstein ou Shakespeare teriam realizado se tivessem vivido mais tempo. A prova da criatividade deles foi o que fizeram, não é? Criatividade precisa ter concretude. O mundo está cheio de pessoas com ‘boas ideias’, mas que não contribuíram de fato com nada. 

O que nos impede de sermos criativos? As arapucas são muitas, particularmente as criadas por nós mesmos. Preguiça, baixa autoestima, protelação, pensar muito e fazer pouco, falar muito e fazer pouco. Mas também falta de oportunidades, falta de investimentos em educação, entre outros. 

É preciso abrir mão do pensamento de que a criatividade vem da intuição? Primeiro, é importante dizer que quando falo sobre intuição eu estou me referindo a algo que é adquirido, (intuição) não é algo com a qual a pessoa nasce. Ninguém nasce com intuição de como escrever uma sinfonia, escrever uma poesia. E o mesmo vale para todas as áreas de atividade criativa. Isso parece óbvio, mas precisa ser dito. A capacidade de intuir vem a partir da internalização de uma grande quantidade de informação ao longo de um tempo estendido. Isso é chamado de conhecimento tácito e me parece uma precondição de criatividade.

A criatividade tem ajudado as empresas a se reinventarem em tempos de crise? Por incrível que pareça, as empresas verdadeiramente interessadas em criatividade são uma minoria. No mundo complexo em que vivemos, de densas redes de interconectividade, alta velocidade e sobrecarga de informação, estamos experimentando alterações num ritmo nunca antes testemunhado na história humana. Futuros imprevisíveis já não são suscetíveis aos nossos métodos de investigação e sugerem a implementação de novos modelos de gestão. Como disse um ex-diretor da Intel, Andrew Grove, “os padrões de sucesso do passado geram a complacência que leva ao fracasso futuro”. Métodos antes associados apenas à esfera do setor artístico (pensamento divergente) agora se tornam não só viáveis, mas fundamentais para a geração de possíveis respostas para problemas que ainda estão por vir.

*Charles Watson é especializado em Processo Criativo, Problem Finding e Desempenho Otimizado. Atualmente ele é palestrante, educador e diretor da Dynamic Encounters, onde promove viagens nacionais e internacionais com visitas a museus, galerias, eventos de arte e ateliês de artistas.

Como ser mais criativo

Propósito: Não dá para a buscar a criatividade em qualquer lugar. Na verdade, ela nasce é das atitudes que temos na nossa área de atuação. Para isso, é preciso dedicação naquilo que tem significado para você.

Prática: Ter ideias geniais e não colocar em prática não é o exemplo mais convincente de criatividade. Afinal, como julgar se algo é criativo se aquilo não existe na prática? É preciso concretizar as ideias.

Fatores do contra: Nós mesmos criamos as condições que não nos permitem ser criativos. Preguiça, procrastinação, desânimo e a autoestima lá embaixo são exemplos de barreiras. Além disso, a falta de oportunidade e de investimento também prejudica.