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Em Janeiro: menos improviso, mais estratégia

Organizar finanças, ter metas possíveis e antecipar riscos nos primeiros dias do ano

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 06:00

Metas realistas, controle financeiro e uso da tecnologia ajudam empreendedores a transformar a correria do fim de ano em estratégia
Metas realistas, controle financeiro e uso da tecnologia ajudam empreendedores a transformar a correria do fim de ano em estratégia Crédito: Shutterstock

Com o calendário virando e o ano ainda dando os primeiros passos, janeiro se consolida como um período estratégico para que pequenos e médios empreendedores tirem o planejamento do papel e ajustem rotas para 2026.

Após um dezembro tradicionalmente marcado por alta demanda, correria nas vendas e pouco tempo para reflexão, o início do ano surge como oportunidade para organizar prioridades, revisar números e preparar o negócio para meses mais desafiadores. Segundo a empresária, gestora e professora Marcelle Santana, especialista em empreendedorismo com mais de 18 anos de experiência em gestão financeira e inteligência emocional, o erro mais comum dos empreendedores é acreditar que planejar exige longas reuniões ou estruturas complexas. “Dezembro é um mês caótico, por isso o segredo está em microgerenciar tarefas, quebrar processos em etapas menores e focar no que realmente gera resultado”, explica.

Reuniões curtas, indicadores bem definidos e um time treinado ao longo do ano ajudam a transformar dados em decisões rápidas.

Outro ponto de atenção está na definição de metas. A recomendação é fugir de objetivos desconectados da realidade do negócio. A análise do faturamento dos últimos 12 meses permite identificar sazonalidades e estimar crescimentos possíveis.

“A meta precisa ser desafiadora, mas alcançável. O planejamento deve orientar e não engessar a operação”, afirma Marcelle, que defende o acompanhamento periódico da relação entre faturamento e meta para ajustes ao longo do ano.

Verão em alta

Na Bahia, onde o verão impulsiona setores como turismo, comércio e serviços, a saúde financeira ganha ainda mais relevância.

A orientação é reservar entre 20% e 30% do excedente dos meses de alta para sustentar o negócio em períodos de menor movimento.

Provisões trabalhistas, impostos e negociação de prazos com fornecedores também entram na conta. “Fluxo de caixa saudável é o que garante fôlego quando a receita desacelera”, pontua.

A tecnologia aparece como aliada nesse processo. Ferramentas digitais simples e de baixo custo ajudam o empreendedor a acompanhar despesas, receitas e resultados sem a necessidade de um setor de controladoria.

Sistemas financeiros integrados à contabilidade, bancos digitais PJ e aplicativos de organização financeira estão entre as soluções mais usadas para ganhar agilidade e precisão.

Marketing digital

No campo do marketing digital, o foco para 2026 deve ir além do número de seguidores. “Seguidores não significam vendas. O que importa é a taxa de conversão”, destaca a especialista.

Avaliar quantas pessoas impactadas pelos conteúdos realmente avançam para uma oportunidade de negócio é fundamental para tornar a comunicação mais eficiente.

O planejamento também permite antecipar riscos. Quebra de equipamentos, atraso de fornecedores, queda nas vendas e falta de capital de giro estão entre os “sustos” mais comuns enfrentados pelos empreendedores.

Especialista aponta caminhos para organizar finanças, definir metas possíveis e antecipar riscos logo nos primeiros dias do ano
Especialista aponta caminhos para organizar finanças, definir metas possíveis e antecipar riscos logo nos primeiros dias do ano Crédito: Guimarães/Divulgação

Para reduzir impactos, a recomendação é investir em manutenção preventiva, diversificar fornecedores, fortalecer o relacionamento com clientes e manter negociações constantes com parceiros.

Por fim, Marcelle chama atenção para um aspecto muitas vezes negligenciado: a saúde emocional do gestor. “Quando tudo depende do dono, o crescimento da empresa fica limitado. Delegar e pausar não é luxo, é estratégia”, afirma.

Cuidar do equilíbrio emocional do líder reflete diretamente no clima organizacional e na produtividade da equipe. Para quem começa o ano ainda sem um plano estruturado, a dica é simples: definir ao menos um objetivo claro para o próximo trimestre. “Mesmo um planejamento inicial, ainda incompleto, já cria direção. O importante é sair da inércia e ajustar no caminho”.

Tags:

Empreendedorismo Negócios