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Carmen Vasconcelos
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 06:30
Para muitos profissionais, a palavra "férias" soa como um alívio necessário, mas a prática revela um cenário preocupante: 62% dos trabalhadores sentem que descansam menos do que deveriam, segundo a consultoria Expedia. >
No Brasil, o reflexo desse desequilíbrio aparece nos consultórios e nos dados oficiais. Segundo o INSS, os afastamentos por burnout saltaram quase 1.000% em apenas dez anos, evidenciando que a cultura do "trabalho sem pausas" está cobrando um preço alto. >
Mariana Villalva, sócia da EXEC, viveu na pele os riscos de ignorar o descanso. Após acumular 90 dias de férias não tiradas ao longo de sete anos, ela enfrentou episódios de quase burnout e problemas físicos graves, incluindo uma cirurgia no estômago. >
"Trabalhar sem pausas leva à perda de clareza e compromete a saúde", afirma Mariana. Hoje, ela defende que a desconexão é o que permite ao profissional voltar mais focado e criativo. "Após o descanso, estou mais preparada para tomar decisões estratégicas. Sigo trazendo excelentes resultados, mas agora com saúde", garante. >
Bem-estar contínuo >
Não basta a empresa oferecer o benefício; o ambiente precisa ser psicologicamente seguro para que o colaborador se desconecte de verdade. A especialista reforça que o papel do gestor é fundamental: >
Dar o exemplo: Líderes que não tiram férias desestimulam suas equipes a descansarem. >
Planejamento antecipado: Dividir responsabilidades antes da saída do colaborador evita mensagens e ligações desnecessárias no período de folga. >
Respeito ao "off": O uso de respostas automáticas e o silenciamento de grupos de trabalho devem ser incentivados. >
Se as férias são a parada para "recarregar", o bem-estar diário é o que mantém a bateria funcionando. Tatiana Romero, diretora de RH da Ticket, destaca que 54% das empresas já mantêm ações contínuas de saúde mental e física, mas o desafio é tornar isso parte do DNA organizacional. >
Um exemplo prático é o incentivo ao esporte. Tatiana relata como desafios esportivos corporativos podem transformar a vida do colaborador. "A corrida se tornou parte da minha rotina. Me sinto mais saudável, disposta e confiante", conta. Investir nesse "capital humano" traz retorno direto para o negócio: empresas com boas práticas de bem-estar registram 76% menos rotatividade (turnover) e maior lucratividade, segundo o GPTW. >
"Cuidar das pessoas é cuidar do próprio negócio. O bem-estar não é apenas uma meta pessoal, mas uma cultura que se constrói de dentro para fora", conclui Tatiana Romero. >