Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Janeiro Branco: O silêncio que adoece e a importância do cuidado mental no ambiente de trabalho

Campanha alerta para a necessidade de diálogos abertos nas empresas; pesquisa revela que mais de 80% dos profissionais veem o bem-estar emocional como pilar do desempenho.

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 06:30

O  cuidado com a mente deve ser encarado com a mesma naturalidade que o cuidado com o corpo
O cuidado com a mente deve ser encarado com a mesma naturalidade que o cuidado com o corpo Crédito: Shutterstock

Com a chegada de um novo ano, o mês de janeiro convida a sociedade a olhar para além das metas de produtividade. A campanha Janeiro Branco surge como um marco essencial para colocar em pauta o que, por muito tempo, foi negligenciado: a saúde mental.

Em um cenário onde o estresse e o burnout se tornam diagnósticos comuns, especialistas e dados recentes acendem um alerta sobre a urgência de transformar os ambientes de trabalho em redes de apoio.

A prevenção em saúde mental começa com a quebra do silêncio. Para a psicóloga Suzane Skura, docente da Afya Centro Universitário, nomear o que se sente é uma estratégia de sobrevivência. “Ao expressar nossas dores e angústias, abrimos espaço para intervenções que impedem que o sofrimento se intensifique. O silêncio faz crescer o que poderia ser manejado”, explica.

No entanto, o estigma de que demonstrar fragilidade é sinal de fraqueza ainda impera. Segundo a especialista, o cuidado com a mente deve ser encarado com a mesma naturalidade que o cuidado com o corpo. "Buscar apoio profissional é um gesto de responsabilidade e um passo consciente para uma vida com mais bem-estar", afirma Suzane.

Diagnósticos

Se por um lado a importância do tema é reconhecida — 86% dos líderes e 87% dos liderados acreditam que o bem-estar emocional influencia diretamente o desempenho profissional — por outro, os dados mostram uma realidade de sobrecarga.

A 7ª edição da pesquisa Inteligência Emocional & Saúde Mental no Trabalho, realizada pela The School of Life e Robert Half em agosto de 2025, revela números preocupantes:

Diagnósticos: Cerca de 27% dos líderes e 26% dos liderados receberam diagnóstico de estresse, ansiedade ou burnout nos últimos 12 meses.

Medicação: O uso de medicamentos psicofarmacológicos deu um salto alarmante. Entre os líderes, o índice subiu de 18% (em 2024) para 52% (em 2025). Entre os liderados, o número saltou de 21% para 59%.

Apesar do aumento dos diagnósticos, o diálogo com a hierarquia direta ainda é um obstáculo. A pesquisa aponta que 63% dos líderes e 41% dos liderados optam por não informar a chefia sobre seu diagnóstico. O medo da incompreensão ou de reações negativas silencia o colaborador justamente quando ele mais precisa de suporte.

"Quando perguntamos ‘como você está?’ e realmente escutamos a resposta, criamos uma ponte. Essa escuta ativa pode evitar que a pessoa se sinta sozinha", destaca a psicóloga Suzane Skura.

Campanha

O Janeiro Branco reforça que o cuidado com a mente não deve ser restrito ao primeiro mês do ano, mas sim uma prática contínua. Afinal, em um mercado cada vez mais exigente, a empatia e o acolhimento tornam-se as ferramentas mais poderosas de produtividade e, acima de tudo, de preservação da vida.

Embora os dados da pesquisa The School of Life/Robert Half sejam nacionais, os índices refletem uma realidade pulsante em polos como Salvador, Camaçari e Feira de Santana. No Nordeste, a cultura da proximidade física e social contrasta com um dado alarmante da pesquisa: o silêncio dentro das empresas.

Se você sente sinais de exaustão, busque os canais de apoio da sua empresa. Segundo a pesquisa, 71% dos gestores dizem estar preparados para acolher essas questões — o primeiro passo é romper a barreira do receio.

Para mitigar os riscos psicossociais — como a sobrecarga de trabalho (apontada por 37% dos líderes como o maior fator de sofrimento) e a pressão por resultados (33%) — organizações têm adotado estratégias práticas. Entre as mais eficazes citadas no levantamento estão:

Treinamentos de habilidades emocionais para líderes e liderados;

Canais formais de denúncia para comportamentos inadequados;

Convênios com psicólogos ou psiquiatras;

Respeito à jornada de trabalho, evitando mensagens fora do expediente.

Pilares do Cuidado 

  • O Paradoxo do Silêncio Baiano Mesmo em uma cultura que valoriza o diálogo e a extroversão,o ambiente corporativo ainda é uma barreira. 63% dos líderes e 41% dos liderados não contam para seus chefes que receberam um diagnóstico de saúde mental. 
  • O medo do estigma de "falta de resiliência" ou de perda de oportunidades em um mercado de trabalho competitivo no Nordeste silencia profissionais que, fora do trabalho, são comunicativos.  A Explosão da Automedicação e Medicação O dado mais crítico da pesquisa mostra que o uso de psicofármacos (remédios para ansiedade/burnout) saltou de cerca de 20% para quase 60% em um ano.
  • Em estados como a Bahia, onde o acesso à saúde especializada pode ser desigual, o aumento no uso de medicação sem o devido acompanhamento terapêutico (psicologia) acende um alerta vermelho para o RH das empresas baianas.

  • Conectividade e o "Custo da Disponibilidade" Cerca de 40% dos líderes afirmam que o uso de redes sociais (WhatsApp/Instagram) fora do horário de trabalho está prejudicando sua saúde mental.

  • Realidade Local: Com a cultura do "networking" muito forte em Salvador, a linha entre o profissional e o pessoal é tênue. O costume de resolver demandas por mensagens instantâneas em fins de semana e feriados é um dos principais gatilhos para o esgotamento dos profissionais locais.

Os 3 Maiores "Vilões" da Mente no Trabalho 

Sobrecarga (37%): Equipes enxutas acumulando funções de quem saiu ou não foi contratado.

Pressão por Resultados (33%): Metas agressivas em um cenário econômico ainda em recuperação.

Conflitos Interpessoais (31%): Ambientes de trabalho com comunicação ineficiente e falta de acolhimento.

Tags:

Empregos Saúde no Trabalho