Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carmen Vasconcelos
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 06:30
Com a chegada de um novo ano, o mês de janeiro convida a sociedade a olhar para além das metas de produtividade. A campanha Janeiro Branco surge como um marco essencial para colocar em pauta o que, por muito tempo, foi negligenciado: a saúde mental. >
Em um cenário onde o estresse e o burnout se tornam diagnósticos comuns, especialistas e dados recentes acendem um alerta sobre a urgência de transformar os ambientes de trabalho em redes de apoio. >
A prevenção em saúde mental começa com a quebra do silêncio. Para a psicóloga Suzane Skura, docente da Afya Centro Universitário, nomear o que se sente é uma estratégia de sobrevivência. “Ao expressar nossas dores e angústias, abrimos espaço para intervenções que impedem que o sofrimento se intensifique. O silêncio faz crescer o que poderia ser manejado”, explica. >
No entanto, o estigma de que demonstrar fragilidade é sinal de fraqueza ainda impera. Segundo a especialista, o cuidado com a mente deve ser encarado com a mesma naturalidade que o cuidado com o corpo. "Buscar apoio profissional é um gesto de responsabilidade e um passo consciente para uma vida com mais bem-estar", afirma Suzane. >
Diagnósticos >
Se por um lado a importância do tema é reconhecida — 86% dos líderes e 87% dos liderados acreditam que o bem-estar emocional influencia diretamente o desempenho profissional — por outro, os dados mostram uma realidade de sobrecarga. >
A 7ª edição da pesquisa Inteligência Emocional & Saúde Mental no Trabalho, realizada pela The School of Life e Robert Half em agosto de 2025, revela números preocupantes:>
Diagnósticos: Cerca de 27% dos líderes e 26% dos liderados receberam diagnóstico de estresse, ansiedade ou burnout nos últimos 12 meses. >
Medicação: O uso de medicamentos psicofarmacológicos deu um salto alarmante. Entre os líderes, o índice subiu de 18% (em 2024) para 52% (em 2025). Entre os liderados, o número saltou de 21% para 59%.>
Apesar do aumento dos diagnósticos, o diálogo com a hierarquia direta ainda é um obstáculo. A pesquisa aponta que 63% dos líderes e 41% dos liderados optam por não informar a chefia sobre seu diagnóstico. O medo da incompreensão ou de reações negativas silencia o colaborador justamente quando ele mais precisa de suporte. >
"Quando perguntamos ‘como você está?’ e realmente escutamos a resposta, criamos uma ponte. Essa escuta ativa pode evitar que a pessoa se sinta sozinha", destaca a psicóloga Suzane Skura. >
Campanha >
O Janeiro Branco reforça que o cuidado com a mente não deve ser restrito ao primeiro mês do ano, mas sim uma prática contínua. Afinal, em um mercado cada vez mais exigente, a empatia e o acolhimento tornam-se as ferramentas mais poderosas de produtividade e, acima de tudo, de preservação da vida. >
Embora os dados da pesquisa The School of Life/Robert Half sejam nacionais, os índices refletem uma realidade pulsante em polos como Salvador, Camaçari e Feira de Santana. No Nordeste, a cultura da proximidade física e social contrasta com um dado alarmante da pesquisa: o silêncio dentro das empresas. >
Se você sente sinais de exaustão, busque os canais de apoio da sua empresa. Segundo a pesquisa, 71% dos gestores dizem estar preparados para acolher essas questões — o primeiro passo é romper a barreira do receio. >
Para mitigar os riscos psicossociais — como a sobrecarga de trabalho (apontada por 37% dos líderes como o maior fator de sofrimento) e a pressão por resultados (33%) — organizações têm adotado estratégias práticas. Entre as mais eficazes citadas no levantamento estão:>
Treinamentos de habilidades emocionais para líderes e liderados; >
Canais formais de denúncia para comportamentos inadequados; >
Convênios com psicólogos ou psiquiatras; >
Respeito à jornada de trabalho, evitando mensagens fora do expediente.>
Pilares do Cuidado >
Os 3 Maiores "Vilões" da Mente no Trabalho >
Sobrecarga (37%): Equipes enxutas acumulando funções de quem saiu ou não foi contratado. >
Pressão por Resultados (33%): Metas agressivas em um cenário econômico ainda em recuperação. >
Conflitos Interpessoais (31%): Ambientes de trabalho com comunicação ineficiente e falta de acolhimento. >