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Novo navio impulsiona uso de gás etano e reduz pressão sobre a nafta na Braskem

Investimento de US$ 80 milhões fortalece abastecimento no Polo de Camaçari, amplia flexibilidade produtiva e reduz impacto da alta do petróleo no cenário internacional

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 27 de abril de 2026 às 18:31

Terminal de Gases e Líquidos (Tegal), no Porto de Aratu, e navio Brillant Future, da Braskem Crédito: Raimundo Sampaio e José Luiz Paes/Divulgação Braskem

O nome do novo navio da Braskem diz muito sobre as expectativas da empresa em relação à moderna embarcação, fruto de um investimento de US$ 80 milhões. O “Brilliant Future” atracou pela primeira vez nas águas da Baía de Todos-os-Santos com um carregamento de 19 mil toneladas de gás etano em estado líquido. A chegada da matéria-prima, que é transportada a 80º celsius negativos, vai trazer um refresco para o caixa da petroquímica, uma vez que, desde o início da guerra no Oriente Médio, o custo da nafta, produto mais tradicionalmente utilizado pela Braskem nas unidades em Camaçari, praticamente dobrou de preço. O gás, por outro lado, aumentou “apenas” 15% no mesmo período.

Atualmente, uma das duas centrais petroquímicas da Braskem em Camaçari está habilitada a operar com nafta ou etano, enquanto a outra, mais antiga, é abastecida apenas com o derivado do óleo. Esta flexibilidade permite à empresa, em cenários como o atual, utilizar até 30% de gás na produção de insumos petroquímicos na unidade flex. O etano que está abastecendo o complexo petroquímico de Camaçari veio do Texas e já começou a ser transportado para a unidade da Braskem no Polo Industrial, de acordo com Carlos Alfano, diretor industrial da empresa na Bahia, durante a apresentação da operação no Terminal de Gases e Líquidos (Tegal), no Porto de Aratu, nesta segunda-feira (dia 27).

Alfano explica que a operação com o etano na Bahia é muito importante, uma vez que o gás é visto como um dos caminhos mais promissores para a indústria petroquímica. “Mesmo que a nafta continue a ser a nossa principal matéria-prima em Camaçari, é importante manter esta operação com o gás, porque ela nos dá a possibilidade de escolha em um momento desafiador como é o atual”, explica.

Visita ao navio Brillant Future, no Porto de Aratu por Rafael Veloso/Divulgação Braskem

Atualmente, o etano abastece 30% da central petroquímica 2 da Braskem e responde por 15% do total de matéria-prima utilizada em Camaçari. Para Alfano, o aumento desta participação depende de mais segurança em relação à oferta do produto a preços acessíveis. Como comparativo do cenário atual, ele explica que o etano sai do Texas, nos Estados Unidos, custando US$ 3 por um milhão de BTUs, mas chega ao Brasil por um custo cinco vezes maior. “A logística do transporte é muito cara”, diz.

Em situações normais, o gás perde a competitividade em relação à nafta por conta dos custos de transporte. “Como precisa ser transportado liquefeito, o preço praticamente empata com a nafta”, diz. “A operação só se torna atrativa quando, por alguma razão como está acontecendo agora, a nafta supera a despesa com o frete”.

Nestas circunstâncias, a Braskem percebeu que o Tegal e a frota de navios são ativos fundamentais para as suas operações no Polo de Camaçari. A operação de navegação trouxe para a Braskem uma redução de custos da ordem de 30%. Atualmente, a empresa possui duas centrais petroquímicas, unidades de aromáticos, de utilidades, de polietileno e de PVC, além de um duto com 475 quilômetros que conecta Camaçari à operação em Alagoas. Esta estrutura emprega 7,5 mil pessoas diretamente e indiretamente, além de 20 mil outras pelo efeito renda.

Além do Brillant Future, a Braskem pretende colocar em operação mais quatro navios – três deles ainda este ano – com investimentos de aproximadamente US$ 80 milhões, em cada. “Ter uma frota nos dá muita flexibilidade, dá mais possibilidades”, comemora Alfano. E não se tratam de navios quaisquer. O Brillant Future, por exemplo, foi construído com tecnologia de ponta e capacidade de operar tanto com o combustível tradicional, quanto à base de etanol. Os investimentos em eficiência fazem a embarcação emitir 40% menos CO2.

A carga de 19 mil toneladas de etano é suficiente para abastecer o polo por aproximadamente 20 dias, estima o diretor industrial da Braskem.

Carlos Alfano explica que desde a pandemia, o mundo entendeu que o uso do gás na indústria petroquímica é um processo irreversível, por conta de suas vantagens econômicas, na comparação com matérias-primas tradicionais. “A indústria está há alguns anos enfrentando um ciclo de preços baixos, que nos obriga a operar na faixa entre 60% e 65% da nossa capacidade. Quem consegue fazer um pouco mais do que isso, faz graças ao gás”, explica. Como comparativo, as centrais petroquímicas, como as que estão implantadas na Bahia, foram projetadas para operar acima de 80%. “Quando trabalhamos abaixo da capacidade, tudo fica mais custoso”, diz.

O navio

O Brilliant Future faz parte da Braskem Trading & Shipping (BT&S), unidade de negócios criada em janeiro de 2024 e responsável pela comercialização, logística e transporte marítimo internacional de produtos petroquímicos e matérias-primas. Segundo Hardi Schuck, líder da Braskem Trading & Shipping, o navio foi projetado com a mais moderna tecnologia para transporte de gases liquefeitos. “A nossa prioridade é o uso de etano como combustível, e nesse caso, a redução de emissões de CO2 chega a 40% em comparação com a média dos navios existentes no mercado”, explica.

Construído no estaleiro Jiangsu YangziMitsui Co. Ltd., na China, o navio passa a integrar também a operação brasileira da Braskem, fortalecendo o suprimento de insumos e ampliando a confiabilidade da cadeia produtiva.

Com 188 metros de comprimento e 29 metros de largura – dimensões equivalentes a quase dois campos de futebol lado a lado –, o Brilliant Future tem capacidade para transportar 19 mil toneladas de produto, o que garante escala, eficiência e segurança no abastecimento das plantas industriais. O navio já realizou 13 viagens internacionais, conectando rotas globais entre os Estados Unidos e destinos como México, Ásia, Europa e Brasil, consolidando-se como um ativo estratégico.

O coordenador de Vetting da Braskem Trading & Shipping, Victor Molina, destaca outros diferenciais técnicos do navio, como os tanques do tipo estrela-trilobado, um sistema semipressurizado que otimiza o uso do espaço interno. “Em comparação aos tanques bilobados, esse novo formato permite um aumento de quase 30% na capacidade, considerando o mesmo comprimento de navio. Além disso, contribui positivamente para a estabilidade da embarcação”, afirma.

O Brilliant Future também foi equipado com o leme Twist-Flow, que aprimora a eficiência da propulsão, reduz o consumo de combustível e amplia o desempenho ambiental da embarcação, sem comprometer funções essenciais como manobrabilidade e manutenção de rumo. As hélices Kappel, com pontas estendidas e suavemente curvadas complementam o sistema ao permitir que o navio navegue com o menor gasto energético. “Isso resulta em melhorias de até 9% na eficiência da propulsão em comparação com hélices convencionais”, aponta Molina.

A chegada do Brilliant Future à Bahia ocorre em um contexto mais amplo de fortalecimento da logística marítima da empresa. Em outubro de 2024, a Braskem iniciou suas operações próprias de cabotagem, após se tornar uma Empresa Brasileira de Navegação (EBN), com uma economia de aproximadamente R$18 milhões por ano. A primeira operação ocorreu em setembro de 2024, entre a Bahia e o Rio de Janeiro, com o navio Costa do Futuro transportando propeno.

Victor Molina esclarece, no entanto, que o Brilliant Future não integra a EBN. “Ele faz parte da BT&S, que atua como uma empresa de navegação internacional. As embarcações incorporadas à EBN são aquelas que operam exclusivamente no Brasil”, explica.