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O "corre" que nunca para: por que quem trabalha por conta própria tem a maior jornada

Dados do IBGE mostram que trabalhadores autônomos  já encaram jornadas maiores do que os de carteira assinada; entenda

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 16 de maio de 2026 às 11:00

O peso de estar conectado 24 horas por dia reflete no cansaço físico e mental de quem transformou o celular no único escritório.
O peso de estar conectado 24 horas por dia reflete no cansaço físico e mental de quem transformou o celular no único escritório Crédito: N Vaitkevich, Pexels

A ideia de “fim do expediente” ficou cada vez mais distante para milhões de brasileiros. Entre aplicativos, vendas online, freelas e microempreendedorismo, o celular virou escritório permanente e estendeu o trabalho para além do horário comercial.

Vida no volante: Para quem faz das ruas o seu escritório, a jornada de trabalho costuma ser longa e solitária, sem hora certa para o fim do expediente por Sami Aksu, Pexels

Dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que os trabalhadores por conta própria já lideram a maior jornada média do país, com 45 horas semanais. O número supera em mais de cinco horas a média registrada entre empregados do setor público e privado, de 39,6 horas.

Trabalho autônomo lidera as maiores jornadas do Brasil

Os dados revelam uma transformação silenciosa no mercado de trabalho. A busca por flexibilidade e renda extra ampliou o número de autônomos, mas também aumentou o tempo dedicado à atividade profissional.

Na prática cotidiana, o expediente passou a incluir tarefas que antes eram distribuídas dentro das empresas. Além do serviço principal, o trabalhador também responde clientes, divulga produtos, organiza pagamentos, alimenta redes sociais e resolve problemas operacionais.

O resultado aparece nas estatísticas e na rotina. O descanso passou a dividir espaço com notificações, cobranças e demandas que chegam a qualquer hora do dia.

O celular virou escritório permanente

O avanço do trabalho digital mudou a relação entre renda e tempo livre. Motoristas de aplicativo, entregadores, vendedores online e freelancers dependem do celular para praticamente todas as etapas da atividade.

É pelo aparelho que chegam corridas, pedidos, pagamentos, mensagens e novos clientes. A conexão constante criou uma dinâmica em que “estar offline” muitas vezes significa deixar dinheiro na mesa.

A consequência é uma rotina fragmentada, em que o trabalho invade a noite, os finais de semana e até momentos de lazer.

A pressão de estar sempre disponível

A lógica da renda variável também ajuda a explicar jornadas mais longas. Sem salário fixo ou estabilidade, muitos profissionais ampliam as horas trabalhadas para compensar períodos de baixa demanda.

Em vez de encerrar o expediente às 18h, o trabalhador continua disponível para responder mensagens, fechar vendas ou aceitar novos serviços.

A digitalização acelerou esse movimento e consolidou um modelo em que produtividade, atendimento e disponibilidade permanente caminham juntos.

Flexibilidade trouxe autonomia, mas reduziu o tempo livre

O crescimento do trabalho autônomo transformou a dinâmica profissional no Brasil. A liberdade de definir horários e escolher demandas veio acompanhada de uma rotina mais extensa e conectada.

Para muitos brasileiros, o conceito de jornada fixa praticamente desapareceu. O trabalho deixou de ocupar apenas um período do dia e passou a disputar espaço com descanso, lazer e convivência familiar.

Tags:

Trabalhador Autonomo