Recessão chega ao Natal e previsão é de queda em 8% nas vendas de final de ano

Vagas fechadas no setor e preocupação dos consumidores com o mercado de trabalho são fatores decisivos na hora da compra

Publicado em 29 de outubro de 2015 às 07:22

- Atualizado há 10 meses

As vendas do comércio da Bahia devem cair entre 6% a 8% no Natal deste ano em comparação ao mesmo período de 2014. A informação é do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-BA), Carlos Andrade. Foto: Arquivo EBCSegundo ele, a previsão não faz parte de uma pesquisa específica, mas foi baseada no cenário econômico do país e da região Nordeste e nos dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que estima uma queda de 4,1% nas vendas – pior índice desde a série histórica sobre vendas de Comércio, em 2004. “A retração deve ser ainda maior no Nordeste (que na média nacional) e principalmente na Bahia. O desemprego por aqui é bem maior do que no restante do país”, garante. Andrade ressalta que as vagas fechadas no setor e a preocupação dos consumidores com o mercado de trabalho são fatores decisivos na hora da compra. “Quando há desemprego, o setor que mais perde é o comércio. Isso porque a pessoa tem uma série de contas para honrar e vai deixar de consumir o supérfluo e até mesmo os itens básicos”, complementa, acrescentando que a alta taxa de juros também interfere no poder de compra do consumidor.  

Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o desaquecimento das vendas no comércio não é recente. Na análise sazonal da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), os negócios mantêm cenários de  retração da atividade econômica. O  volume de vendas no comércio varejista na Bahia caiu 12,2% em agosto em relação a igual mês de 2014. Na comparação com julho/15, a queda foi negativa de 1,8%.

Nos primeiros oito meses deste ano, as vendas do varejo acumulam recuo de 6,2% em comparação ao mesmo período (janeio-agosto) de 2014. Ao mesmo tempo, o  desemprego, uma das principais consequências da crise, já afetou mais de 590 mil pessoas na Bahia. No acumulado do ano, foram 550.237 admissões contra 590.708 desligamentos, segundo o  Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Até setembro, as demissões no Brasil somavam  14.809.775. De janeiro a setembro foram 14.152.014 contratações.

ConsumidorDiante do cenário de perspectivas negativas para o o final do ano, o economista Fábio Pina recomenda que os consumidores planejem desde já seus presentes, pesquisem os preços e comprem com antecedência. “Quem esperar, no entanto, pode encontrar boas ofertas. Pode acontecer, porém, da pessoa não achar o que quer e fazer maus negócios”, afirma ele, que é assessor econômico da Fecomércio.

Apesar do cenário difícil, ele acredita que o consumidor não deixará de presentear. “Com a renda per capita baixa, não há como escapar do ‘Natal de lembrancinhas’. As vendas serão mais baixas”, diz. Segundo ele, os lojistas devem tomar cuidado com seus estoques e compreender que o consumidor não poderá arriscar nesse momento. “Nesta época do ano, muitos empresários estariam se organizando e queimando estoques para o final do ano. Hoje eles estão ajustando-os e estão com itens antigos. Eles devem se planejar para um baixo movimento e comprar menos do que no ano passado”, comenta o economista.LojistasMuitos empresários do varejo baiano já se preparam para o pior. Dono das rede da loja do setor de beleza Barber City em quatro shoppings, Augusto Carvalho revela que a retração nas vendas no final do ano deve chegar a 15% quando comparadas com o mesmo período de 2014. “As pessoas estão postergando as compras. Isso em todos os setores, principalmente os que não são de Serviços”, afirma ele, complementando que o Natal vai ter promoções porque as lojas precisam queimar estoques.   Proprietária da loja Thalita Joias, com unidades em Salvador e Feira de Santana, Alzira Cunha conta que a situação está complicada. “De setembro para cá tivemos uma queda de 30% nas vendas. A expectativa está muito ruim. Nessa altura, já estaríamos contratando mão de obra temporária, fechando estoques do Natal, etc. Agora tem gente que nem está fazendo pedido”.