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Sem vaga, sem renda: falta de pré-escola em 876 cidades brasileiras impede mães de voltarem ao trabalho

Dados do Inep e Ipea revelam que a falta de vagas atinge 64% das mães negras e trava o crescimento do PIB; Plano Nacional de Educação tem metas atrasadas

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 1 de maio de 2026 às 09:00

O Brasil ainda precisa de 1,2 milhão de novas matrículas para atingir as metas nacionais de educação básica.
876 cidades do Brasil deixam crianças sem escola e mães sem emprego Crédito: Angelo Miguel/MEC

O Brasil possui hoje 876 municípios onde pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos está fora da escola. O dado do Inep revela que 16% das cidades do país ainda não universalizaram a pré-escola, apesar da obrigatoriedade constitucional.

Essa barreira impacta diretamente o bolso das famílias. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Banco Mundial mostram que a falta de vagas é o principal fator que afasta mães do mercado de trabalho. Sem suporte público, muitas mulheres abandonam o emprego ou sobrevivem de bicos informais, realidade que atinge 64% das mães negras com filhos fora da escola, segundo indicadores sociais.

876 cidades do Brasil deixam crianças sem escola e mães sem emprego por Rovena Rosa/Agência Brasil

Desafios e a informalidade

A realidade muda conforme o endereço. Enquanto capitais como São Paulo e Curitiba atendem 100% dessa faixa etária, o interior do Nordeste enfrenta dificuldades logísticas. Na Bahia, o foco recai sobre as creches, mais de 60% das crianças de 0 a 3 anos ainda não possuem vaga, segundo o Observatório do PNE. No Nordeste, apenas 28,7% das crianças acessam creches, o que força famílias pobres a priorizarem o trabalho informal em vez da educação infantil.

A expansão depende das prefeituras, que cuidam dessa etapa. Cidades menores dependem quase totalmente de repasses federais. Para 2026, o Fundeb deve movimentar R$ 370 bilhões, mas gestores alegam que o desafio vai além do dinheiro: falta apoio técnico para obras e transporte rural.

O custo da espera e os prazos vencidos

Dados do Cadastro Único mostram que apenas 30% das crianças em pobreza extrema acessam creches no Brasil, contra 60% entre famílias ricas. O Plano Nacional de Educação (PNE) previa a universalização da pré-escola (Meta 1) para 2016, mas o prazo foi adiado para 2028. Já a meta de 50% de atendimento em creches até 2024 também não foi atingida nacionalmente.

O economista americano James Heckman, da Universidade de Chicago e ganhador do Nobel, provou que investir na primeira infância traz o maior retorno ao país. Para ele, cada real gasto com crianças pequenas economiza despesas futuras com segurança e gera trabalhadores mais qualificados.

Para pesquisadores do Todos Pela Educação, a solução exige "busca ativa", ir de porta em porta entender por que a criança está fora da sala. Adaptar o transporte rural e ajustar horários das creches à jornada de trabalho das mães são passos essenciais para reduzir a desigualdade e permitir que o PIB brasileiro volte a crescer.

Tags:

Brasil Educação