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Agência Correio
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 10:00
Manter a saúde cerebral em dia é uma prioridade para quem deseja envelhecer com qualidade de vida. No entanto, um hábito comum em celebrações e momentos de relaxamento pode ser o maior inimigo da mente: o consumo de álcool. Recentemente, um especialista de renome internacional trouxe um alerta decisivo sobre o impacto dessas bebidas no sistema nervoso. >
Richard Restak, neurologista e autor especializado em saúde cognitiva, defende que existe um marco temporal em que o risco deixa de compensar o prazer social. Segundo ele, o álcool atua como uma neurotoxina direta, capaz de comprometer as conexões neurais de forma acelerada conforme envelhecemos.>
Mulher passou mal e morreu após ingerir bebida alcoólica
Para o médico, entender essa "data de validade" do consumo alcoólico é essencial. A recomendação não visa apenas o bem-estar imediato, mas a prevenção de doenças degenerativas que podem transformar radicalmente a terceira idade e a autonomia do indivíduo.>
De acordo com as diretrizes do Dr. Restak, os 65 anos representam a fronteira crítica para interromper o consumo de forma definitiva. Nessa fase da vida, o corpo já possui uma resiliência menor à toxicidade, e o cérebro torna-se mais suscetível a danos que levam ao declínio cognitivo. A sugestão é clara: eliminar o álcool do regime alimentar para garantir que os neurônios permaneçam saudáveis por mais tempo.>
O especialista reforça que, além da idade, é preciso observar a relação emocional com a bebida em qualquer etapa da vida. Se o álcool é utilizado como uma ferramenta para aliviar a ansiedade ou o estresse, o sinal de alerta deve ser ligado. Nesses casos, a substância mascara problemas psicológicos enquanto deteriora silenciosamente a estrutura cerebral do consumidor regular.>
Abandonar o hábito aos 65 anos não é uma escolha arbitrária, mas uma estratégia de sobrevivência neurológica. A ciência indica que a partir desta década o risco de desenvolver demências aumenta exponencialmente, e o álcool atua como um acelerador desse processo. A prevenção, portanto, começa com a mudança de comportamento antes que os primeiros sinais de confusão mental apareçam.>
O termo "neurotoxina direta" é utilizado pelo neurologista para classificar o álcool como uma substância que ataca e destrói o funcionamento do sistema nervoso. >
Diferente de outros alimentos que podem ser prejudiciais de forma indireta, as bebidas alcoólicas interferem diretamente na comunicação entre as células cerebrais. Isso resulta em prejuízos na retenção de memórias recentes e na capacidade de raciocínio lógico.>
Na França, dados do Ministério da Saúde apontam que o consumo excessivo está ligado a 49 mil mortes anuais, evidenciando que o perigo vai além do cérebro. O excesso de álcool — definido como mais de dois copos por dia para mulheres e três para homens — é um fator de risco comprovado para cânceres de esôfago e cólon, além de doenças hepáticas graves, como a cirrose.>
O impacto sistêmico do álcool é vasto, afetando o coração e o pâncreas, além de agravar quadros de depressão. Quando o consumo é frequente, o corpo entra em um estado de inflamação constante, o que dificulta a regeneração celular necessária para evitar o envelhecimento precoce dos órgãos vitais e do sistema circulatório.>
Uma das maiores preocupações levantadas por neurologistas é o desenvolvimento da síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma forma específica de demência associada ao álcool. Essa condição é caracterizada por uma perda severa e debilitante da memória recente, onde o indivíduo perde a capacidade de formar novas lembranças. Ela é o resultado direto da toxicidade alcoólica prolongada sobre o tecido cerebral.>
Além do dano direto, o consumo desmedido provoca uma deficiência crítica de vitamina B1 (tiamina), nutriente essencial para a energia do cérebro. Sem essa vitamina, as células nervosas morrem, consolidando o quadro de demência. É um processo muitas vezes irreversível, que transforma a rotina do paciente e de sua família devido à dependência de cuidados constantes.>
Portanto, a recomendação de parar aos 65 anos funciona como um escudo contra patologias severas. Ao retirar a neurotoxina do dia a dia, o indivíduo permite que seu sistema nervoso opere com a máxima eficiência possível para aquela idade. Proteger a mente contra a síndrome de Wernicke-Korsakoff é, em última análise, preservar a própria identidade e a história de vida.>