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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 12 de março de 2026 às 14:00
Não é raro abrir o Rotten Tomatoes e encontrar produções com roteiros frágeis e atuações questionáveis ostentando notas amargas, enquanto, simultaneamente, figuram no Top 1 global das plataformas. Esse fenômeno é chamado de hate-watching. >
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Trata-se da prática de dar o "play" em algo que você já suspeita (ou tem certeza) que vai detestar, motivado pelo prazer quase catártico de criticar, ironizar e, principalmente, não ficar de fora da conversa nas redes sociais.>
O ato de assistir a um filme ou série deixou de ser apenas uma experiência de entretenimento individual para se tornar um gesto social. O impulso coletivo de correr para o conteúdo "mal falado" funciona como uma entrada em uma roda de conversa já animada. Um dos grandes motores por trás disso é o FOMO (fear of missing out), ou o medo de ficar por fora.>
Os números mostram que o "abismo" entre a aprovação técnica e o consumo popular é real e mensurável. Três exemplos recentes de filmes que foram massacrados pela crítica, mas devorados pelo público, ilustram bem essa lógica:>
Até produções com recepção mediana, como Donzela (56% de aprovação), mostram um fôlego desproporcional ao ultrapassarem os 143 milhões de espectadores, provando que a rejeição dos especialistas não é um freio para o consumo em massa.>
Para os algoritmos e para os executivos das plataformas, o motivo do seu clique é irrelevante, pois o que importa é o clique em si. >
O "idioma" oficial do sucesso no streaming é composto por métricas de engajamento, visualizações e horas assistidas.>
Nesse sentido, o hate-watching é extremamente lucrativo. Se o público assiste por curiosidade, por ironia ou para validar uma reclamação que viu na internet, o resultado final é o mesmo: o título ganha visibilidade, permanece no topo dos rankings e sustenta novas apostas no catálogo. >
Para as plataformas, o seu "ódio" computa o mesmo valor que o seu "amor", garantindo que a roda do engajamento continue girando.>