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Amamos odiar: o fenômeno do 'hate-watching' e as séries destruídas pela crítica que mesmo assim lideram audiência

Produções detonadas pela crítica continuam dominando as plataformas porque muitos espectadores assistem movidos pela curiosidade ou para confirmar se são realmente ruins

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 12 de março de 2026 às 14:00

Mesmo alvo de avaliações negativas, algumas séries se tornam fenômenos de audiência impulsionadas pelo “hate-watching”, quando o público acompanha os episódios mais para criticar do que para elogiar
Mesmo alvo de avaliações negativas, algumas séries se tornam fenômenos de audiência impulsionadas pelo “hate-watching”, quando o público acompanha os episódios mais para criticar do que para elogiar Crédito: Banco de imagem

A distância entre o que a crítica especializada reprova e o que se torna um fenômeno de audiência no streaming nunca foi tão grande.

Não é raro abrir o Rotten Tomatoes e encontrar produções com roteiros frágeis e atuações questionáveis ostentando notas amargas, enquanto, simultaneamente, figuram no Top 1 global das plataformas. Esse fenômeno é chamado de hate-watching.

Quarta temporada de Bridgerton é inspirada no terceiro livro da série, Um perfeito Cavalheiro por Divulgação/Netflix

Trata-se da prática de dar o "play" em algo que você já suspeita (ou tem certeza) que vai detestar, motivado pelo prazer quase catártico de criticar, ironizar e, principalmente, não ficar de fora da conversa nas redes sociais.

A necessidade de pertencer à conversa

O ato de assistir a um filme ou série deixou de ser apenas uma experiência de entretenimento individual para se tornar um gesto social. O impulso coletivo de correr para o conteúdo "mal falado" funciona como uma entrada em uma roda de conversa já animada. Um dos grandes motores por trás disso é o FOMO (fear of missing out), ou o medo de ficar por fora.

Em um cenário em que memes no TikTok e piadas ácidas no X (Twitter) organizam a interação online, assistir à produção do momento, mesmo que seja para falar mal, é o que permite ao espectador entender as referências e participar da ironia coletiva. Ninguém quer ser a única pessoa que não entendeu a piada que dominou o feed.

Crítica vs. Audiência: Casos Reais

Os números mostram que o "abismo" entre a aprovação técnica e o consumo popular é real e mensurável. Três exemplos recentes de filmes que foram massacrados pela crítica, mas devorados pelo público, ilustram bem essa lógica:

  • A Mãe da Noiva: Alcançou apenas 13% de aceitação da crítica, mas atraiu 77,7 milhões de espectadores.

  • Atlas: O longa estrelado por Jennifer Lopez amargou 19% de aprovação, mas garantiu a atenção de 77,1 milhões de pessoas.

  • Lift - Golpe no Ar: Com modestos 29% de aprovação, chegou à marca impressionante de 129,4 milhões de espectadores.

Até produções com recepção mediana, como Donzela (56% de aprovação), mostram um fôlego desproporcional ao ultrapassarem os 143 milhões de espectadores, provando que a rejeição dos especialistas não é um freio para o consumo em massa.

O streaming não liga para o seu ódio

Para os algoritmos e para os executivos das plataformas, o motivo do seu clique é irrelevante, pois o que importa é o clique em si.

O "idioma" oficial do sucesso no streaming é composto por métricas de engajamento, visualizações e horas assistidas.

Nesse sentido, o hate-watching é extremamente lucrativo. Se o público assiste por curiosidade, por ironia ou para validar uma reclamação que viu na internet, o resultado final é o mesmo: o título ganha visibilidade, permanece no topo dos rankings e sustenta novas apostas no catálogo.

Para as plataformas, o seu "ódio" computa o mesmo valor que o seu "amor", garantindo que a roda do engajamento continue girando.