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Publicado em 2 de abril de 2026 às 05:00
O dia 8 de março, celebrado como Dia Internacional da Mulher, vai além de uma simples data comemorativa. A origem da data está associada às mobilizações femininas que, ao longo do final do século XIX e início do século XX, reivindicaram melhores condições de trabalho, participação política e reconhecimento social. Desde então, tornou-se um símbolo da luta por igualdade de direitos e por maior presença das mulheres nos diferentes espaços da sociedade.Mais do que celebrar conquistas históricas, a data também propõe uma reflexão sobre os desafios que ainda persistem. A forma como a mulher é tratada nas relações afetivas, no ambiente familiar e no mercado de trabalho continua sendo tema de debate e de transformação social. >
Nesse contexto, especialistas apontam que a maneira como a mulher se relaciona com a própria sexualidade também exerce influência significativa sobre sua autonomia e seu posicionamento social. O autoconhecimento do corpo, dos desejos e dos limites pessoais contribui para o fortalecimento da autoestima, da autoconfiança e da capacidade de tomada de decisão.>
Estudos na área de saúde sexual indicam que uma vivência saudável da sexualidade está associada a melhores indicadores de saúde mental. Pesquisas mostram redução de sintomas de ansiedade e depressão, além de maior percepção de autoeficácia entre mulheres que possuem maior compreensão e aceitação da própria sexualidade. Esses fatores repercutem diretamente na forma como elas se posicionam nas relações interpessoais e profissionais.>
Mulheres que vivem sua sexualidade com menos culpa ou repressão tendem a apresentar maior segurança emocional e comportamental. Essa segurança se reflete em posturas mais assertivas, maior capacidade de estabelecer limites e maior tolerância ao estresse cotidiano. No ambiente profissional, essas características podem favorecer o desempenho, o engajamento e a ocupação de espaços de liderança.>
Para especialistas, discutir os direitos das mulheres também envolve ampliar o acesso à educação sexual e à informação qualificada. Reconhecer a sexualidade feminina como uma dimensão natural da vida humana contribui para o fortalecimento da autonomia individual e para a promoção da saúde integral.>
Além do impacto na esfera pessoal, esse processo também possui reflexos sociais e econômicos. Mulheres que se percebem mais seguras em relação ao próprio corpo e às próprias escolhas tendem a construir relações mais equilibradas e a atuar com maior confiança nos espaços profissionais.>
Nesse sentido, trabalhar o autoconhecimento e ampliar o debate sobre sexualidade feminina deixam de ser temas restritos à intimidade e passam a integrar uma agenda mais ampla de saúde, educação e desenvolvimento social.>
O Dia Internacional da Mulher, portanto, também pode ser visto como um convite à informação, à reflexão e ao fortalecimento da autonomia feminina. Compreender o próprio corpo, questionar tabus e acessar conhecimento são passos importantes para a construção de relações mais saudáveis e de uma sociedade mais igualitária.>
Mila Vaz é fisioterapeuta pélvica e Camila Rabello é médica ginecologista.>