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Kamila Macedo
Publicado em 22 de maio de 2026 às 15:48
Brad Pitt abriu o jogo sobre um drama que vive nos bastidores de Hollywood. O ator revelou que enfrenta uma grande dificuldade para identificar o rosto das pessoas, o que gera o receio de ser mal interpretado no dia a dia. >
O astro sofre de prosopagnosia, um transtorno conhecido popularmente como “cegueira facial”. Quem convive com a condição não consegue associar as feições de indivíduos no geral, o que inclui até mesmo rostos de amigos próximos e familiares.>
Embora o galã ainda não tenha um diagnóstico médico oficial em mãos, ele tem certeza de que se enquadra na condição. Em uma entrevista à revista GQ, em 2022, Pitt desabafou sobre a falta de credibilidade que recebe ao tocar no assunto: "Ninguém acredita em mim! Eu quero conhecer outra [pessoa com isso]".>
Brad Pitt
Diferente do que muitos imaginam, o problema não tem relação com a visão, mas sim com as funções cerebrais. Consultada pelo jornal O Globo, a Rede D’Or esclareceu que o distúrbio não se manifesta de forma igual em todos os pacientes, variando bastante os níveis de intensidade. Enquanto algumas pessoas apenas não conseguem se lembrar de rostos que não veem com frequência, os casos mais extremos podem impedir o indivíduo de reconhecer a própria imagem no espelho. >
A medicina divide a prosopagnosia em duas categorias. Ela pode ser congênita, quando acompanha o paciente desde o nascimento, ou adquirida, quando é resultado de traumas cerebrais na região responsável por essa identificação, como o lobo occipital ou o giro fusiforme facial. Essas lesões podem ocorrer após cirurgias, lesões ou traumatismos cranianos.>
Apesar de parecer um diagnóstico isolado, o transtorno está longe de ser raro. Dados de uma pesquisa realizada pela Harvard Medical School e pelo VA Boston Healthcare System, publicada na revista Cortex em 2023, revelaram que uma em cada 33 pessoas preenche os pré-requisitos para a cegueira facial em algum grau. O estudo detalha ainda que o nível leve da condição afeta uma a cada 47 pessoas, enquanto a variação considerada grave atinge uma em cada 108.>
Como a ciência ainda não descobriu uma cura específica para a prosopagnosia, os pacientes dependem de estratégias de compensação para diminuir as dificuldades na rotina.>
Esse quadro clínico acaba sendo o motivo para que muitas pessoas passem a vida inteira sem um diagnóstico fechado. Os pacientes aprendem a criar truques diários para identificar os outros, focando a atenção no tom de voz, no estilo das roupas, no corte de cabelo ou na maneira de caminhar, muitas vezes sem entender que essa própria dificuldade e a linha de compensação fazem parte da “cegueira facial”.>