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Agência Correio
Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 13:00
Produtores rurais do noroeste paulista enfrentam uma ameaça inédita: o caruru-gigante, planta invasora altamente agressiva, foi identificado pela primeira vez no estado. O foco inicial levou ao isolamento da área e ao acionamento imediato das equipes de defesa agropecuária. >
A espécie, conhecida pela rápida disseminação e resistência a herbicidas, pode comprometer seriamente a produção de soja e milho. Autoridades classificaram a situação como emergência fitossanitária, enquanto vistorias avançam em propriedades vizinhas.>
Um detalhe chamou atenção logo nas primeiras inspeções: as plantas ultrapassavam um metro de altura e demonstravam crescimento acelerado. O cenário acendeu o alerta entre técnicos e agricultores, que agora tentam impedir que a invasora se espalhe.>
Embora discreto quando jovem, o caruru-gigante pode crescer até sete centímetros por dia, alcançando alturas superiores a um metro em pouco tempo. Essa velocidade dificulta o controle e permite que a planta domine áreas inteiras antes de ser percebida.>
Além disso, cada exemplar produz milhares de sementes, aumentando exponencialmente o potencial de infestação. Assim, mesmo um pequeno foco pode se transformar rapidamente em um problema regional, especialmente em áreas com intensa atividade agrícola.>
Outro fator crítico é a resistência a diversos herbicidas comuns. Como resultado, o controle químico se torna limitado, obrigando produtores a recorrer a métodos mais trabalhosos e urgentes para evitar prejuízos ainda maiores.>
Estudos apontam que a presença do caruru-gigante pode reduzir drasticamente a produtividade das lavouras. Na soja, as perdas podem ultrapassar 70%, enquanto no milho podem se aproximar de 90% em casos severos de infestação.>
A planta compete agressivamente por luz, água e nutrientes, sufocando as culturas comerciais. Dessa forma, mesmo áreas inicialmente produtivas podem sofrer quedas abruptas de rendimento em uma única safra.>
Diante desse cenário, técnicos recomendam monitoramento constante das lavouras. A detecção precoce é considerada decisiva para evitar que o problema se torne incontrolável e provoque danos econômicos expressivos.>
Sem opções químicas plenamente eficazes, a principal estratégia tem sido a retirada manual das plantas. Após a remoção, elas são acondicionadas em sacos e as sementes são destruídas para impedir nova germinação.>
A origem do foco ainda é investigada, mas há suspeita de introdução acidental durante o transporte agrícola. Sementes podem ter caído de veículos e germinado no solo, dando início à infestação detectada.>
Produtores também seguem protocolos rígidos de contenção. Como explicou Luiz Forest, produtor de soja há 11 anos, ao G1, “ao identificar a planta, o primeiro passo é informar as autoridades. Depois, realizamos a erradicação manual e cuidamos para que as sementes não se espalhem por implementos e máquinas.”>
Enquanto isso, fiscalizações ocorrem em um raio de até 10 quilômetros do ponto inicial. A recomendação inclui restringir a circulação, higienizar equipamentos e comunicar imediatamente qualquer suspeita, numa corrida contra o tempo para proteger a produção agrícola paulista.>